






















Barcaça






















A Barcaça, dedicado à valorização da vida, da arte, da cultura, da história e dos costumes dos concelhos de Montemor-o-Velho e Figueira da Foz. A plataforma assume um papel relevante no jornalismo local ao dar voz às comunidades, preservar a memória coletiva e reforçar a identidade cultural regional.A Barcaça: memória viva, identidade partilhada
Num tempo marcado pela velocidade da
informação e pela superficialidade do consumo mediático, A Barcaça
afirma-se como um espaço de resistência cultural e de compromisso com a
memória, a identidade e as pessoas de Montemor-o-Velho e da Figueira
da Foz. Mais do que um jornal online, é um lugar de encontro entre o
passado e o presente, entre a história coletiva e as vivências individuais.
Ao dar visibilidade a figuras
marcantes da região, como José Gonçalves Pereira dos Santos, e ao
revisitar acontecimentos estruturantes da nossa história, como o Terramoto
de 1755, a Barcaça cumpre uma função essencial: preservar a memória
coletiva e contextualizar o presente à luz do caminho já percorrido. Conhecer
de onde vimos é condição indispensável para sabermos para onde queremos ir.
Mas a Barcaça não vive apenas da
História escrita em datas e nomes. Vive também da palavra sentida. As crónicas,
os poemas, os contos e os textos reflexivos aqui publicados revelam uma
profunda ligação ao território emocional das comunidades: a família, a
pertença, as raízes, o Natal, a esperança, a dor e a capacidade de recomeço.
Metáforas como a “peste invisível” ou a “arca do ouro” desafiam-nos a pensar
criticamente sobre os padrões que repetimos e sobre a coragem necessária para
escolher caminhos novos.
Este projeto editorial acredita que o
jornalismo local tem um papel que vai além da notícia: informar, inspirar e
mobilizar. Dar voz a quem raramente a tem, valorizar o património material
e imaterial, promover a cultura e estimular o pensamento crítico são atos de
cidadania.
A Barcaça é, assim, uma embarcação
coletiva. Navega feita de palavras, memórias e afetos, transportando histórias
que nos unem e nos definem. Enquanto houver quem conte, quem escreva e quem
leia, a identidade destas terras continuará viva — partilhada, questionada e
celebrada.
Porque uma comunidade que se
reconhece na sua história é uma comunidade mais forte no seu futuro.























I. Introdução
A
Barcaça surge como um meio inovador de comunicação que propõe enaltecer a vida,
arte, cultura e costumes das Municipais de Montemor-o-Velho e Figueira da Foz.
Este jornal online não apenas se configura como um veículo de informação, mas
também como um espaço de valorização das tradições locais, promovendo um
diálogo entre o passado e o presente. Ao abordar temáticas que vão desde a
gastronomia típica até as manifestações artísticas contemporâneas, A Barcaça
visa fortalecer a identidade cultural dessas comunidades ricas em história.
Além disso, a plataforma busca fomentar o engajamento dos residentes,
proporcionando um lugar onde suas vozes possam ser ouvidas e suas histórias
contadas, contribuindo assim para a coesão social e o desenvolvimento cultural
da região. A relevância deste projeto não se limita à esfera informativa, mas
expande-se para a criação de uma rede de colaboração entre os diversos setores
da sociedade, reconhecendo a importância do patrimônio cultural no contexto
atual.
A. Visão
geral da Barcaça e sua importância no jornalismo local.
