FOI EM 2021
"BARCAÇA" um projeto local e independente ligado ao concelho de
Montemor-o-Velho (distrito de Coimbra, Baixo Mondego.)
O que é o Blog Barcaça?
· É
blog coletivo e plural, ativo desde 2021, criado como uma "barcaça"
metafórica — uma embarcação que "navega" por temas locais, dando voz
a diferentes visões.
· Conteúdo:
Artigos sobre política regional, associativismo, desporto, história e
monumentos, poesia, agricultura, formação e vida quotidiana no concelho.
· Tinha
inicialmente colaboradores fixos para secções (ex.: desporto por
"TOPSECRET", associativismo por Olímpio Fernandes, história por Mário
Silva, poesia por várias autoras como Mara Kopke, Garça Real, Isabel Capinha). Hoje contam com mais alguns colaboradores, como Isabel Tavares, Antonio Girão, Fernando Curado, Isabel Rama, Carla M. Henriques, Maria Forte... mas sempre atento para novas entradas.
· Publica editoriais, reflexões sobre o Baixo Mondego, críticas sociais, desejos para o
concelho (ex.: "vacina" para acordar Montemor para o mundo,
associativismo nas freguesias).
· Tem um tom independente, plural e formativo, agradecendo leitores e colaboradores
no final de cada "viagem" (ano).
· Diretor/impulsionador:
Luiz Pessoa (mencionado como "o nosso diretor da BARCAÇA", navegando
pelas margens de vidas heroicas e ruralidade). Ele convidava colaboradores para
escrever sobre temas locais.
· Inspirado
no rio Mondego e na tradição das barcaças (barcos tradicionais usados para
atravessar o rio com animais e alfaias agrícolas, como a réplica existente no
Esteiro da Ereira, em Montemor-o-Velho, que mencionei antes).
Contexto
local O nome "Barcaça" evoca perfeitamente o património fluvial de
Montemor-o-Velho: o Mondego, as várzeas, o arrozal, as antigas travessias de
barca. O blog usava isso como metáfora para "navegar" ideias e
opiniões pelo concelho, num espírito comunitário e cultural. Era apoiado por
gente ligada ao associativismo local. Situação
atual (2026) O blog tem a sua periocidade mensal, no final de cada mês, o que é
comum em projetos voluntários locais. Luiz Pessoa @LPessoa1961 no X,
que coincide com o teu (handle), talvez tenha sido o impulsionador ou
colaborador — o blog tem um ar muito pessoal e enraizado na região!
Aqui vai um soneto original em português clássico, inspirado
no rio Mondego e no concelho de Montemor-o-Velho, com ecos da tradição
camoniana e da poesia do Baixo Mondego: o rio sereno que banha terras férteis,
o castelo ancestral no morro, as planícies aluviais, as saudades e a eterna
fluidez da água.
Soneto ao Mondego e a Montemor
Ó Mondego, que nasceste em neve alta e pura,
Da Estrela desces manso, em prata te desdobras,
E no Baixo te espraias, em campos que se cobras
De arroz e de morango, em luz que nunca escura.
Montemor, no teu outeiro, ergue o castelo altivo,
Guardião de velhas pedras, de reis e de fronteiras,
Vês o rio serpentear por várzeas verdadeiras,
Onde o tempo se detém num sussurro cativo.
Tu, rio de poetas, de Inês e de saudades,
Lavas as margens verdes, os sonhos e as verdades,
E em teu leito de espelhos refletes o luar.
Montemor-o-Velho sonha ao teu colo sereno,
Eterno é o teu curso, ó pai do Baixo pleno,
Que levas para o mar o que o coração não dá a guardar.
No concelho de Montemor-o-Velho
(distrito de Coimbra, Baixo Mondego), a política local continua dominada pelo
Partido Socialista (PS), que mantém o controlo da Câmara Municipal desde 2013
(e agora em 2026, após as autárquicas de outubro de 2025) Situação atual na
Câmara Municipal (2025-2029)
· Presidente da Câmara: José Teixeira
Veríssimo (PS), eleito em outubro de 2025. Tomou posse em novembro de 2025,
sucedendo a Emílio Torrão (também PS, que liderou de 2013 a 2025).
