Boa
noite, Barcaça larga das terras de Montemor, onde os foguetes e a música, com a bela
gastronomia, acompanham o mergulho na Feira que muitos munícipes esperam que lhes
tragam noites felizes.
Nos
Pontos Sem Fim, Montemor-o-Velho demonstra grande capacidade para organizar
festas e grandes eventos, mobilizando população, associações, visitantes e
comércio local. No entanto, essa dinâmica contrasta com a percepção de falta de
infraestruturas permanentes adequadas no concelho.
O
caso da Feira do Ano é particularmente ilustrativo: a Pista de Atletismo fica
indisponível durante cerca de um mês para a montagem, realização e desmontagem
do evento. Isto levanta uma questão sobre a necessidade de equipamentos que
permitam acolher grandes iniciativas sem prejudicar o uso regular pela
população.
A
reflexão não pretende criticar as festas, que são importantes para a identidade
local e para a economia, mas distinguir animação temporária de
desenvolvimento estrutural. O concelho necessita de melhores equipamentos
desportivos e culturais, espaços públicos, acessibilidades, estacionamento,
condições para crianças, jovens e associações, e de uma estratégia de
investimento equilibrada pelas freguesias.
Montemor-o-Velho
tem capacidade para fazer festa; o desafio é demonstrar a mesma ambição na
construção de infraestruturas e condições para o futuro.
Mário
Silva fala-nos. No início do século XV, Montemor-o-Velho começou a recuperar da
crise demográfica e económica provocada pela Peste Negra, fomes e guerras. Um
momento decisivo ocorreu em 1416, quando D. João I e D. Duarte doou a
vila e o castelo ao infante D. Pedro, duque de Coimbra.
A
localização estratégica de Montemor-o-Velho, junto aos férteis campos do
Mondego e a importantes vias terrestres e fluviais, tornou a vila um centro
relevante do Baixo Mondego. O infante D. Pedro valorizou-a, construindo
infraestruturas, mantendo aí a sua corte e reforçando a sua importância
regional.
Em
1426, por iniciativa do infante D. Pedro, foi criada uma feira franca
anual, realizada de 1 a 15 de setembro. A feira beneficiava-se de amplos
privilégios, incluindo redução de impostos, isenção de portagens, proteção dos
comerciantes e visitantes e limitações à intervenção das autoridades durante o
evento.
A
criação da feira em 1426 foi uma estratégia para reforçar Montemor-o-Velho como
centro comercial e económico do Baixo Mondego, aproveitando a sua localização
privilegiada e os investimentos promovidos pelo infante D. Pedro.
Fernando
Curado: A Colónia Balnear da Gala nasceu em 1947, por
iniciativa da Comissão Municipal de Assistência e da Junta de Província da
Beira Litoral, com o objetivo de proporcionar às crianças mais carenciadas os
benefícios do mar, do sol e de melhores condições de higiene e saúde. A
construção começou em 1949, na Mata do Cabedelo, e a colónia foi inaugurada em 24
de setembro de 1950, tendo como principal impulsionador o professor Bissaya
Barreto.
Durante
décadas, a instituição recebeu milhares de crianças, muitas das quais tiveram
ali o primeiro contacto com o mar. Funcionava entre junho e outubro, em turnos,
oferecendo alojamento, alimentação, banhos de mar e atividades de lazer.
Carla
M. Henriques, A Feira do Ano, em Montemor-o-Velho, desperta memórias de
infância, de encontros, alegria e de um tempo em que tudo parecia maior e mais
intenso. Hoje, apesar de a Feira continuar cheia de gente, música e vida,
existe a sensação de que algo mudou — talvez a própria Feira, mas sobretudo
quem a olha.
Com
o passar dos anos, algumas pessoas partiram, outras se afastaram e muitas
memórias ficaram para trás. Percebemos, então, que também podemos ter saudades
de lugares, de pessoas e das versões de nós próprios que ali viveram.
Ainda
assim, voltar a Montemor-o-Velho continua a despertar um profundo sentimento de
pertença. Porque há lugares que, mesmo distantes no tempo e na vida, permanecem
para sempre ligados a nós.