Aqui
estão os factos mais importantes que marcaram o ano de 2025 nos concelhos de Montemor-o-Velho
e Figueira da Foz (com base nas notícias e eventos locais):
📌 Montemor-o-Velho
📍 Eventos
culturais e comunitários
·
Celebração dos 700 anos do nascimento de
Inês de Castro, com uma programação cultural especial em novembro, incluindo
actividades para vários públicos e emissão filatélica comemorativa. Diário do Distrito
·
O evento natalício Castelo Mágico
regressou para reforçar o espírito festivo no concelho, atraindo famílias e
visitantes. Figueira na Hora
·
A 54ª Convenção Nacional do Lions Clube
concluiu-se em Montemor-o-Velho, reunindo participantes de todo o país e
destacando o papel social desta organização. Breves.pt
·
Realização de um seminário sobre
espécies invasoras aquáticas, promovendo o conhecimento científico e a gestão
ambiental local em parceria com a CIM-RC. TVC TELEVISÃO
·
Destaques desportivos no remo, com
clubes da Figueira e de Coimbra a brilharem em competições realizadas no
concelho. As Beiras
📍 Sécurité e
acontecimentos trágicos
·
Acidentes rodoviários graves marcaram o
ano: uma colisão na A14 em julho que resultou na morte de um homem de 25 anos e
outro ferido, e outros acidentes que provocaram feridos e vítimas nas estradas
da região. Now Canal+1
🌊 Figueira da Foz
📍 Desenvolvimento
e reivindicações públicas
·
A Câmara Municipal exigiu à Agência
Portuguesa do Ambiente (APA) financiamento de cerca de 3 milhões de euros para
intervenção urgente num troço costeiro degradado junto à Praia do Teimoso. Campeão Províncias
·
Figueira da Foz foi confirmada como um
dos locais onde será reforçado um polo estratégico de formação do IEFP, no
âmbito da sua visão nacional para emprego e formação. ECO
📍 Eventos
esportivos e culturais
·
A cidade acolheu o Figueira Champions
Classic, prova internacional de ciclismo no calendário UCI ProSeries em
fevereiro. Wikipedia
·
Em julho decorreu o Figueira da Foz
International Ladies Open, torneio de ténis profissional que integrou o
circuito ITF Women’s World Tour. Wikipedia
📍 Incidentes
noticiados
· Um incêndio numa empresa de biomassa na zona da Gala foi notícia local, mobilizando os bombeiros e forças de socorro.
Conclusão
Em
conclusão, a Barcaça se destaca como uma plataforma essencial que conecta as
comunidades de Montemor-o-Velho e Figueira da Foz, promovendo uma rica troca
cultural e uma maior valorização das tradições locais. Por meio de sua
abordagem voltada para a vida, arte, cultura e costumes, o jornal online não
apenas documenta, mas também celebra a diversidade e a riqueza do patrimônio
dessas localidades. A inclusão de vozes variadas e a cobertura de eventos
significativos ressaltam a importância da participação comunitária na
preservação da identidade cultural regional. Além disso, ao promover
iniciativas locais e difundir conhecimento, a Barcaça fortalece a coesão
social, incentivando um senso de pertencimento entre os moradores. Assim, a
plataforma não apenas informa, mas também mobiliza, instigando um engajamento
ativo e consciente em prol da cultura e das tradições locais, conforme
evidenciado por estudos recentes.
A. O
impacto da Barcaça na identidade da comunidade e na preservação cultural
A
Barcaça, enquanto veículo informativo digital, desempenha um papel crucial na
formação da identidade das comunidades de Montemor-o-Velho e Figueira da Foz.
Por meio da promoção de eventos culturais, artesanais e artísticos, ela não só
documenta a vida cotidiana como também enriquece as tradições locais,
assegurando que práticas ancestrais sejam transmitidas às novas gerações. Essa
plataforma serve como um espaço para a reflexão coletiva, onde vozes locais são
ouvidas e valorizadas, contribuindo para a coesão social e para a construção de
uma identidade comunitária mais forte. Ademais, a Barcaça atua como um guardião
da história, registrando narrativas que, de outro modo, poderiam ser
esquecidas, fortalecendo a memória coletiva e promovendo a preservação cultural.
Ao conectar os habitantes com suas raízes, a Barcaça solidifica seu papel não
apenas como um veículo informativo, mas como um pilar na manutenção da
identidade cultural regional.
Algumas destas metas serão antigidas em 2026.























Francisco
de Pina e Melo e o Terramoto de 1755
PARTE
III
Cita
então o Padre António Vieira que ventilou a questão da incoerência das obras
com a fé, sendo que a justiça divina não pode aceitar confessar a boca que “há
hum Deos, que premeia, e castiga, se nem antes, nem depois da morte esperamos
premio, nem tememos castigo”. Tal comportamento é de gente temerária e louca:
“comemos, e dormimos, e andamos alegres, e os tremores da Terra a repetirem
quasi todos os dias, as vozes de Deos a gritarem quasi todos os instantes, a
ira divina a ameaçar-nos todos os momentos”. Só que, a comportar-se o povo
português como estátua insensível, a misericórdia divina não o ampara. Basta
lembrar, inflete aqui o orador o teor do discurso enveredando pelo tom da
esperança, que as suas Quinas são “huma portentosa figura” das suas cinco
chagas, seu brasão rubricado com seu preciosíssimo sangue e todos os anos saíam
de Lisboa a levar o Evangelho às partes mais remotas do mundo, à Índia, Japão,
China e América. A eleição de povo escolhido, anunciada ao seu primeiro rei
Afonso Henriques, é recordada, a fim de manter a confiança na preservação da
promessa de reino seu, apesar da “summa immutabilidade”, de “summa miséria” e
“fragili”. Se Deus, continua o pregador, não aniquilou o homem no tempo de Noé
perante seu enorme estendal de misérias, não há de tratar de forma diferente
este reino seu entre todas as monarquias do mundo. A severidade divina não
poderá assim manter-se, não sendo necessário para isso que se aleguem os
serviços prestados, mas que se proponham tão só as confessadas misérias. E,
nesta altura, a peroração evoca a proteção de Maria Santíssima, a “Iris, que
nos assegura que estão apagados os incêndios” da ira divina. Nem haveria agora
razão para mantê-la contra um povo que a Deus “tem feito mais serviços, que
todas as Naçoens do Mundo, e ainda mais que o mesmo Povo judaico; pois este
negou no deserto” o seu “santissimo nome, e os Portuguezes, não só o
confessarão sempre nas Cidades mais populosas, e nas mais barbaras solidoens,
mas tambem o levaram a todas as partes do Mundo”. E conclui, afirmando, que o
título de “Conceição” se conjuga com o de “Vitória”, porque, com o primeiro,
foi derrotado o demónio e, com o segundo, o triunfo sobre a vingança divina.