· Resultados das autárquicas 2025:
· PS: cerca de 46,7% dos votos →
maioria absoluta com 4 mandatos na câmara (ligeira descida face aos 50,6% de
2021, mas ainda dominante).
· Coligação PSD/CDS-PP ("Mudar
Montemor, Juntos!"): cerca de 30,27% → 3 vereadores (oposição principal).
· Movimento independente S.I.M. – Somos
Independentes por Montemor-o-Velho: cerca de 14,31% → representação na
assembleia municipal e possivelmente vereadores.
· CDU (PCP-PEV): cerca de 3,75%.
· Bloco de Esquerda: cerca de 1,27%.
· Abstenção: cerca de 35,36%.
· O PS destaca-se por políticas de
equilíbrio financeiro, reforço de apoios sociais, transferências para juntas de
freguesia e movimento associativo. Recentemente (dezembro 2025), aprovou o
orçamento para 2026 de 43,7 milhões de euros (idêntico ao de 2025), com votos
favoráveis do PS, contra da coligação PSD/CDS-PP (por não haver descida de
impostos, apesar de promessas de campanha) e abstenções do S.I.M. e CDU.
Outros aspetos relevantes
· O Chega tentou concorrer nas
autárquicas de 2025, mas as listas foram chumbadas pelo tribunal local (recurso
ao Constitucional sem sucesso aparente), pelo que não tem representação eleita
no concelho.
· A nível nacional/presidencial
(eleições de 18 de janeiro de 2026), o concelho tem sido palco de ações de
campanha: André Ventura (Chega) fez jantar-comício recente, Cotrim de
Figueiredo (IL) visitou fábricas locais (ex.: queijadas), António José Seguro (PS)
provou morangos numa empresa hortofrutícola. Isso reflete o interesse em
mobilizar eleitores locais, mas não altera o domínio PS na autarquia.
· O executivo PS (com maioria) foca-se
em estabilidade, proximidade às freguesias (11 no total), funções sociais e
manutenção de taxas fiscais (IMI, Derrama, IRS sem agravamento).
- No domínio da fiscalidade municipal, a Assembleia Municipal aprovou igualmente, por maioria, a manutenção das taxas de IMI, IMI familiar, Derrama e IRS, prosseguindo uma política fiscal equilibrada, que procura conciliar a capacidade de execução municipal com o não agravamento da carga fiscal das famílias e empresas do concelho. A taxa de IRS mantém-se nos 4,5%, permitindo a devolução de 0,5% aos residentes fiscais, o IMI fixa-se nos 0,34% e a derrama nos 1,4%.
Em resumo, Montemor-o-Velho permanece
um "feudo" socialista a nível local, com oposição moderada do
centro-direita (PSD/CDS) e independentes. Não há grandes turbulências ou
mudanças radicais recentes — o foco está na gestão quotidiana, obras e apoios
sociais. Para detalhes mais atualizados (ex.: atas de reuniões ou notícias de
hoje), consulta o site oficial da Câmara (cm-montemorvelho.pt)
𝙁𝒊𝙜𝒖𝙚𝒊𝙧𝒂 𝒅𝙖 𝙁𝒐𝙯: 𝒓𝙤𝒕𝙚𝒊𝙧𝒐 𝒅𝙖 𝙘𝒊𝙙𝒂𝙙𝒆, da autoria de Manuel Ayres Falcão Machado.
Esta obra foi visada e aprovada pelo Secretariado Nacional de Informação Cultura Popular e Turismo, nos termos do Decreto n.º 34.134, de 24 de novembro de 1944.