A
Feira pode já não ser a mesma, mas as memórias continuam a lembrar-nos de onde
viemos.
Isabel
Rama: O texto conta a história de um rapaz que se senta debaixo de uma figueira
para ouvir histórias e versos trazidos pelo vento. Ele regista essas vozes num
caderno, sem assinar, até perceber que a sua própria identidade se mistura com
as histórias dos outros. Assim, compreende que as palavras não pertencem
verdadeiramente a ninguém e que cada pessoa é apenas um meio por meio do qual as
vozes e experiências dos outros continuam a existir. Garça Real no seu poema - O
poema fala sobre um amor intenso que se perdeu e sobre a esperança de
encontrar novamente a felicidade. A pessoa começa por viver um sentimento
maravilhoso, cheio de sonhos e promessas, mas essa “luz” acaba. Depois,
reconstrói a sua vida e volta a sonhar, procurando um novo olhar que reacenda a
esperança. As “asas” simbolizam a vontade de recomeçar, seguir novos caminhos e
acreditar num futuro melhor, aguardando apenas um sinal da pessoa amada. Isabel
Capinha: O poema “Sou Mãe – Sou Avó” expressa o amor profundo, intenso e
protetor de uma mãe e avó pelos seus filhos e netos. A autora considera-os
partes de si mesma, guardando cada sorriso e lágrima no coração. O poema
destaca também o seu desejo de os proteger sempre, usando toda a sua força,
coragem e amor, porque cada um deles representa uma parte essencial da sua
própria vida. Isabel Tavares: O poema reflete sobre a essência humana e os
caminhos que cada pessoa percorre ao longo da vida. Destaca que poucas pessoas
se sentem verdadeiramente realizadas ou conseguem amar-se a si próprias. A vida
é apresentada como complexa, marcada por escolhas e, por vezes, pelo
sofrimento. Apesar das dificuldades, é importante compreendê-la, aceitá-la e
valorizá-la, encontrando beleza na natureza, na fé e no amor.
Na
literatura - Tema: crítica política ao processo desencadeado pelo 25 de Abril
de 1974, incluindo a democracia instaurada e, no segundo volume, a
descolonização. Na escolha musical, "Dio, come ti amo" (italiano para
'Deus, Como Eu Te Amo') é uma música gravada pelos cantores italianos Domenico
Modugno e Gigliola Cinquetti, composta e escrita pelo próprio Modugno. A música
venceu o Festival de Música de Sanremo em 1966 e representou a Itália –
interpretada por Modugno – no Festival Eurovisão da Canção de 1966, realizado
em Luxemburgo.
Boas leituras.
Se a ideia é fazer uma reflexão crítica sobre as festas de verão em Montemor-o-Velho e, ao mesmo tempo, questionar a falta de infraestruturas no concelho, há um argumento forte: o concelho demonstra capacidade para organizar grandes eventos e mobilizar população, associações e visitantes, mas essa capacidade nem sempre parece traduzir-se numa rede de equipamentos e condições permanentes à altura dessa dinâmica.
Em
2026, o calendário de verão voltou a ser bastante preenchido: houve festas e
iniciativas em várias freguesias, como Pereira, Ereira, Verride e Resgatados,
além da grande Feira do Ano – Festas Concelhias, que decorre de 29 de agosto a
8 de setembro. A própria Feira é apresentada pelo Município como um dos
momentos mais importantes da agenda anual, reunindo milhares de visitantes e
centenas de expositores.
Mas é precisamente aqui que pode surgir a pergunta política e cívica:
Se conseguimos ter festas, concertos, tasquinhas, feiras e milhares de pessoas durante o verão, por que é que continuamos a sentir falta de infraestruturas permanentes?
Há
exemplos concretos que tornam esta discussão interessante. Durante a Feira do
Ano, a Pista de Atletismo fica interditada entre 17 de agosto e 18 de setembro
devido à montagem, realização e desmontagem das estruturas do certame. Ou seja,
um equipamento destinado à prática desportiva fica indisponível durante cerca
de um mês para acolher um evento temporário.