Fonte: João Francisco Marques, “A
ação da Igreja no Terramoto de Lisboa de 1755: ministério espiritual e
pregação”, in Lusitânia Sacra, 2.ª série, 18 (2006) 219-329.























Estamos longe de estar sempre de acordo.
Na verdade, passamos grande parte do tempo a discutir, a discordar, a trocar
argumentos como quem joga cartas na mesa.
Se tenho mau feitio, herdei-o do meu pai,
disso não tenho dúvidas. Mas talvez tenha sido e seja exatamente esse feitio
que me ensinou e ensina a nunca baixar os braços, a continuar a lutar por
aquilo em que acredito e a levantar-me, vezes e vezes sem conta, depois das
quedas. Não é mau feitio é sinceridade a mais. Eh eh
Da minha mãe, para além dos cabelos
brancos que teimam em aparecer, herdei o lado mais sentimental, aquele que me
faz chorar por tudo e por nada. Credo. Muitas vezes por nada mesmo. Mas herdei
também a garra, a força de não desistir, esse sentido quase visceral de cuidar,
de proteger e de amar como se o coração fosse casa aberta e tivesse que abarcar
tudo e todos. Coração grande, portanto… cabem todos até os que não deviam!
E, apesar de nem sempre concordarmos,
apesar de às vezes parecermos mundos que falam línguas diferentes, há algo que
nunca muda: é tão bom saber que tenho sempre para onde voltar. Que existe um
porto de abrigo. Que há uma lareira para me aquecer. Uma garrafa para abrir. Um
prato para comer. Que eles continuam aqui, presentes, imperfeitos como eu, a
lembrar-me que a vida não é feita para ser vivida sozinha.
É bom ter quem nos tenha visto crescer,
quem saiba quem somos para além do barulho do mundo, quem nos reconheça até no
silêncio.
No fundo, é bom continuar a tê-los na
minha vida. Sempre.
JOSÉ GONÇALVES PEREIRA DOS SANTOS
UM ILUSTRE FIGUEIRENSE
Foi deputado, Ministro das Obras Públicas,
Ministro Honorário de Sua Majestade, Professor Universitário e grande
influenciador das decisões que à Figueira interessavam.
Nasceu na Carreira de S. João em 11 de dezembro de 1855, filho de João Gonçalves Curado, da Marinha de Baixo, e de Maria Pereira da Silva, da Carreira de S. João, ambos da freguesia de Lavos.
Foi batizado na Igreja Paroquial de Nossa
Senhora da Conceição, em Lavos, no dia 26 de dezembro de 1855.
Era neto paterno de Luiz Gonçalves Curado
e de Maria da Silva, ambos da Marinha de Baixo, e neto materno de Manoel da
Silva Santos e de Ângela Pereira, os dois da Carreira de S. João.
José Gonçalves Pereira dos Santos fez o curso de preparatórios em Leiria e matriculou-se em 1871 no curso de Matemática e Filosofia, na Universidade de Coimbra, o qual concluiu em 1874 com apenas 18 anos.
Sabe-se que em 22 de setembro de 1873, a
seu requerimento, e quando tinha apenas 17 anos, a Câmara atestou o seu bom
comportamento, certamente por ponderar seguir a vida militar, onde tinha
tradições familiares.
Neto paterno do capitão Luís Gonçalves Curado, Pereira dos Santos assentou praça em 5 de janeiro de 1874, foi promovido a alferes em 8 de janeiro de 1879, a tenente em 3 de fevereiro de 1881, a capitão em 31 de outubro de 1884, a major em 5 de dezembro de 1901 e a tenente-coronel em 5 de dezembro de 1903.