𝘈 𝘱𝘢𝘳
𝘥𝘢𝘴
𝘴𝘶𝘢𝘴
𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘢𝘪𝘴
𝘦 𝘤𝘢𝘵𝘪𝘷𝘢𝘯𝘵𝘦𝘴
𝘣𝘦𝘭𝘦𝘻𝘢𝘴,
𝘢 𝘍𝘪𝘨𝘶𝘦𝘪𝘳𝘢
𝘥𝘢
𝘍𝘰𝘻
𝘯𝘢̃𝘰 𝘥𝘦𝘪𝘹𝘢
𝘥𝘦
𝘤𝘢𝘥𝘢
𝘷𝘦𝘻
𝘮𝘢𝘪𝘴,
𝘮𝘢𝘳𝘤𝘢𝘳
𝘶𝘮𝘢
𝘱𝘰𝘴𝘪𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘥𝘦
𝘱𝘳𝘰𝘨𝘳𝘦𝘴𝘴𝘰,
𝘥𝘦
𝘵𝘢𝘭
𝘮𝘰𝘥𝘰
𝘲𝘶𝘦
𝘯𝘢̃𝘰 𝘴𝘦𝘳𝘢́
𝘥𝘦
𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘯𝘩𝘢𝘳
𝘷𝘦̂-𝘭𝘢,
𝘥𝘦𝘯𝘵𝘳𝘰
𝘥𝘦
𝘱𝘰𝘶𝘤𝘰
𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰,
𝘴𝘦𝘳
𝘢 𝘨𝘳𝘢𝘯𝘥𝘦
𝘤𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦
𝘥𝘰
𝘮𝘢𝘳
𝘥𝘦
𝘱𝘳𝘢𝘵𝘢
𝘥𝘦
𝘢𝘳𝘦𝘪𝘢𝘴
𝘥𝘦
𝘰𝘪𝘳𝘰,
𝘰 𝘤𝘦𝘯𝘵𝘳𝘰
𝘥𝘪𝘭𝘦𝘤𝘵𝘰
𝘥𝘦
𝘵𝘰𝘥𝘰𝘴
𝘰𝘴
𝘱𝘰𝘳𝘵𝘶𝘨𝘶𝘦𝘴𝘦𝘴
𝘦 𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘯𝘨𝘦𝘪𝘳𝘰𝘴
𝘢𝘮𝘢𝘯𝘵𝘦𝘴
𝘯𝘢̃𝘰 𝘴𝘰́
𝘥𝘢
𝘣𝘦𝘭𝘦𝘻𝘢
𝘤𝘢𝘵𝘪𝘷𝘢𝘯𝘵𝘦
𝘥𝘢𝘴
𝘴𝘶𝘢𝘴
𝘱𝘢𝘪𝘴𝘢𝘨𝘦𝘯𝘴
𝘦 𝘥𝘰
𝘢𝘱𝘳𝘦𝘤𝘪𝘢𝘥𝘰
𝘴𝘰𝘴𝘴𝘦𝘨𝘰
𝘲𝘶𝘦
𝘰𝘧𝘦𝘳𝘦𝘤𝘦,
𝘢𝘭𝘦́𝘮 𝘥𝘦
𝘭𝘩𝘦𝘴
𝘳𝘦𝘷𝘪𝘨𝘰𝘳𝘢𝘳
𝘢𝘴
𝘦𝘯𝘦𝘳𝘨𝘪𝘢𝘴
𝘦 𝘦𝘴𝘱𝘢𝘪𝘳𝘦𝘤𝘦𝘳
𝘰 𝘦𝘴𝘱𝘪́𝘳𝘪𝘵𝘰…
Este
roteiro pela cidade da Figueira da Foz convida o leitor a descobrir o seu
património cultural, com particular destaque para museus e monumentos
emblemáticos. Entre os exemplos apresentados nesta publicação contam-se o Museu
Santos Rocha, instalado no segundo andar do edifício dos Paços do Concelho, a
Casa do Paço, o pelourinho e o Forte de Santa Catarina.
Neste
opúsculo é ainda possível rever imagens representativas, nomeadamente da praia,
do Grande Hotel da Figueira, da Piscina Praia e de um trecho da Serra da Boa
Viagem, de onde se avista, ao fundo, a cidade e a enseada de Buarcos.
