Barcaça
Barcaça segue na bolina
dos dias confusos, entre os ventos da política e os incêndios que assolam a
Europa. Navega por águas incertas, onde o rumo se perde entre discursos, cinzas
e inquietações. Ainda assim, avança — não por conhecer o destino, mas por saber
que permanecer à deriva nunca foi uma escolha.
Iniciamos
com “Parte V Convento de Nossa Senhora dos Anjos”, do nosso colaborador Mário Silva.
Já
Fernando Curado evoca tempos idos de banhistas ilustres que passavam pela praia
de Buarcos (Júlio Isidro).
Carla
M. Henriques, O texto reflete sobre a expressão «estás como o tempo», associando
as mudanças do clima às emoções e ao estado físico de uma pessoa. A autora
descreve um dia marcado pelo pouco descanso, pelas dores e pelo cansaço,
sentindo-se tão instável e “cinzenta” quanto o céu. Apesar disso, reconhece que
há dias mais leves e luminosos, em que tudo parece correr melhor e a esperança
regressa.
Mesmo
num momento de tristeza e exaustão, decide sorrir e partilhar uma fotografia,
não para esconder o que sente, mas como uma forma de procurar energia positiva
e impedir que as dificuldades dominem todo o dia. No final, questiona se somos
nós que nos parecemos com o tempo ou se é o tempo que reflete aquilo que
sentimos, concluindo que, apesar de tudo, vale a pena tentar encontrar um pouco
de luz.
Maria
Forte leva-nos aos Bancos da Praça onde tudo acontecia e ninguém dava um passo
em frente.
António
Girão, com o seu ar atento, verificou uma situação que o deixou intrigado e a
todos nós.
Maria
Rama Matias é um menino de 10 anos, curioso, irreverente e muito imaginativo.
Um dia, enquanto os pais estão ausentes, decide explorar o sótão, um lugar
proibido e cheio de objetos antigos. Lá, encontra um velho relógio coberto de
pó e, ao limpá-lo, vê um raio de luz dourada refletir-se num espelho antigo.
Na
secção da Poesia, Garça Real, O poema descreve o desejo intenso de partir e
alcançar novos horizontes. A chuva e o céu cinzento simbolizam a sensação de
estar preso e a vontade de liberdade reprimida. Depois, o aparecimento do céu
azul e do sol representa a esperança e a aproximação da viagem. No final, o
futuro é visto com otimismo, como um caminho cheio de promessas, liberdade e
possibilidades infinitas.
Isabel
Capinha: O texto fala sobre a valorização de pessoas sensíveis, bondosas e
verdadeiras, que sabem amar, demonstrar carinho, cultivar amizades e apreciar
as pequenas coisas da vida. Também destaca a importância de ter um coração
livre de ódio e preconceito, reconhecer os próprios erros, aprender com eles e
recomeçar. A mensagem celebra pessoas que carregam amor, empatia, perdão e
emoções sinceras dentro de si.
Isabel
Tavares: O poema “Ame-se” transmite uma mensagem de amor-próprio,
esperança e valorização pessoal. Mesmo diante das dificuldades, da
tristeza, da solidão ou das desilusões da vida, a pessoa deve continuar a
amar-se e a reconhecer o seu próprio valor. O texto reforça que cada ser humano
é único, especial e criado por Deus para ser feliz, não devendo duvidar
da sua importância. Assim, a principal mensagem é que, independentemente das
circunstâncias, devemos cuidar de nós, aceitar-nos e manter o amor-próprio.
Na
seção de literatura, clássicos da literatura universal.
Na
discografia, alguém que nos deixou recentemente: Luís Represas.
Agradecimento
A
Barcaça segue o seu rumo pelas terras de Montemor-o-Velho e da Figueira da Foz,
levando consigo o empenho, a dedicação e o espírito de colaboração de todos os
que fazem parte desta caminhada.
Agradecemos
sinceramente a todos os colaboradores pelo excelente trabalho desenvolvido,
pelo compromisso demonstrado e pelo contributo essencial para o sucesso deste
percurso.
Que
continuemos a navegar juntos, com entusiasmo e confiança, rumo a novos desafios
e conquistas.
Muito
obrigado a todos!
Convento
de Nossa Senhora dos Anjos.