Isso
não significa que as festas sejam negativas — pelo contrário. As festas
populares são importantes para a identidade das freguesias, para o movimento
associativo, para o comércio local e para a própria economia do concelho. A
questão é outra: não podemos confundir animação com desenvolvimento estrutural.
Um
concelho precisa de festas, mas também precisa de:
·
melhores equipamentos desportivos;
·
espaços culturais e de convívio
adequados;
·
melhores acessibilidades e
estacionamento;
·
espaços públicos qualificados;
·
equipamentos para crianças e jovens;
·
melhores condições para as associações;
·
infraestruturas capazes de acolher
eventos sem retirar, durante semanas, equipamentos à população;
·
uma estratégia que distribua
investimento pelas freguesias e não apenas pelos grandes momentos do
calendário.
E
há uma questão ainda mais importante: as festas acontecem durante alguns dias;
as infraestruturas ficam todo o ano.
Por
isso, eu colocaria o debate nestes termos:
Montemor-o-Velho
tem capacidade para fazer festa. Falta saber se tem a mesma ambição para
construir o futuro.
Nos 600 anos da Feira Anual de
Montemor-o-Velho (1426-2026)
PARTE I
Saída,
à semelhança do resto do reino, de um longo período de recessão demográfica e
económica, com origem na Peste Negra, nas fomes e nas guerras fernandinas e
joaninas, a vila de Montemor-o-Velho conhece no dealbar da centúria de Quatrocentos um momento particularmente
decisivo para a sua afirmação regional e nacional, quando, a 10 de setembro de
1416, D. João I e o infante D. Duarte doam ao infante D. Pedro, duque de
Coimbra desde setembro de 1415, a vila e castelo de Montemor-o-Velho, com todos
os seus direitos e jurisdições, os quais tiveram por renúncia da infanta D.
Isabel, recebendo dele em troca a vila de Alvaiázere.
Beneficiando
da riqueza proporcionada pelos férteis campos do Mondego e de um porto fluvial,
muito próximo da foz do Mondego, onde convergiam diversas vias fluviais e
terrestres, Montemor-o-Velho, a par de Coimbra, demarcava uma significativa
centralidade em toda a área do Baixo Mondego, como bem o sentiu o infante D.
Pedro, não só com a construção dos seus Paços no interior do castelo, de quatro
pontes de pedra “que ha na valla junto a villa” e de dois chafarizes “com seos
tanques, em que se vem as armas da villa, hum na Praça e outro no Mosteiro dos
Anjos”, mas também com a permanência, “muitos tempos”, da sua corte nesta vila,
pois “gostava de viver nella, que na verdade a vista que tinha das suas
janellas era primeira sem segunda”.
Será
justamente a pedido do infante D. Pedro, desejoso de atrair à vila não só
muitos dos mercadores que, de há longo tempo, a cruzavam para chegar à foz do
rio, mas também os próprios moradores do termo, que, por carta passada em
Santarém, a 19 de fevereiro de 1426, D. João I e o infante D. Duarte outorgam
que em Montemor-o-Velho se realizasse uma feira franca anual, de 1 a 15 de
setembro.
Com
esta carta, rigorosamente decalcada da atribuída, em 2 de outubro de 1420, à
vila de Tomar, sede da Ordem de Cristo e, por isso mesmo, administrada, desde
25 de maio do mesmo ano, pelo infante D. Henrique, D. João I, “essembra com o
Iffante Duarte”, pretende igualar, em prerrogativas comerciais, os senhorios de
ambos os infantes. Ao conceder novos privilégios e vastas liberdades jurídicas
e sociais, que derrogavam a lei geral, D. João I estava a criar um novo tipo de
carta de feira, sempre ambicionado nos reinados seguintes.