O
leitor encontrará também, organizados por ordem alfabética, os nomes das
antigas ruas da cidade e as respetivas alterações ao longo do tempo. A
publicação encerra com um interessante retrato da época, dando a conhecer,
através dos anúncios incluídos, o comércio e as empresas de serviços então
existentes.
Este
e muitos outros documentos podem ser consultados 𝗻𝗮 𝗦𝗮𝗹𝗮
𝗙𝗶𝗴𝘂𝗲𝗶𝗿𝗲𝗻𝘀𝗲
𝗱𝗮
𝗕𝗶𝗯𝗹𝗶𝗼𝘁𝗲𝗰𝗮
𝗣𝘂́𝗯𝗹𝗶𝗰𝗮
𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹
𝗣𝗲𝗱𝗿𝗼
𝗙𝗲𝗿𝗻𝗮𝗻𝗱𝗲𝘀
𝗧𝗼𝗺𝗮́𝘀.
Das eleições domésticas à política internacional
Em
cada eleição presidencial, tende a repetir-se o mesmo ritual: debates centrados
na economia doméstica, na segurança interna, na moralização da política ou na proximidade
do candidato ao “cidadão comum”. A política externa surge quase sempre em
segundo plano, como se o país pudesse suspender a sua relação com o mundo durante
o tempo que dura uma campanha eleitoral.
E,
no entanto, raramente o mundo esteve tão presente na vida quotidiana dos
eleitores.
Conflitos
armados, alianças e desalianças internacionais, fluxos migratórios, crises energéticas
ou decisões tomadas em cimeiras longínquas fazem-se sentir nos preços, na segurança
e até no horizonte de expectativas de cada cidadão. Fingir que a política externa
é um assunto técnico, distante ou reservado a comentadores mais ou menos informados
ou condicionados e de diplomatas é, no mínimo, um exercício de ingenuidade
coletiva.
As
eleições presidenciais são, inevitavelmente, um momento de escolha simbólica.
Escolhe-se
não apenas uma pessoa, mas uma determinada forma de representar o país no
exterior, de interpretar os compromissos internacionais e de reagir às pressões
de um mundo instável. Mesmo quando os poderes formais do cargo são limitados, a
palavra presidencial tem peso, eco e consequências. Um gesto, uma declaração ou
um silêncio podem reforçar alianças, fragilizar consensos ou projetar uma
imagem de responsabilidade — ou de imprevisibilidade do nosso país, quem sabe
de capacidade ou incapacidade de manter acordos com os nossos parceiros mais
próximos.
Os
candidatos são obviamente diferentes e nenhuma das opções é neutra, ainda que muitas
vezes se apresente como tal. Escolher ou não escolher é, também, uma escolha.
Os
problemas não residem apenas nos candidatos, mas também na forma como o próprio
ato eleitoral é encarado, num contexto em que os, mas media tendem a privilegiar
a obtenção de audiências, muitas vezes à custa da transformação da política em
autênticas “novelas”, valorizando o espetáculo promovido pelos candidatos em detrimento
da verdade, da dignidade e da ponderação. Quando as eleições presidenciais são
reduzidas a um exercício de simpatia pessoal, de estilo ou a uma mera
contabilidade de promessas internas, perde-se de vista o facto de o chefe de
Estado ser, antes de mais, uma voz do país no concerto das nações — uma voz que
fala em nome de todos, mesmo quando, posteriormente, dela discordamos.
Num
tempo em que as fronteiras políticas são cada vez mais permeáveis e os efeitos
das decisões externas se fazem sentir dentro de portas, ignorar a política
externa em campanha eleitoral é um luxo que dificilmente nos podemos permitir.
Votar é escolher um futuro interno, mas é também definir como queremos estar no
mundo — e como queremos que o mundo nos veja.
Passo algum tempo na estrada, entre viagens. E é curioso como a vida muda o lugar às coisas: aquilo que antes eu detestava, hoje é quase uma terapia silenciosa.