PARTE
V
No
século XVIII, operaram-se novas reformas. Na parede do altar-mor foi pintado um
grande retábulo fingido, do qual hoje apenas restam fragmentos, e, já para os
finais do século, foram introduzidos nas outras paredes da capela-mor
renascentista azulejos historiados com cenas da Vida da Virgem, cujo rasto se
perdeu. Deslocou-se o túmulo de Diogo de Azambuja do seu local primitivo para
um canto, substituiu-se a porta de acesso à sacristia por uma de cantaria
emoldurada de azulejos e edificaram-se anexos adossados à igreja. Também o
primitivo altar quinhentista da capela-mor foi substituído por outro, de talha
em madeira, no seguimento do estilo utilizado em Santa Cruz desde cerca de
1750. No andar superior do claustro foi incluída uma capela abobadada com comunicação
para o coro.
Após a extinção das ordens religiosas, em maio de 1834, e a subsequente venda em hasta pública das estruturas conventuais (exceto a igreja) a José Ferreira Pinto Bastos, fecharam-se as portas de ligação do claustro à sacristia, torre sineira, capela e coro alto, entaiparam-se portas, romperam-se as paredes e caixas murárias, e repartiram-se as instalações visando à sua adaptação a habitações, tabernas, palheiros, armazéns e estábulos. Foi o fim de uma estrutura que, durante séculos, foi composta por igreja e claustro, livraria e celas, hospedaria e refeitório, celeiros e cozinhas, adega e lagar de vinho, pátio com poço de água, armazéns de azeite e lojas de acomodação.
À
semelhança do que aconteceu com muitos outros conventos e mosteiros, a igreja,
as alfaias e os paramentos do culto divino terão sido entregues à diocese de
Coimbra. Os restantes bens móveis, por certo, foram arrolados, alienados
(“roubados” ou vendidos ao desbarato), dispersos ou abandonados. As
propriedades, rendas, foros e juros terão seguido os mesmos caminhos. O “saque”
e a venda foram uma constante.
Apesar
de, em junho de 1910, a igreja, incluindo o túmulo de Diogo de Azambuja, ter sido
classificada como Monumento Nacional, só em 1933 é que a Direção Geral dos
Edifícios e Monumentos Nacionais dá início ao seu louvável empreendimento de
recuperação daquele que, à época, era considerado, nas palavras de Augusto dos
Santos Conceição, como “um reservatório de águas lodosas, que minavam, sem
descanso, os velhos alicerces (refere-se, obviamente, às cheias dos campos do
Mondego, que, inverno após inverno, inundavam e debilitavam o templo), enquanto a
chuva fendia as abóbadas e esboroava as cimalhas, paredes e contrafortes.”
Em
1935, o Estado adquire o claustro, classificando-o como monumento nacional por
decreto de 26 de março de 1936. Entre 1936 e 1939, assiste-se à reconstrução da
armação do telhado, das janelas e respetivas molduras, dos pavimentos e
rebocos. Em 1967, reparam-se rebocos e caixilhos; em 1994 e 1997, beneficiam-se
as coberturas da igreja, sacristia e claustro, bem como o interior de todas as
áreas, incluindo a igreja; em 1998, levam-se a cabo as obras de reconstrução das
coberturas que dão para o claustro; e, a partir de 2020, recebe uma intervenção
profunda, assim como o seu entorno, para acolher o tão ambicionado museu.
Inaugurado
no dia 12 de maio de 2025 [a chamada “fase experimental” durou até 16 de
junho], o Museu Municipal - Peregrinações foca-se na história local e na vida
do célebre escritor manlianense Fernão Mendes Pinto.
O Convento dos Anjos ganhou assim uma nova vida, acolhendo um equipamento cultural de excelência que pretende ser um lugar de encontro e partilha, de reflexão e diálogo sobre Montemor-o-Velho, o seu passado, presente e futuro.
Júlio José de Pinho Isidro do Carmo, locutor de rádio e apresentador de televisão, nasceu em Lisboa em 5 de janeiro de 1945, filho de José Sesinando Mantero da Silva Isidro do Carmo e de Brígida da Silva de Pinho.
Nasceu
em Lisboa, mas foi em Buarcos que deu os primeiros passos e no seu mar aprendeu
a nadar.
Aqui passaram as suas férias de verão, desde que nasceu até cerca de duas décadas depois.
Após a falência financeira da sua família, na sua infância, Júlio Isidro recebeu roupas usadas de um primo que vivia na Figueira da Foz, roupas que depois eram adaptadas pela sua mãe para que ele as pudesse usar.