Para
além da isenção de portagens e costumagens, os privilégios concedidos nesta
carta são extraordinariamente amplos. De facto, tudo quanto na feira de
Montemor-o-Velho se vendesse “só pagaria metade da sisa, a não ser vinho que se
vendesse atavernado e carne que se vendesse a talho, das quais cousas se teria
de pagar a sisa em cheio. A todos que viessem à feira não seriam tomados seus
animais de sela, ou de albarda, para nenhuma carga, nem eles seriam
constrangidos a qualquer serviço na ida para a feira, enquanto nela andassem,
nem quando para suas casas tornassem. Não seriam também presos, nem acusados,
nem demandados por nenhum malefício em que fossem culpados, excepto se fosse
feito na vila, no seu termo, ou na própria feira. Não seriam citados nem demandados
por quaisquer dívidas, provenientes de heranças ou não, salvo se fossem de
compras ou de vendas efectuadas na feira. Era também consentido aos feirantes
andarem armados na feira e servirem-se de qualquer montada que lhes aprouvesse.
Finalmente preceituava-se que os corregedores e meirinhos, assim da corte como
do reino, não fizessem correição na feira, e se lá quisessem ir que fossem, mas
só para comprar ou vender”.
A COLÔNIA BALNEÁRIA DA GALA, O PROF. Bissaya Barreto E A FUGA DE HENRIQUE GALVÃO.
Em
1947, a Comissão Municipal de Assistência lançou um desafio à Junta de
Província da Beira Litoral: a criação de uma Colónia Balnear Infantil na
Figueira da Foz, com capacidade para 500 crianças.
A Colónia Balnear foi aprovada pela Junta de Província e a sua construção foi iniciada em 1949, na Mata Florestal (Mata do Cabedelo), na Gala, em terreno cedido pelos Serviços Florestais.
Fernando
Baeta Bissaya Barreto Rosa foi o grande impulsionador desta obra, quando
idealizou construir uma Colónia Infantil destinada “sobretudo às crianças das
massas trabalhadoras que, vivendo no campo ou na serra, necessitam da benfazeja
acção climática da beira-mar.”
Foi inaugurada oficialmente em 24 de setembro de 1950, por Trigo de Negreiros, Ministro do Interior, pelo Prof. Bissaya Barreto, Presidente da Junta de Província da Beira Litoral, e por Álvaro Malafaia, Presidente da C.M. da Figueira da Foz.
Após a sua inauguração, a Colónia Balnear da Gala passou a receber anualmente cerca de 3000 crianças, divididas em turnos de 500, que integravam o estabelecimento durante 2 a 3 semanas ao longo dos meses de junho, julho, agosto, setembro e outubro, números que, em 1963, já tinham duplicado.
Bissaya Barreto estava certo de que as crianças podiam “trilhar o caminho da Saúde”, conhecendo outro ambiente “que não o ar impuro, a promiscuidade, a falta de asseio e de limpeza e de higiene em que viviam” e usufruindo das qualidades terapêuticas do Sol, “o maior dos médicos.”
O
professor Bissaya Barreto tinha muita ligação à Figueira da Foz, onde operava
no Hospital da Misericórdia e onde o Liceu Municipal tinha adotado o seu nome
quando foi criado em 1932, designação que manteve até 1961 quando passou a
Liceu Nacional.
Foi também o grande mentor do Hospital Hélio-Marítimo da Gala, idealizado por si no início da década de 30 e inaugurado em 1971.
Bissaya Barreto nasceu em Castanheira de Pera em 29-10-1886 e faleceu em 16-9-1974 em Lisboa.
Aluno brilhante, formou-se em Filosofia e Medicina na Universidade de Coimbra.
Republicano convicto, participou no grupo de Livre Pensamento (1904), na criação do Centro Republicano Académico, assinou o Manifesto Académico ao País dos estudantes revolucionários de Coimbra, lançou o jornal “Pátria” e aderiu à greve académica de 1907, integrando o grupo dos “intransigentes” quando era dirigente da Associação Académica e do Centro Republicano.
Recusou receber das mãos do rei o prémio que lhe foi atribuído por ser um dos melhores alunos da Universidade, e, em 1909, quando o combate entre republicanos e monárquicos se intensificou com as sociedades secretas, aderiu à Maçonaria, através da loja de iniciação de estudantes “A Revolta”, da qual fez parte até 1913.