A estrada tornou-se um espaço meu. Um tempo que ninguém me rouba. Um lugar onde a cabeça abranda e o coração ganha espaço. Onde eu penso com uma clareza que em casa nem sempre aparece, como se o movimento do carro empurrasse também o que está preso cá dentro.
Enquanto conduzo, vou arrumando a agenda e a vida: alinho prioridades, ponho ordem no caos, desenho estratégias, fecho pontas soltas. Decido coisas. Faço promessas pequenas.
Há também um escape ali, naquele som constante do caminho: música alta, voz solta, letras cantadas como se fossem respostas. Às vezes desabafo, às vezes rio, às vezes só respiro.
Não danço porque éproibido. Mas a música faz o resto. E eu deixo
FIGUEIRA
DA FOZ - MONUMENTO A DAVID SOUSA
David de Sousa faleceu no dia 3 de outubro de 1918, com 38 anos, vitimado pela epidemia pneumónica, num prédio pertencente a António Costa, no nº 66 da Rua Bernardo Lopes.
Foi
sepultado no cemitério Oriental no mesmo dia em que faleceu.
Recorda-se aqui a notícia da sua morte na revista "Ilustração Portuguesa" de 21 de outubro de 1918 (pág.337):
“Maestro David de Sousa - Causou a mais profunda consternação, no espírito de todos os que amam a sublime arte e de todos os que tiveram ocasião de apreciar o invulgar talento de David de Sousa, a notícia do seu falecimento.
O ilustre "maestro", que morreu na Figueira da Foz onde se encontrava veraneando, era além de compositor inspiradíssimo - entre as obras de que era autor, contam-se a "Rapsódia Slava", os "Cantares Portugueses" e a "Babilónia", primeira parte de um grande poema sinfónico, feito sobre a notável obra de Guerra Junqueiro "Morte de D. João" - um distinto executor, como muito brilhantemente o demonstrou em inúmeras audições, em que conseguiu arrebatar o entendido público que a elas concorria, bastando citar as da Orquestra Sinfónica, que superiormente regeu, e em cujos programas introduziu, com geral contentamento, trabalhosas peças de música russa, por que era muito apaixonado, e cuja influência distintamente se reconhece nas obras que compôs.
O
eminente músico que fez o curso do nosso Conservatório, onde era ultimamente
professor de violoncelo, estudou em Leipzig, na Rússia e em Londres, regendo
nesta cidade alguns concertos públicos.
A sua morte, enlutando a arte musical da nossa terra, onde conseguira impor-se como uma figura de alto relevo, deixa inconsolável sua mãe, a quem a Ilustração Portuguesa endereça as mais sentidas expressões do seu pesar”.
De imediato, os seus admiradores organizaram-se com o fim de edificar um monumento em homenagem a tão brilhante músico, e em 12 de outubro de 1919, no Teatro do Casino Peninsular da Figueira da Foz, realizou-se um sarau com o fim de serem angariados fundos para a sua construção.
A pedido do seu parente em 2º grau Fernando Alberto Marques Pinto, o corpo de David de Sousa foi trasladado no dia 27 de abril de 1919 do cemitério Oriental para o cemitério Setentrional, onde ficou no jazigo de Rodrigo Galvão, após um cortejo entre os dois locais.
(Esta trasladação só foi aprovada em sessão da Comissão Administrativa municipal de 30 de abril, pois a mesma não pôde reunir em 23 de abril por falta de quórum. O Dr. Cerqueira da Rocha era então o presidente da Comissão Administrativa).
Dois
anos depois, em ofício de 15 de novembro de 1921, a Comissão do Monumento a
David de Sousa pediu autorização para erigir no Largo Coronel Galhardo uma
estátua em sua homenagem, solicitando que a este largo fosse dado o nome do
malogrado compositor e para que a Câmara custeasse as despesas dos alicerces.
A Comissão Executiva municipal dirigida pelo Dr. Cerqueira da Rocha, em sessão de 23 de novembro de 1921, aprovou as pretensões apresentadas, exceto a mudança do nome do Largo Coronel Galhardo.