Foi deputado do Partido Regenerador, pelo círculo da Figueira nas legislaturas de 1882/1884, 1885/1887, 1890/1892, 1893/1894 e 1897/1899, pelo círculo de Leiria em 1887/1889, pelo círculo de Soure em 1900, e pelo círculo de Coimbra (incluía a Figueira) em 1902/1904, 1905/1906, 1907 e 1908/1910.
Em 1910 foi nomeado Par do Reino, mas não
chegou a tomar posse em virtude da proclamação da República.
De 1905 a 1907 foi líder do Partido Regenerador na Câmara dos Deputados.
Quando a Câmara dos Senhores Deputados foi dissolvida em 1895, a Câmara Municipal da Figueira da Foz, em sessão de 3 de abril de 1895, aprovou um voto de louvor pelo trabalho do deputado Pereira dos Santos em prol da Figueira.
José Gonçalves Pereira dos Santos foi
relator de importantes projetos, como os dos portos de Leixões e Lisboa, fez
parte do Conselho Superior das Obras Públicas, foi Ministro das Obras Públicas
e Ministro de Estado Honorário do Conselho de Sua Majestade D. Carlos I.
Foi Ministro das Obras Públicas, Comércio
e Indústria, por três vezes, a 1ª de 25 junho a 30 de novembro de 1900, no 50º
governo da Monarquia Constitucional dirigido por Ernesto Hintze Ribeiro, a 2ª
de 20 de março a 19 de maio de 1906, no 54º governo, também chefiado por Hintze
Ribeiro, e a 3ª vez de 26 de junho a 5 de outubro de 1910, no 61º governo da
monarquia constitucional liderado por António Teixeira de Sousa.
Foi lente do Instituto Industrial de
Lisboa em 1888 e também da Escola Superior do Exército em 1892, onde regeu as
cadeiras de «Máquinas» e «Resistência dos Materiais».
A Figueira deve-lhe muitos benefícios,
enquanto Deputado e Ministro, nomeadamente na ligação férrea de Lisboa à
Figueira e Alfarelos em 1888, na construção dos Paços do Concelho em 1897, na
fixação de 2 baterias de artilharia 3 também em 1897 e na construção das pontes
sobre o Mondego em 1906.
Se a Figueira teve um aquartelamento
definitivo, muito se deveu à diplomacia do deputado Pereira dos Santos, e à
essencial decisão do Ministro da Guerra, Pimentel Pinto, pelo que ambos foram
louvados em reunião extraordinária da Câmara de 7 de novembro de 1895.
Nesta reunião de Câmara foi ainda
deliberado que, antes de a Câmara entregar ao Estado o antigo quartel e a casa
adquirida para o mesmo fim, se desse a todo o edifício o nome de “Quartel
Pimentel Pinto”.
“Em atenção aos serviços prestados a este
concelho”, e especialmente por ter conseguido o seu primeiro quartel fixo, a
Câmara deliberou, em sessão de 27 de dezembro de 1895, dar o nome de Largo
Pereira dos Santos ao Largo do Touril, junto do referido quartel, no local onde
existira uma praça de touros no antigo Casal da Rata, e no espaço onde seria
inaugurado o Jardim-Escola João de Deus em 6 de setembro de 1914.
Os figueirenses desejavam ardentemente um
quartel militar na sua cidade quando, no início de julho de 1896, constituíram
uma Comissão que entregou ao Rei D. Carlos I uma representação na qual se pedia
a vinda imediata para a Figueira de duas baterias de artilharia.
Desta Comissão fazia parte o
Vice-presidente da Câmara, António Gonçalves, o Dr. José dos Santos Pereira
Jardim, deputado, irmão do Presidente da Câmara e Presidente da Associação
Comercial, José Gonçalves Pereira dos Santos, Capitão de engenharia e Deputado
pelo círculo da Figueira, e Jorge Laidley, Vice-presidente da Associação
Comercial.
Foi na reunião de Câmara de 11 de janeiro
de 1897 que o Presidente Dr. Joaquim Jardim informou, com júbilo, que o
figueirense Conselheiro Pereira dos Santos lhe participara que no dia 1 de
fevereiro próximo chegariam à Figueira duas baterias do Regimento de Artilharia
Nº 3.