Em 1911 foi eleito deputado pelo círculo da Figueira da Foz para a Assembleia Constituinte, pelo Partido Republicano Português e, no ano seguinte, integrou o grupo parlamentar do Partido Republicano Evolucionista, então criado.
Foi
deputado na Assembleia Nacional de 1912 a 1915, pelo Partido Evolucionista,
dirigente do Partido Republicano Evolucionista e depois da União Liberal
Republicana.
Em
1915 doutorou-se e iniciou a sua carreira como professor universitário na
Faculdade de Medicina de Coimbra, a qual culminaria em 1956, ano em que se
jubilou.
Em
1918 foi eleito procurador à Junta Geral do Distrito de Coimbra, pelo concelho
de Penacova e, no ano seguinte, eleito vice-presidente da Mesa desta Junta,
pelo Partido Evolucionista.
Em
1922 venceu as eleições à Câmara Municipal de Coimbra, liderando uma lista de
liberais e católicos, exercendo o cargo de presidente até 1926.
Foi
governador civil de Castelo Branco, ministro da Marinha, diretor geral da
Assistência (1911), vogal do Conselho de Administração do Instituto de Seguros
Sociais Obrigatórios e de Previdência Geral (1919-1929) e senador na
legislatura de 1925.
De
revolucionário republicano, passou para o partido republicano evolucionista e,
acompanhando as tendências mais à direita do republicanismo, aderiu à União
Liberal Republicana (1926), movimento que fez a transição dos partidos
republicanos conservadores para a ditadura militar e para o Estado Novo.
Após
o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 aderiu à União Nacional criada em 1930,
integrando a sua Comissão Central presidida por Oliveira Salazar.
Assim,
depois de toda a atividade republicana, ocupou, ininterruptamente, cargos
políticos ao longo de 48 anos, da Ditadura Militar até à queda do Estado Novo
em 25 de abril de 1974.
Presidiu
à Junta Geral do Distrito de Coimbra, à Junta da Província da Beira Litoral e à
Junta Distrital de Coimbra.
Foi
Presidente do Conselho Geral do Grémio da Lavoura de Coimbra (1949), Procurador
à Câmara Corporativa, na VIII legislatura (1961-1965) e na IX legislatura
(1965-1969), em representação das instituições privadas de assistência.
Como
médico e professor, Bissaya Barreto impulsionou sanatórios, leprosarias, casas
da criança, refúgios para idosos, institutos maternais, bairros económicos,
campos de férias, colónias balneares, estando à frente da campanha de luta
contra a tuberculose, a lepra e as doenças mentais.
À
sua iniciativa se devem os Sanatórios de Celas e dos Covões, atualmente
Hospital Pediátrico de Coimbra e Hospital Geral, respetivamente, a Maternidade
Bissaya Barreto, o Hospital Sobral Cid, o Hospital Psiquiátrico do Lorvão, o
Hospital Rovisco Pais e o Hospital da Figueira da Foz.
Criou
a Escola Normal Social e o Portugal dos Pequenitos, em Coimbra.
A
1 de Setembro de 1950 foi feito 59.º Sócio do Ginásio Clube Figueirense e a 29
de Outubro de 1956 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Benemerência.
Em
26 de Novembro de 1958 criou a Fundação Bissaya Barreto, em Coimbra, com sede
na casa onde viveu.
Foi
também Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra, de 1963 a 1974.
Bissaya
Barreto foi membro de conselhos de administração de grandes indústrias que
integraram, no início dos anos 70, os grupos financeiros portugueses.
Após
a revolução de 25 de Abril de 1974 foi exonerado de todos os seus cargos, tendo
ainda sido agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo no dia 9 de maio
seguinte.
Faleceu
em Lisboa a 16 de Setembro de 1974, deixando, por testamento, todos os seus
bens à Fundação Bissaya Barreto.
Bissaya
Barreto foi médico, professor universitário e benemérito, com fortes ligações a
Salazar.
Ajudou,
contudo, alguns destacados antifascistas, entre os quais o Capitão Henrique
Galvão, que terá auxiliado a fugir do Hospital de Santa Maria, em 1959, quando
cumpria uma pena de prisão e se deslocou a este hospital.