Aqui se apaixonou, em todos os verões, um verdadeiro “pinga-amor tão interiorizado que só ele sentia os batimentos do coração, que nem elas suspeitavam”.
Júlio
Isidro partilhou publicamente que, durante um verão em Buarcos, se apaixonou
por uma francesa chamada Annick Storez, paixão que tanto o marcaria, levando-o
a viajar sozinho de comboio, em terceira classe, rumo a França, apenas para
tentar ver a jovem de quem guardava memórias da praia de Buarcos.
Júlio
Isidro teve uma vida profissional de sucesso, principalmente no Rádio Clube
Português, na Rádio Comercial, na RTP e na TVI.
Com pouco mais de 15 anos, no dia 16 de janeiro de 1960, estreou-se na RTP, coapresentando até 1966 o Programa Juvenil e o Programa Infantil.
E
com apenas 16 anos, apresentou vários espetáculos no então Casino Peninsular da
Figueira da Foz.
Trabalhou
no Rádio Clube Português de 1968 a 1975, à noite, apresentando noticiários,
enquanto durante o dia exercia a sua atividade profissional como delegado de
informação médica.
Na Rádio Comercial, foi autor e apresentador de programas de sucesso como "CDC - Clube das Donas de Casa", "Grafonola Ideal" e "Febre de Sábado de Manhã".
Teve
inúmeros sucessos na RTP, com O Fungagá da Bicharada (1974 a 1976), Arte &
Manhas (1977-1978), Jardim Jaleco (1978), O Passeio dos Alegres (1980 a 1982),
Festa é Festa (1982 a 1983), A Festa Continua (1983 a 1984), Arroz Doce (1985),
o Clube dos Amigos Disney (1986 a 1989), "Oito e Oitenta" (1990),
"Regresso ao Passado" (1990 a 1991) e E.T. - Entretenimento Total
(1991 a 1992), Antenas no Ar (1997), Jardim das Estrelas (1997-2000), Amigo
Público (1998-1999), A Outra Face da Lua (2000), Agora é que são Elas (2000),
Entrada Livre (2001), Estúdio 5 (2002), O Passeio dos Alegres - 20 Anos (2002),
Tributo a... (2003), Portugal no Coração (2006-2007), Quarto Crescente
(2008-2009), Inesquecível (2010-), Verão Total (2014), Traz P'ra Frente
(2015-presente), Presidente do Júri do Festival RTP da Canção (2017, 2018 e
2019), Retratos de Abril (2019) e muitos outros.
Ao longo da sua extensa carreira na televisão pública, Júlio Isidro dedicou múltiplos programas e emissões especiais a esta região, sendo um dos exemplos mais marcantes a gravação do seu programa recreativo “Jardim das Estrelas” na Figueira da Foz em 1997.
O
programa incluiu entrevistas a personalidades da região, atuações musicais e a
promoção do patrimônio e das gentes de Buarcos para os emigrantes portugueses por meio da RTP Internacional.
Também
trabalhou na TVI, onde apresentou: Sons do Sol (1993-1994), Marchas Populares
de Lisboa (1994), Clips & Spots (1994), Domingo Gordo (1994), Mil e Uma
Tardes (1994), Luzes da Ribalta (1994-1995), Dar que Falar (1995-1996) e Olhó
Popular (1996-1997).
Publicou
vários livros infantis, como Histórias do Tio Julião (D. Quixote, 1989),
Juliana das Farturas (D. Quixote, 1990), É Tudo Primos e Primas (Edições Asa,
2004), Ideias Giras (Edições Asa, 2005), O Planeta de Cristal (Edições Asa,
2006), 100 Histórias para Contar e Sonhar (Edições Asa, 2006), A Nossa
Televisão (Desde os Avós até Nós!) (Asa, 2007), O Palácio da Animação (Asa,
2008), A Nova Arca de Noé (Asa, 2009), 50 Anos! 50 velas! (Asa, 2010).
Para além dos livros infantis, escreveu "Conto Final Parágrafo", uma espécie de biografia do seu tempo.