Propôs o Presidente que a Câmara
agradecesse ao Rei D. Carlos I, ao Ministro da Guerra, ao Conselheiro José
Estêvão de Morais Sarmento, ao digno Par do Reino Conselheiro Luiz Augusto
Pimentel Pinto (anterior Ministro da Guerra), ao figueirense Conselheiro José
Gonçalves Pereira dos Santos, ao General António Higino de Sousa Craveiro
Lopes, Diretor Geral do Ministério da Guerra, e ao major José Joaquim de
Castro, chefe do gabinete do Ministro da Guerra.
Propôs ainda que no dia da chegada do
corpo militar a Câmara dirigisse uma mensagem de agradecimento ao Chefe do
Governo e Presidente do Conselho de Ministros, Conselheiro de Estado Ernesto
Rodolfo Hintze Ribeiro, amigo dedicado da Figueira.
E que a Câmara fosse incorporada à estação
do caminho de ferro para receber as baterias, convidando para as acompanhar
todas as corporações figueirenses.
E, finalmente, que no dia da chegada se
desse um bom rancho aos soldados, e que se convidassem os moradores da Figueira
a iluminar as suas casas.
A 2 de fevereiro de 1897, para comemorar a
chegada à Figueira do Grupo de Baterias do Regimento de Artilharia nº 3,
decorreu na Assembleia Figueirense um importante baile que ficaria conhecido
pelo “Baile das Batarias”, oferecido por uma Comissão de sócios aos oficiais e
suas famílias e ao qual assistiram vários académicos de Coimbra.
O átrio da Assembleia Figueirense exibia
uma primorosa ornamentação, houve divinais serviços de chá, ceia, bufete,
ponche e chocolate, e o baile terminou perto das seis horas da manhã.
O baile da noite do dia 2 de fevereiro de
1897 foi precedido de uma sessão solene na Associação Comercial. Na véspera
(dia da chegada do Grupo), e no dia 3, houve espetáculos de gala,
respetivamente no Teatro-Circo Saraiva de Carvalho e no Teatro Príncipe D.
Carlos, neste último pela Troupe Dramática do Ginásio Figueirense.
Também para comemorar a vinda dos
militares, a Associação Comercial, presidida pelo Dr. José Jardim, promoveu a
fundação do Asilo para Crianças num terreno cedido pela Câmara, situado no lado
poente da Rua Vasco da Gama, compreendido entre o alinhamento desta rua e o
hospital barraca até ao muro da propriedade da senhora Fortunata.
O Grupo de Baterias foi a primeira unidade
militar permanente que existiu na Figueira e a sua vinda deveu-se
principalmente ao Ministro Luís Augusto Pimentel Pinto, intervindo também o
deputado pelo círculo da Figueira, José Gonçalves Pereira dos Santos, o
deputado e Presidente da Associação Comercial, Dr. José dos Santos Pereira
Jardim, a Câmara Municipal e a Associação Comercial.
Foi também José Gonçalves Pereira dos
Santos que muito contribuiu para a conclusão dos Paços do Concelho, porque os
anos iam passando sem que a obra do novo edifício da Câmara se iniciasse, e com
o prazo legal para a sua construção prestes a esgotar-se.
Foi então necessária a intervenção do
deputado José Gonçalves Pereira dos Santos, quando na sessão da Câmara dos
Senhores Deputados de 18 de janeiro de 1886 apresentou um projeto de lei
prevendo a prorrogação do prazo para a construção dos Paços do Concelho.
Estava-se no início de 1886 e dirigia a
Câmara o seu 6º Presidente desde que Manuel José de Sousa Júnior decidira em
1873 construir os novos Paços do Concelho.
Entretanto, a Câmara continuava a pagar a
renda dos dois andares que ocupava na Praça Nova, além da renda de outros
edifícios com serviços públicos.
O novo edifício dos Paços do Concelho só
ficou concluído no final de 1897 e começou a funcionar no dia 2 de janeiro de
1898, realizando-se neste dia uma sessão solene com direito a um hino escrito
para a ocasião. Discursou o Dr. Joaquim Jardim, assim como outras
personalidades, e todos louvaram a importante obra que agora entrava em
funcionamento.
Foi aprovado um voto de louvor a José
Adolpho de Mello e Sousa, figueirense e deputado da Nação, que havia tratado
graciosamente de todos os negócios relativos ao empréstimo bancário contraído
pela Câmara para a construção dos Paços do Concelho.
Discursou de seguida José Gonçalves
Pereira dos Santos, deputado pelo círculo da Figueira, o qual realçou o
trabalho do executivo municipal que iniciou e concluiu o edifício, referindo
que a sua “solidez” simbolizava a força de vontade e energia do executivo atual
e a sua “elegância” representava a beleza da cidade.
Pereira dos Santos aplaudiu igualmente a
ideia de se ter inscrito em mármore o nome de Manuel Fernandes Tomás, o qual
fora vereador do município, “onde, defendendo as prerrogativas e imunidades do
concelho, se preparou para a grande obra da revolução que implantou no país o
regime da Liberdade (…)”.