Henrique
Galvão foge e refugia-se na embaixada da Argentina. Depois exila-se na
Venezuela.
Foi
durante este exílio que Henrique Galvão começou a preparar aquela que seria a
sua ação mais espetacular: o desvio do paquete Santa Maria em 1961. Coordenou
esta ação com Humberto Delgado, que estava exilado no Brasil.
Em
22 de Janeiro de 1961, algures no mar das Caraíbas, doze portugueses e onze
espanhóis, comandados por Henrique Galvão, assaltaram o navio Santa Maria, em
que viajavam cerca de 1.000 pessoas, entre passageiros e tripulantes, e
protagonizaram aquela que foi, muito provavelmente, a mais mediática das ações
contra a ditadura de Salazar.
O
capitão Henrique Galvão foi tradutor para português da biografia de Bissaya
Barreto, da autoria de Pierre Goemaere, e colaborou no roteiro do filme Rumo à
Vida: A Obra de Assistência na Beira Litoral.
Voltando
à Colónia Balnear da Gala, onde foram felizes milhares de crianças, pobres, que
aqui viram o mar pela primeira vez, recordamos a satisfação de quem por lá
passou:
“De
manhã, as filas indianas organizavam-se para sair intercaladas a caminho da
praia, a calcorrear dunas, a subir e a descer por meandros, como cobras a
serpentear na areia a olhar o mar. O entretenimento passava por apanhar a caruma
dos pinheiros, que nós chamamos munha, e fazer espinhas…. Adorava o jogo do prego
na areia molhada, pior mesmo o ritual do mergulho com o banheiro, o medo que
fiquei, ainda hoje não consigo mergulhar, boas lembranças do lanche à tardinha
em que as mulheres demoravam em chegar, armadas de cestas de verga à cabeça,
cobertas com panos brancos, traziam o lanche, nada mais do que quartos de pão
de quilo com grossas fatias de marmelada da boa, vermelha. Muito gulosa, a minha
irmã ficava com a minha e eu com o pão dela.”
“Os
Banhistas, de calças compridas e arregaçadas, punham-nos todos em fila. Pegavam cada criança, uma a uma, pelo peito e pernas, e mergulhavam-nas por baixo de
uma onda. Estava o banho de mar tomado... O pão com marmelada tinha um sabor
especial na Praia da Gala. O que gostava menos era ter que ir para a cama (em
beliche) ainda com o sol bastante alto. Saudades desses tempos.”
“Se
houver paraíso no céu, este era o da terra. Com o nome de Colónia Balnear Dr.
Oliveira Salazar. Por baixo dizia: “FAÇAMOS FELIZES AS CRIANÇAS DA NOSSA
TERRA”. Existia uma carrinha VW, tipo pão de forma, que fazia a manutenção
daquela colónia. O diretor era o Sr. Marques e dava emprego a dezenas, se não
centenas de pessoas, e tudo isto a custo zero. No que diz respeito a
alimentação e alojamento, era do melhor: HOTEL 10 ESTRELAS. Não tenho palavras
para descrever o quanto aquela colónia era maravilhosa. Hoje recordo com muitas
saudades os tempos que lá passei e de vez em quando, vou lá fazer uma visita.
Atualmente era impensável existir uma instituição desta categoria. Tenho dito.
A.L.”
A
Colónia Balnear recebia crianças de ambos os sexos, dos 5 aos 14 anos de idade,
de 10 de junho a 30 de outubro. A admissão era autorizada superiormente e
poderia ser solicitada por qualquer entidade oficial ou particular, pelos pais
ou por qualquer pessoa que se responsabilizasse pelo pagamento das despesas. A
administração estava a cargo de um secretário e de uma regente.
A
Colónia Balnear da Gala já não existe e no seu local, foi construída uma obra
excecional, o Centro Geriátrico Luís Viegas Nascimento, pertença da Fundação
Bissaya Barreto, que foi inaugurado em 2005 e tem capacidade para 77
residentes.