Recebeu
as seguintes condecorações: Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, concedida
em 2006 pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, Grã-Cruz da Ordem do
Mérito, atribuída em 2020 pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, a Medalha de
Mérito Cultural do Governo de Portugal, no ano de 2020, a Medalha Municipal de
Mérito Cultural pela Câmara Municipal de Lisboa, em 2024, e o Globo de Ouro de
Mérito e Excelência atribuído pela SIC (em conjunto com a revista Caras), no
ano de 2025, homenageando os seus 65 anos de carreira dedicados à comunicação e
à televisão portuguesa.
Ao
receber a Medalha de Mérito Cultural do Governo de Portugal, o texto oficial
sublinhou que a distinção celebrava não só a sua carreira, mas especificamente
a sua dedicação contínua como "amante incondicional" da Figueira da
Foz e de Buarcos em particular.
Sempre
ouvi a expressão «estás como o tempo» e, durante muito tempo, não percebia
verdadeiramente o que queria dizer.
Hoje
percebi.
Acordei
às seis da manhã, depois de ter adormecido apenas às duas. Quatro horas de
descanso. Cada dia que passa, durmo menos. A cabeça parece prestes a rebentar,
as dores na coluna voltaram com força e as pernas insistem em lembrar-me de que ainda não estão bem. O dia está estranho. O sol ora aparece. Ora desaparece.
Está indeciso.
E
eu estou como o tempo.
Talvez
esta expressão nunca tenha feito tanto sentido como hoje. Ou talvez já o
tivesse feito noutras alturas e eu nunca tivesse parado verdadeiramente para
perceber. Porque também há dias em que estamos como o tempo: quando o céu acorda
limpo, o sol entra pela janela e sorrimos sem uma razão concreta. Há dias em
que tudo parece mais leve, em que a vida nos corre melhor por dentro e o mundo,
por instantes, parece devolver-nos alguma esperança.
Mas
hoje não.
Hoje
o céu pesa tanto quanto o corpo. Hoje as nuvens parecem ter encontrado morada
dentro de mim. Mesmo que, por vezes, o sol até leve a melhor e nos contemple com
os seus raios. Hoje nem a comidinha da mãe reconfortou a minha alma.
Ainda
assim, posso sempre partilhar uma fotografia a sorrir. Não para fingir que está
tudo bem, mas para tentar chamar a energia boa para junto de mim. Como quem
abre uma pequena janela no meio de um dia “cinzento” por dentro e espera que,
de alguma forma, entre um pouco de luz.
Porque
uma fotografia a sorrir não invalida o cansaço, as dores que teimaram em voltar
ou um pouco de tristeza que por vezes sinto. Às vezes, é apenas uma tentativa
de não deixar que tudo isso ocupe o dia inteiro. Nós ocupamos a mente. E permaneça
na alma.
Dias.
Há dias assim.
Há
dias em que não somos nós que descrevemos o tempo. É o tempo que nos descreve a
nós.
E,
afinal, o tempo está como nós ou somos nós que estamos como o tempo? Talvez
dependa do dia. Hoje, confesso, não sei. Mas vou forçar-me a sorrir. Nem que
seja só para ver se o sol ou este tempo estranho percebem a indireta e se
resolvem.
Os
bancos da praça.
Há uma coisa curiosa em Montemor. Os bancos da
praça têm a melhor vista da vila. Não porque estejam virados para o castelo.
Nem para o Mondego. Nem sequer porque estejam no centro de tudo. Mas porque, há
décadas, permanecem exatamente em frente ao edifício onde tantas decisões se
tomam. E isso faz deles as únicas testemunhas que nunca precisaram de votar...
para ver tudo.
Dali
passaram presidentes. Vereadores. Campanhas. Promessas. Discursos. Fotografias.
Inaugurações.
Mudaram
as cores dos cartazes.
Mudaram
os rostos.
Mudaram
os carros estacionados.
Mudaram
as montras.
Mudaram
as gerações.
Mas
há uma coisa que raramente muda. Os mesmos bancos. E, muitas vezes... As mesmas
conversas. Há qualquer coisa de profundamente portuguesa, e talvez
profundamente montemorense, nesta capacidade de transformar um banco de jardim
numa tribuna.
Ali
discute-se política. Futebol. A vida dos vizinhos.
Quem
casou.
Quem
se separou.
Quem
voltou.
Quem
foi embora.
Quem
ganhou.
Quem
perdeu.
Quem
devia fazer.
Quem
nunca fez.
Todos
têm opinião. Poucos têm disponibilidade. O curioso é que, quase sempre, a culpa
mora dentro do edifício da frente. Mas quase ninguém se pergunta há quanto
tempo ocupa exatamente o mesmo banco. É mais confortável comentar quem
decide... do que decidir alguma coisa sobre a própria vida.