Foi ainda Pereira dos Santos quem mais
defendeu a construção da ponte férrea da Figueira da Foz junto das instâncias
superiores, quando disse na sessão da Câmara dos Senhores Deputados de 18 de
maio de 1899:
“Mando para a mesa duas representações, da
câmara municipal de Figueira da Foz, e outra da associação comercial da mesma
cidade, pedindo á camara que aprove a proposta do sr. ministro das obras
publicas, tendente a construir uma ponte sobre o rio Mondego, defronte
d'aquella cidade. A minha opinião a este respeito está comprometida nos relatórios
que, como engenheiro, tive que escrever, e, portanto, não posso deixar de
advogar o pensamento fundamental do projecto, que, alem de tudo, se relaciona
com o círculo que represento. Quanto aos seus detalhes, espero que o projecto
venha á discussão, para então o apreciar com largueza”.
José Gonçalves Pereira dos Santos, quando
Ministro das Obras Públicas, também muito apoiou a construção da Igreja do
Paião.
José Gonçalves Pereira dos Santos fez
ainda parte da estrita comitiva que acompanhou o rei D. Carlos I e a Rainha D.
Amélia a Inglaterra, em 17 de novembro de 1904, quando reinava Eduardo VII.
Foi oficial, cavaleiro e comendador por
serviços distintos da Ordem de S. Bento de Aviz, oficial de S. Tiago, medalha
de prata de comportamento exemplar e Cruz de Mérito Militar de Espanha.
Faleceu em 3 de julho de 1927, em Lisboa,
e a Comissão Administrativa municipal aprovou em sessão do dia 6 seguinte um
“voto de sentimento pelo falecimento de José Gonçalves Pereira dos Santos,
ex-deputado, par do Reino e Ministro de Estado”.
“A
Peste Invisível: a tradição de repetir dores como se fossem destino.”
Montemor
sempre foi terra de histórias, mas também de espelhos. E poucas são tão
simbólicas como a lenda das duas arcas que descansam no castelo: uma cheia de
ouro. Outra cheia de peste. Ambas fechadas. Ambas temidas.
O
mais curioso nesta lenda não é o que está dentro das arcas. É o que está dentro
de nós!
Há
séculos que esta história vive no imaginário local, passada de geração em
geração, quase como aviso silencioso: “Não arrisques. Não abras. Não mexas.” E,
de alguma forma, crescemos a acreditar que é mais seguro temer… do que
escolher.
A
verdade é que, hoje, a maioria de nós já não vive assombrada pela peste real,
mas vive presa à peste invisível: a dos padrões que repetimos sem pensar, a das
crenças que herdámos sem questionar, a das histórias que carregamos como se
fossem destino.
É
essa peste silenciosa que nos mantém na mesma vida, nos mesmos ciclos, nos
mesmos medos, ano após ano.
E
é aqui que a analogia com a chegada do final do ano ganha força: Todos nós
repetimos o ritual arcaico dos “novos começos”. Prometemos que vai ser “agora”.
Que vamos mudar. Que o próximo ano é que é.
Mas,
na verdade, a maioria continua a fazer exatamente o mesmo: abre a porta errada,
segue o caminho de sempre, repete padrões que não escolheu. E quando damos por
nós… carregamos connosco uma arca de peste emocional, social e cultural,
enquanto o ouro fica lá, intocado, ao lado.
Porque
o ouro assusta. O ouro obriga a olhar para dentro, a assumir responsabilidade,
a arriscar sair do enredo que nos ensinaram a seguir.
A
peste, por outro lado… é confortável. Conhecida. Herdada. Quase genética.
É
mais fácil vestir a pele das gerações anteriores do que abrir a arca que nos
pede coragem. É mais fácil repetir o discurso: “a vida é mesmo assim”, “não dá
para mais”, “é tarde demais”, “é o que é”.
Mas
no fundo, todos sabemos: o que nos prende não é falta de oportunidade, é falta
de consciência. É falta de movimento. É falta de presença.
A
maior lenda não está no castelo. Está no modo como continuamos a viver.
No
dia 31 de dezembro, enquanto o mundo se prepara para mais uma passagem de ano
cheia de promessas vazias, talvez devêssemos fazer uma pergunta diferente:
Que
arca tens carregado contigo: a da peste que te mantém igual, ou a do ouro que
te podes tornar?
Porque
o maior perigo não é abrir a arca errada. É passar a vida inteira sem abrir
nenhuma.