Final
de agosto, princípio de setembro.
Por
norma, nesta altura do ano, temos a Feira do Ano na nossa terra. Sim, nossa
terra. É assim que continuo a ver Montemor-o-Velho. Como a minha terra. A terra
do meu coração. Das minhas origens. Daquelas que podemos deixar durante anos,
mas que nunca verdadeiramente nos deixam.
E
não poderia ser outro o tema desta crónica, nesta altura do ano.
Quando
era miúda, adorava esta altura do ano. A Feira enchia-se de gente, de música,
de carrosséis, de luzes e daquela alegria própria das coisas que esperamos
durante meses. Havia qualquer coisa de especial naqueles dias. Talvez porque
éramos mais novos e tudo parecia maior. Mais intenso. Mais importante.
Continuamos
a ter gente. Muita. Continuamos a ter música, convívio, carrosséis, encontros e
reencontros. À primeira vista, talvez nada tenha mudado assim tanto. E, no
entanto, quando lá vou, sinto que falta qualquer coisa.
Talvez
a Feira tenha mudado. Talvez se tenha perdido alguma coisa pelo caminho, como
tantas vezes acontece aos lugares, às tradições e às pessoas. Ou talvez tenha
sido eu.
Talvez
sejam os meus olhos que já não conseguem olhar para aquelas ruas da mesma
maneira. Talvez porque já não sou a miúda que esperava ansiosamente por estes
dias. Talvez porque crescemos e começamos a perceber que os lugares permanecem,
mas as pessoas que lhes davam determinado significado nem sempre permanecem
connosco.
E
isso muda tudo.
Há
pessoas que já não encontro na Feira. Rostos que faziam parte daquela paisagem
e que hoje existem apenas na memória. Outras seguiram os seus caminhos e
deixaram de estar por perto. Algumas continuam cá, mas a vida afastou-nos. E
depois há aqueles que ainda encontramos e que, por instantes, nos fazem
regressar muitos anos atrás. Um “olá”, “estás bem?”. E depois seguimos caminho.
Talvez
isso seja crescer. Descobrir que a saudade não pertence apenas às pessoas.
Também podemos ter saudades de lugares, de tempos, de versões de nós próprios.
Podemos caminhar exatamente pelas mesmas ruas e perceber que nunca mais
conseguiremos verdadeiramente regressar ao lugar onde um dia estivemos.
Porque
o lugar continua ali. Nós é que já não somos os mesmos.
Ainda
assim, continuo a gostar de voltar. Continuo a sentir qualquer coisa quando
entro em Montemor e vejo a vila cheia nesta altura do ano. Continuo a olhar
para o castelo, para aquelas ruas, para aquela gente e a sentir uma espécie de
pertença difícil de explicar.
É
a minha terra. Será sempre.
Não
porque viva lá. Não porque a minha vida continue a acontecer ali todos os dias.
Mas
porque há lugares que ficam ligados a nós de uma forma que o tempo, a distância
e todas as voltas da vida não conseguem desfazer.
Montemor-o-Velho
será sempre um desses lugares.
E
talvez a Feira do Ano já não seja exatamente aquela Feira de que me lembro. Mas
talvez também não precise de ser. Porque, afinal, há memórias que não existem
para serem repetidas. Existem apenas para nos lembrar de onde vimos.
Versos de outras vozes.
Na pequena praça da
aldeia, todos diziam que o vento sabia mais histórias do que qualquer um. Quem
se sentava sob a figueira podia ouvir fragmentos de versos que não pertenciam a
ninguém — ou, talvez, a todos.
Um rapaz costumava ir
lá ao fim da tarde. Fechava os olhos e deixava-se atravessar pelas vozes que
chegavam como um murmúrio. Ora era a lembrança de uma avó chamando os netos
para a mesa, ora a canção antiga de um marinheiro que nunca voltou, ora ainda a
prece tímida de uma criança que falava com as estrelas.
Ele escrevia tudo num
caderno gasto e poeirento, sem assinar, como se fosse apenas copista de almas.