Porém,
passados quase 12 anos após a morte de David de Sousa ainda não tinha sido
construído o monumento em sua homenagem no Largo Coronel Galhardo, ou noutro
qualquer local.
Ezequiel Sousa Prego era o tesoureiro da Comissão do Monumento, mas residia agora no Rio de Janeiro, e com ele estavam os 7.200$00 da coleta efetuada para a realização da obra escultórica.
Então,
instado por Raimundo Esteves Pereira, o Administrador do Concelho, Argel de
Melo, pediu a Sousa Prego a devolução do dinheiro em ofício de 8 de novembro de
1929.
(Raimundo Esteves Pereira (1855-1936) era pai do ilustre figueirense Raimundo Esteves Pereira Júnior (1892-1946), mais conhecido por Raimundo Esteves).
Como não se concretizava a construção do monumento, decidiu a Comissão Administrativa municipal, em sessão de 19 de agosto de 1930, atribuir o nome do maestro David de Souza à antiga Rua dos Banhos.
A
Comissão Administrativa municipal era então dirigida pelo capitão Melo Cabral
(não havia Câmara Municipal desde o golpe militar de 1926).
Existia
agora uma rua com o nome de David de Sousa, mas a construção do monumento, tão
desejado por tantos, não se iniciava, apesar de já haver muito dinheiro em
caixa para o efeito.
Em carta de 17 de setembro de 1931, o Administrador do Concelho respondeu ao ofício da Câmara do dia 25 de agosto anterior, solicitando que a Câmara pedisse a Sousa Prego o dinheiro em sua posse e nomeasse uma nova Comissão que erigisse o monumento.
Todavia,
da primitiva Comissão do Monumento a David de Sousa restavam somente dois
cidadãos, Ezequiel de Sousa Prego e Raimundo Esteves Pereira, visto terem
falecido os outros vogais.
Então, em 23 de setembro de 1931, a Comissão Administrativa municipal, agora dirigida por José da Silva Fonseca, deliberou solicitar a intervenção do Ministro dos Negócios Estrangeiros junto de Ezequiel Prego, a residir no Brasil, para que fosse possível recuperar os 7.200$00 angariados para a construção do monumento a David de Sousa.
Passados
3 meses, em ofício de 31 de dezembro de 1931, a Direção Geral dos Serviços
Centrais do Ministério dos Negócios Estrangeiros comunicou à Comissão
Administrativa municipal que, relativamente ao seu ofício de 1 de outubro
anterior, o Consulado Geral de Portugal no Rio de Janeiro acabava de informar
que o Dr. Ezequiel Carneiro Prego comparecera naquele Consulado, onde tinha
declarado:
•
Que existia a importância de 7.200$00 à sua guarda para construir um monumento
a David de Sousa, de sua iniciativa;
•
Que a Comissão do Monumento teria de ser reconstituída, pois ele e Raimundo
Esteves estavam ausentes de Portugal e tinham falecido os restantes membros;
•
Que sendo esta Comissão de iniciativa particular, nenhuma conta teria a prestar
ao Administrador do Concelho ou à Câmara Municipal;
•
Que não se sentia na obrigação de entregar os 7.200$00 à Câmara Municipal
porque esta nunca interferira na subscrição;
•
Que a Câmara Municipal em 23 de setembro de 1931 dera publicidade ao pedido do
Administrador do Concelho para coagir o declarante a entregar-lhe aquela
quantia, coação que repelia, bem como a injúria que ela envolvia;
•
Que aguardava a solução que ao caso quisessem dar os senhores João de Barros,
José de Barros, José Augusto Pinto, Cardoso Marta, Américo da Assunção, Mário
Alves (representante de Raimundo Esteves) e Manuel José Cruz (representante de
Ezequiel Prego).
Em
sessão de 6 de janeiro de 1932, a Comissão Administrativa municipal deliberou
dar a conhecer ao Administrador do Concelho este ofício do Ministério dos
Negócios Estrangeiros, solicitando-lhe o maior interesse no início da
construção do monumento, sem exigir a entrega de quantia alguma, e
recordando-lhe que só tinha intervindo neste assunto por sua solicitação.