Se o Menino Jesus Me Tivesse Chegado Mais
Cedo
Se eu fizesse um pedido ao Menino, seria
simples e imenso ao mesmo tempo: ter encontrado essa pessoa mais cedo. Não para
apagar o passado — porque até a dor ensina — mas para que a vida tivesse sido
menos pesada durante tanto tempo. Ter encontrado antes alguém que, numa dezena
de anos, me deu mais do que aquilo que recebi em três dezenas. Mais verdade,
mais respeito, mais humanidade. Em trinta anos houve perdas profundas, houve
roubo — literal, com provas — e houve um encadeamento de mentiras, injustiças e
sacanices que quase me empurraram para o colapso. Houve momentos em que não
sabia onde iria parar.
A minha vida mudou quando alguém acreditou
em mim num momento em que eu próprio já duvidava. Mudou quando encontrei
compreensão em vez de julgamento, presença em vez de abandono. Houve dias muito
complicados, carregados de situações impensáveis, conhecidas apenas por meia
dúzia de amigos que nunca me largaram. A esses, devo lealdade eterna. Mas houve
uma pessoa que se tornou âncora, farol e abrigo. Uma pessoa humana, sensata,
que soube sempre dizer a palavra certa — ou escolher o silêncio certo — nas horas
mais difíceis, aquelas que só nós dois conhecemos.
Foi aí que passei a acreditar no divino e
nas voltas da vida. Não como um conceito abstracto, mas como algo que se
manifesta em pessoas concretas, em gestos pequenos e decisivos. Aprendi que a
coragem não é barulho, é consistência. E que há uma coragem muito particular,
moldada pela infância de quem se viu sem pai ainda muito cedo e, apesar disso,
escolheu ser inteira, justa e profundamente empática. Essa coragem ensinou-me a
levantar, a resistir e, sobretudo, a confiar de novo.
Durante demasiado tempo, vivi entre
mentiras e injustiças que me corroeram por dentro. Se tivesse encontrado esta
pessoa mais cedo, talvez o caminho tivesse sido menos solitário, menos duro,
menos injusto. Talvez tivesse acreditado antes em mim. Talvez tivesse sofrido
menos. É esse o pedido que faria ao Menino: não mudar quem sou, mas ter tido
mais tempo com quem me ajudou a sê-lo melhor.
O Natal deveria ser exactamente isto. Um
espaço de partilha de histórias verdadeiras de amor ao próximo, de altruísmo,
de solidariedade sem holofotes. Um tempo para lembrar que há pessoas que dão
muito mais do que recebem, não por obrigação, mas por carácter. Que estendem a
mão sem perguntar o que vem em troca.
Se pudesse fazer outro pedido — e este
continuaria a ser o primeiro — pediria que a felicidade, a saúde e a paz
estivessem sempre presentes num ser humano que essa pessoa ama e que eu também
amo. Porque parir é dor, mas adoptar, seja em que idade for, é amor. Amor
consciente, escolhido, construído todos os dias.
Neste Natal, o meu agradecimento é inteiro. Ao Menino, por me ter mostrado que a vida pode recomeçar. E, sobretudo, a quem foi resposta a uma oração que eu nem sabia que estava a fazer.
Sou de um país
com sabor a sal
e a descoberta,
com o cheiro da
aventura …
um país aquecido
pelo sol que ilumina
e nos aquece,
um país de génios
criadores,
pátria de poetas
sonhadores
para quem a palavra
faz sempre sentido,
traduzindo anseios
ocultos,
lutando firmemente
pela ânsia de liberdade
que os norteia
e conduz
à pátria desejada,
perseguindo um sonho,
gritando com ardor
que tarda a hora de
chegar...
Sou de um país
com sabor a sal no
nevoeiro …
OLHAR DA FREGUESIA
O olhar carrega uma
memória afetiva,
uma história de vida
que, ao longo dos anos, se transformou e se aprofundou.
Esta essência tem um
valor único e pessoal, algo que me preencheu ao longo dos anos!
O olhar tem o poder de
trazer ao de cima as raízes que formam quem somos, revelando os momentos
simples, mas carregados de grande significado.
Ao caminhar pelas ruas,
encontrei o eco de um tempo, nos olhares e risos escondidos nas esquinas,
fazendo-me sentir como
uma velha amiga, como se já tivéssemos compartilhado muitas histórias.
Este olhar é o de quem
se sente acolhido, por um lugar que, com o tempo, se torna quase uma extensão
de mim.
Agora, o olhar que se
volta para o presente, para a maneira como o lugar me abraça, me faz sentir
enraizada nele, mantendo-me viva, renovada,
mas, sem perder a minha
identidade.
E, com tudo isto, se
passaram 39 anos!