Um dia percebeu que já não sabia distinguir a sua voz das outras: estava feito
de ecos, e nisso encontrou sentido.
Afinal, talvez ninguém
seja dono do que escreve — somos apenas passagem para os versos de outras
vozes.
Encontrei na vida uma
luz inebriante,
descobri castelos
encantados…
Sonhei palácios
rendilhados de ventura.
Fiz promessas e juras
eternas,
vivi …
Findou essa luz.
Reconstruí o meu mundo,
sonhei sem limites
os amanhãs risonhos
há tanto esperados.
Em busca desse olhar,
derrubei barreiras …
vi outra luz brilhante,
promissora de
infinitos…
Então, as asas nasceram
para rasgar o céu de
novo.
Deslumbradas, traçaram
rotas
fugidias,
rios límpidos de luz
azul,
à espera de um sinal,
de um aceno apenas …
SOU
MÃE – SOU AVÓ
Sou
mãe,
Sou
avó.
Sou
guardiã dos sorrisos que nasceram de mim.
Cada
riso,
Cada
lágrima,
Uma
joia guardada no meu coração.
Eles
são meus.
Meus
pedaços de tempo,
Meus
passos repetidos,
Meus
sonhos que caminham sozinhos.
Amo-os
como a força da luz,
Como
a firmeza do mar, que jamais se rende.
E
se alguém ousar tocar-lhes,
Estenderei
as minhas mãos,
Os
meus braços,
A minha alma inteira,
Porque
são meus,
E
cada pedaço deles
É
um pouco de mim.
ESSÊNCIA
A essência que nos
molda
Que rege os nossos
sentidos
Faz de nós por vezes
estranhos
Nos caminhos
percorridos…
Poucos são… o que
gostariam…
Poucos são… os que se
encontraram…
Poucos se sentem…
realizados…
Poucos, a si próprios,
se amaram!
Não há na vida um só
caminho
Nem uma só direção…
Às vezes o que
escolhemos
Não é com o coração!…
Já estava decidido…
Mesmo antes de
nascermos
Mesmo um caminho
sofrido
Nas escolhas que
fazemos…
A vida tem tanto de
bela
Como tem de complicada
É preciso compreendê-la
Abraçá-la… e aceitá-la!
Não é fácil… mas é tão
bela
Se ligada à natureza, à
fé e ao amor
Toda a grandeza é
singela
Seja a vida como
for!...
Tema: crítica política ao processo
desencadeado pelo 25 de Abril de 1974, incluindo a democracia instaurada e, no
segundo volume, a descolonização.
Existem dois volumes. O primeiro aparece como
Quando os Cravos Murcham I – A Democracia que nos Impuseram, com 77
páginas; o segundo é associado ao subtítulo Meio Milhão de Mortos / A
Vergonhosa Descolonização.
A bibliografia de Barradas de Oliveira
regista uma edição de Quando os cravos murcham. Meio milhão de mortos em
Lisboa, com depósito legal de 1982; outras referências catalogam a edição sobre
a descolonização em 1984.
"Dio, come ti amo" (italiano para 'Deus, Como Eu Te Amo') é uma música gravada pelos cantores italianos Domenico Modugno e Gigliola Cinquetti, composta e escrita pelo próprio Modugno. A música venceu o Festival de Música de Sanremo em 1966 e representou a Itália – interpretada por Modugno – no Festival Eurovisão da Canção de 1966, realizado em Luxemburgo. A música foi composta por Domenico Modugno. É uma balada, na qual o cantor conta ao seu/sua amante como ele se sente em relação a ela/ele. O cantor expressa seu espanto com a profundidade de seus próprios sentimentos, usando a frase do título com frequência. De 27 a 29 de janeiro de 1966, "Dio, come ti amo" competiu na 16ª edição do Festival de Música de Sanremo, sendo interpretada tanto por Modugno quanto por Gigliola Cinquetti, e venceu a competição. Como o festival era usado pela Radiotelevisione Italiana (RAI) para selecionar sua música e intérprete para a 11ª edição do Festival Eurovisão da Canção, a música se tornou a entrada da Itália no concurso.