Neste
ano de 1932 já existia a maquete do monumento a David de Sousa, mas passaram
muitos anos até que o monumento fosse edificado.
Em
sessão da Câmara Municipal de 29 de junho de 1938 o vereador Manuel Nunes de
Oliveira disse não fazer sentido que, havendo uma Comissão encarregada de
angariar fundos destinados a erigir um monumento a David de Sousa, não fosse
dado qualquer conhecimento acerca do dinheiro que “parece haver depositado num
Banco”, nem do que procura ou pretende fazer.
Propôs
Nunes de Oliveira, e foi aprovado por unanimidade, que a Câmara oficiasse de
novo, desta vez a cada um dos membros da supracitada Comissão, para que
comunicassem as suas intenções, e caso não se obtivessem respostas se deveria
pedir a interferência do Administrador do Concelho, pois o assunto “requeria
interferência policial”.
Em
maio de 1939 Fausto de Almeida lamentava que a Figueira continuasse “(…) ainda
hoje a mostrar para com ele a mesma ingrata indiferença, não exibindo orgulhosa
aquele monumento que há muito devia homenagear na sua terra David de Sousa”.
Em
1942, uma Comissão liderada pelo Dr. Pedro de Aguiar, de Lisboa, consegue os
fundos necessários para construir um busto em bronze modelado graciosamente
pelo mestre Maximiano Alves.
Em
6 de maio de 1948, três décadas após a morte de David de Sousa, o monumento foi
inaugurado ao fundo da Rua da Liberdade, sendo da autoria do escultor Leopoldo
de Almeida e do arquiteto Carlos Ramos.
Ficaram
por conta da Câmara as despesas com as individualidades convidadas para a
inauguração do monumento, e só não foram maiores porque o Dr. Manuel dos Santos
Freitas, de Lisboa, fez-se representar pelo seu filho David Fernando que era
professor na escola do Conde Ferreira, na Figueira da Foz.
O
Dr. Álvaro Malafaia era então o presidente da Câmara, sendo vereadores o Dr.
Ernesto Tomé, o capitão Francisco de Boaventura Militão, o Eng.º António
Alberto da Cunha Rei, o Dr. António Sotero de Oliveira, o Dr. Sérgio Costa Lobo
Madureira e Carlos Lino Gaspar.
APOSENTEI-ME.
DEDICO
AO MEU PRIMO BERTO ESTAS PALAVRAS SIMPLES, MAS SENTIDAS
Aposentei-me
esta semana, ao fim de quarenta e três anos como professor e mais alguns, ainda
na juventude, a trabalhar numa fábrica. Foram cinquenta!
É
uma palavra grande, “aposentei-me”, mas não cabe inteira no que sinto. Não
deixei de ser professor; apenas abrandei o passo, como quem conhece bem o
caminho e decide apreciá-lo com mais vagar.
Venho
dos campos do Mondego. Foi ali que aprendi, ainda menino, com os primos Silva,
a coragem das cheias e a luta diária pela vida. O rio ensinou-nos cedo que a
força pode ser devastadora, mas também fértil e que resistir é uma forma de
esperança. Com o Alberto aprendi quase tudo o que realmente importa. Prometemos
um ao outro, ele com sete anos e eu com seis, que seríamos professores.
Crescemos rodeados de gente boa, trabalhadora, mas que não sabia ler nem
escrever. Talvez por isso quiséssemos tanto ensinar: porque sabíamos, mesmo sem
o saber explicar, que o conhecimento abre caminhos onde antes só havia atalhos
difíceis.
Aprendi
cedo que a condição à partida não tem de nos impedir de alcançar metas. Essa
lição não veio dos livros, veio da vida e, sobretudo, do exemplo do Alberto.
Amo o Alberto, meu primo que foi irmão. Já foi, mas não deixou de estar. A sua
voz, o seu riso, aquele riso que só ele tinha, acompanham-me todos os dias.