Daqui a mais uns anos,
quando já não tiver pernas para andar, o meu olhar continuará a encontrar
abrigo
nas calçadas gastas,
nas portas de madeira, nas pedras do majestoso castelo, nos risos dos que ainda
irão nascer.
Esta freguesia será
sempre minha,
no passado, no presente
e no futuro.
Porque o olhar que se
cruza com ela,
se torna parte de
sua/minha história,
nunca deixando de viver
em mim.
FELIZ NATAL! Saúde e
paz e vivam em Natal todos os dias do ano.
Abracinho.
























Magia de Natal
A neve cai gota a gota na pequena aldeia
perdida na montanha. Os verdes pinheiros estão cobertos de um manto branco
enquanto de uma chaminé brota o fumo de uma lareira que aquece uma humilde
família.
João o filho de sete anos de Maria e
Manuel pergunta aos pais?
- Porque é que aqui não há luzes de Natal?
Ouve –se o crepitar da fogueira que aquece
os três corações e o silêncio
ensurdecedor.
João continua a questionar:
- Pai porque não vamos à cidade ver as
luzes de Natal? Eu gostava de ver as luzes de Natal.
João nunca tinha ido á cidade na época de
Natal e imaginava como devia ser bonito as luzes que os outros meninos falavam.
No silêncio aterrador surge a voz do pai:
- Vai para a cama!
- Mas todos os meninos ….
- Vai para a cama!
E João foi, triste e silencioso. Da janela
do seu quarto viu a neve que continuava a cair densamente e uma estrela. Na
estrela pediu um desejo e adormeceu….
A meio da noite um sonoro estrondo
acorda-o. Um clarão invade o quarto do pequeno João.
- Pai! Mãe!
Em sobressalto todos vão á janela e sobre
a pequena aldeia perdida na
montanha branca uma chuva de estrelas
tinha caído e iluminado a aldeia.
As estrelas tinham um brilho tão intenso
que ofuscavam qualquer diamante.
Por momentos João e os pais ficaram a
olhar aquele espetáculo de luz e fantasia extasiados.
- E se chamássemos os vizinhos? – disse o
pai numa voz suave e
maravilhada.
Então de porta em porta “Truz-truz” toda a
aldeia acordou para ver a magia de uma noite de estrelas reluzentes, mágicas…
Agora o João também podia contar aos
outros meninos a magia que é viver na montanha em tempo de Natal. Há lugares
onde a natureza é mágica e não precisamos de artifícios para a tornar mais
bela. Natal também é quando o Ser Humano quiser – basta querer, basta sonhar!
LUZEIRO
Está cinzento lá fora,
tempo tão triste sem sol!
Procuro o seu calor,
olhando algum girassol…
Lembra o crepitar da lareira,
que apetece neste tempo…
Altura do Advento!
Ilumina como braseira
deixa espalhar sua LUZ
e ilumina a terra inteira!
Sinto o cheiro dos pinheiros,
olho o verde dos seus ramos.
Dentro de nós são LUZEIROS
tal qual aqueles que amamos.
Estão casas engalanadas,
com grinaldas multicolores.
Luzes de todas as cores,
luzes de um brilho total,
emoldurando as janelas,
e lembrando que É NATAL!
Burla
em Angola, Burla em Portugal é uma história verídica. Em 1996, um modesto
empresário português recebe uma encomenda das Forças Armadas de Angola. Em
boa-fé, investe e envia, a crédito, tudo o que é pedido pelas FAA e vai a
Luanda receber. O que pensava ser um negócio normal converte-se, então, num
pesadelo brutal.
A
jornalista Susana Ferrador investigou este caso, que começa em Angola e se
estende a Portugal. Em Angola, o esquema de corrupção é tão flagrante que
provoca a reacção revoltada e impotente de alguns agentes da justiça militar.
Mas o pequeno empresário é uma formiga em luta com um elefante: tem a vida
desfeita e a empresa arruinada. Recorre à diplomacia e à justiça
portuguesas. É difícil dizer o que é pior, se o espectáculo da subserviência e
da inoperância da nossa diplomacia, se o cortejo de clamorosas falhas da nossa
justiça.
Burlado
primeiro em Angola, Manuel Lapas, o empresário português, é burlado também em
Portugal. A raiva da injustiça dá-lhe forças para uma luta de 16 anos.
Conseguirá a formiga derrubar os elefantes angolanos e portugueses?
Este
é um livro que nos ajuda a compreender muitas coisas: as teias de corrupção e a
permissividade, que, durante anos, se cruzaram nas esferas do poder dos dois
países.


