Talvez
por isso aqueles bancos saibam mais sobre nós do que qualquer arquivo
municipal.
Conhecem
as nossas rotinas. Os nossos medos. As nossas desculpas. As nossas indignações
de estimação. E, sobretudo, conhecem uma estranha habilidade que temos para
esperar que a mudança venha sempre do outro lado da praça.
Às
vezes imagino que um daqueles bancos resolve finalmente falar.
Não
acredito que denunciasse políticos.
Nem
empresários.
Nem
famílias conhecidas.
Acho
que faria uma revelação muito mais incómoda. Diria apenas: "Passei uma
vida inteira a ver pessoas à espera que alguém mudasse a vila. Quase nunca vi
alguém levantar-se para começar por si." E talvez seja precisamente por
isso que aqueles bancos continuam ali. Não para descansar quem passa. Mas para
lembrar que também é possível passar uma vida inteira sentado... convencido de
que o mundo é que nunca saiu do lugar.
Da
próxima vez que passares pelos bancos da praça, não olhes para quem lá está. Os
bancos da praça continuarão lá... quando nós já cá não estivermos. A única
pergunta que realmente importa é esta: Quando esse dia chegar, foste apenas
espectador do teu tempo... ou tiveste a coragem de lhe deixar uma marca?
Onde
anda a CPCJ de Cantanhede?!
No
passado sábado fomos (eu estava acompanhado) à festa à minha terra (Pereira,
Montemor-o-Velho). Cerca da meia-noite, vínhamos para o automóvel e passamos
junto a duas jovens. Uma delas dirigiu-se a nós e disse para a outra: — Este senhor foi, meu professor! É o stôr Girão!"
De
facto, foi minha aluna em aulas de apoio pedagógico.
Perante
a estranheza de encontrar ali uma jovem de 14 anos, perguntei como tinha ido
para lá. Respondeu que foi com a colega que a acompanhava. Esta vinha de uma
cidade a cerca de 50 quilômetros dali, primeiro de metro até Coimbra e, depois,
de comboio. A jovem de 14 anos, de uma aldeia a 10 quilómetros de Cantanhede,
foi de autocarro até Coimbra e, tal como a outra, de comboio até Pereira.
Tentamos
saber em casa de quem iam pernoitar e disseram que seria com uma amiga. Como
sou dali, quis saber quem era a família, o que acabei por não conseguir
identificar, porque nem a amiga estava por ali, nem encontraram no Facebook
?!?!?!?! a página da tal família.
Por
lá ficaram, no meio de milhares de pessoas, aquelas duas jovens com a tenra
idade de 14 anos.
Depois,
as coisas acontecem e quem as denuncia passa as "passas do Algarve"
por fazê-lo e pelo assédio que sofre por agir de acordo com a sua consciência e
com a lei.
Por
lutar contra estas situações, fui cilindrado, assediado, torturado mentalmente,
sofrendo agora os efeitos irreversíveis, sempre pronto a contar às autoridades
tudo, mas mesmo tudo. Tentaram destruir-me profissional, social e
individualmente. Mas, mesmo aposentado, não deixo de ser professor que alcançou
nas Provas de Aferição resultados de média de 36% acima da Média Nacional. O
sofrimento obriga-me a escrever este parágrafo!
Deparei-me
com este caso, como me deparei com outro, em sentido inverso: um jovem, da
mesma idade, da mesma aldeia, foi retirado à família por problemas gravíssimos
de saúde dele. Lutei ao lado da família até o tribunal!
TRISTE,
GRAVE, PERIGOSO e LAMENTÁVEL.
O Espelho do tempo
Matias é um
menino irreverente e traquinas. Aos 10 anos, é uma criança sedenta de sabedoria,
sempre pronta a questionar o mundo que o rodeia. Quando os pais se ausentam,
Matias sobe ao lugar proibido – o sótão. É ali, entre caixas empoeiradas e objetos
esquecidos, que dá asas à sua imaginação e vive aventuras inimagináveis.
Numa dessas
visitas ao sótão, descobre um velho relógio coberto de pó.