Oiço-o muitas noites, ecoando na minha cabeça, com aquele timbre inconfundível
e com a sua convicção firme de que não existiam impossíveis. Essa ideia é, para
mim, a maior estrela que conheci, a mais brilhante.
Sou
professor porque quis ser como o Alberto. E isso é difícil, muito difícil. Ele
era grande, muito grande, tão grande como a mata onde íamos buscar musgo para o
presépio, em sua casa ou na igreja da nossa aldeia. O Alberto tornou-me crente,
porque há anjos, e ele foi um deles. Os nossos amigos de infância, e são
muitos, reconhecem essa característica do Berto, era assim que eu lhe chamava.
Havia nele uma grandeza simples, uma bondade natural que não precisava de
palavras.
Não
esqueço os amigos de infância do nosso Bairro do Tojal, lugar de partida e de
chegada. Entre idas ao rio, aos marmelos no Traveiro, a apanhar pinhas para as
nossas avós, construímos uma família feita de memórias, de cumplicidades e de
resistência. Se a alguém devo ser professor, é ao Berto.
Dois
beijos, claro: um para o Berto; outro para o Zé Alberto, o outro primo-irmão
que nos acompanhava sempre e que me acompanha hoje, embora longe, sempre perto.
Estão ambos aqui, no coração. Um abraço fraterno aos amigos de infância:
lutámos com a força das águas do nosso rio Mondego e continuamos a ser uma
família que adoro. Aposentei-me, sim. Mas ensinar, isso, não termina nunca.
Agora que a vida
tem um sabor novo
não vou desistir
dos sonhos de outrora…
Regressarei serena
e autêntica
às manhãs azuis
que as nuvens
esconderam…
Encontrarei, intactas,
as pétalas desse
passado
que a névoa ocultou
e o vento desfolhou …
Encontrarei a flor
saudosa
ainda à espera deste
agora renovado.
MEU PENSAMENTO VAGUEIA!
Vagueia meu pensamento
Que é levado pelo vento
Para lonjuras tamanhas!
Tão longe que nunca
visto
Vou para lá das
montanhas
E no céu com asas
brancas
Alguém no céu eu
avisto!
Mas continuo a andar
E ouço alguém a chorar
Com uma dor tão
profunda
Que julgo estar a
sonhar
Andando por sobre o mar
Mas a ninguém eu
vislumbro…
Já cansada volto para
trás
Aonde o meu sonho… jaz
Cansado de tanto andar!
Já é um sonho… antigo,
Que andou sempre comigo
Realizá-lo… já não sou
capaz!...
Vivemos numa constante competição. O
mundo está dividido entre vencedores e perdedores. O statu quo é
amplamente justificado pela máxima «quem muito se esforça tudo pode». O
resultado? Um mundo que reforça a desigualdade social e, ao mesmo tempo,
culpabiliza as pessoas.
Ao analisar conceitos em torno da
ética do estudo, do trabalho, do sucesso e do fracasso – e que meios são
considerados legítimos para percorrer esses caminhos -, Michael J. Sandel
sugere um novo olhar sobre essas relações. Salientando as contradições do
discurso meritocrático, os seus contextos estruturais e a arrogância dos
vencedores, o autor defende que a polarização vencedor-perdedor fez estagnar a
mobilidade social, promovendo um misto de raiva e frustração que alimenta o
protesto populista e a descrença nas instituições, no governo e entre
cidadãos.
Para ultrapassarmos as crises que
afetam as nossas sociedades, precisamos de repensar as ideias de sucesso e
fracasso que têm acompanhado a globalização e a crescente desigualdade. A
meritocracia gera uma complacência prejudicial entre os vencedores e impõe uma
sentença dura aos perdedores.
Sandel, um dos filósofos mais
prestigiados do nosso tempo, defende outra forma de pensar o sucesso, mais
atenta ao papel da sorte, mais de acordo com uma ética de humildade e
solidariedade e mais reivindicativa da dignidade do trabalho. Com base nestes fundamentos
morais, A Tirania do Mérito apresenta uma visão esperançosa de
uma nova política centrada, finalmente, no bem comum.
“Still Waiting at the Door”