Cuidadosamente,
limpa-o... De repente, algo extraordinário acontece: um raio de luz dourada é
projetado num espelho antigo, esquecido entre as muitas relíquias acumuladas no
sótão. No reflexo, Matias vê uma pequena aldeia de barro e palha, onde uma
criança nua corre livremente entre as cabanas. Ao longe, uma fogueira crepita e
um ancião conta histórias a um grupo de pequenos ouvintes atentos. Matias percebe,
maravilhado, que está na Pré-História — e que, de alguma forma, o relógio o transportou
no tempo.
A cada toque no
relógio, Matias é lançado para uma nova época. Vê crianças egípcias a aprenderem
a escrever em tábuas de argila, meninos gregos a treinar com mestres filósofos,
pequenos romanos a brincarem com bonecos de madeira. Em cada viagem, descobre
como a infância foi moldada pelos tempos — ora livre, ora reprimida, ora tratada
como um bem precioso, ora como uma mera extensão dos adultos.
Na última
badalada, ouve gritos, gemidos e suspiros de crianças que morrem de fome e de
guerra. Crianças que não pediram para nascer num mundo cruel, governado por homens
sem piedade. O coração de Matias aperta-se. Ele chora, desiludido com a humanidade.
As suas lágrimas caem sobre o velho relógio e o espelho — e então algo mágico
acontece.
Em todos os
cantos do mundo, crianças de todas as raças e crenças marcham juntas numa
revolução de Paz. Os mísseis transformam-se em pombas brancas, que enchem os
céus com esperança. O mundo renasce das cinzas da guerra, do ódio e da
violência.
Um admirável
Mundo Novo desponta, dando origem a uma Nova Ordem Mundial, fundada sob o signo
da Paz.
— Matias, onde
estás? — ouve-se a voz da mãe ao longe.
Matias acorda.
Olha em volta e percebe que adormecera no sótão. Afinal, tudo fora um sonho...
Mas não se entristece. Corre para a rua e conta o seu sonho a outras crianças.
Porque, afinal, não basta sonhar — é preciso também acreditar.
Do céu cinzento
caem cordas de água
que amarram ao cais
vontades de distância…
Nos céus, súbito um
clarão,
revolta surda,
grito mudo há tanto
sufocado…
desejo de partir para
longe…
Agora é o sol poente
num céu imensamente
azul,
apelo de uma partida
adiada.
Amanhã, será o sol,
a luz intensa,
a viagem com hora
marcada
rumo à lonjura.
Amanhã, o sol
e o azul das promessas…
Tempo de infinito sem
limites.
GOSTO DE GENTE ASSIM…
Gosto de gente
com a cabeça no lugar,
que ri,
que chora,
que se emociona com
uma simples carta,
um telefonema,
uma canção suave,
um bom filme,
um bom livro,
um gesto de carinho,
um abraço,
um afago.
Gosto de gente
que ama e sente
saudades,
que gosta de amigos,
que cultiva flores,
que ama animais.
que admira paisagens,
que escuta o som do
vento e da chuva.
Gosto de gente
que tem tempo para
sorrir bondade,
que tem tempo para
semear perdão e repartir ternuras,
que tem tempo para
partilhar vivências
que tem tempo e espaço
para as emoções dentro de si!
Gosto de gente
que gosta de fazer as
coisas que gosta,
que procura a verdade e
está sempre pronta a aprender
que colhe, orienta, se
entende, aconselha.
Gosto de gente
de coração desarmado,
sem ódio e
preconceitos.
Gosto de gente
que erra e reconhece,
que cai e se levanta,
que tira lições dos
erros.
Goste de gente
com AMOR dentro de si…
Gosto muito de gente
assim.....
AME-SE
Ainda que a vida… traia
Ainda que o sol se
esconda
Ainda que as lágrimas
caiam
Que o rio seque
Que as folhas
amareleçam
Ame-se!
Ainda que a chuva…
fustigue
Ainda que do céu caiam
raios
Ainda que o mar esteja
revolto
Ainda que à sua volta
não haja flores
Ainda que as cores
tenham empalidecido
Ame-se!
Você é uma pessoa única
Inigualável,
Ninguém é igual a você!
Você é exatamente
Como DEUS planeou
Quando a si criou
Para ser feliz!...
Não duvide… portanto…
Ame-se!
Ainda que os seus
abraços ternos
Fiquem parados no ar…
Que os seus beijos
quentes
Não tenha a quem os
dar…
Ainda que todo o amor
Que alberga no peito
Se perca no seu olhar…
Ame-se!


