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segunda-feira, agosto 31

BARCAÇA_71

 


Boa noite, Barcaça larga das terras de Montemor, onde os foguetes e a música, com a bela gastronomia, acompanham o mergulho na Feira que muitos munícipes esperam que lhes tragam noites felizes.

Nos Pontos Sem Fim, Montemor-o-Velho demonstra grande capacidade para organizar festas e grandes eventos, mobilizando população, associações, visitantes e comércio local. No entanto, essa dinâmica contrasta com a percepção de falta de infraestruturas permanentes adequadas no concelho.

O caso da Feira do Ano é particularmente ilustrativo: a Pista de Atletismo fica indisponível durante cerca de um mês para a montagem, realização e desmontagem do evento. Isto levanta uma questão sobre a necessidade de equipamentos que permitam acolher grandes iniciativas sem prejudicar o uso regular pela população.

A reflexão não pretende criticar as festas, que são importantes para a identidade local e para a economia, mas distinguir animação temporária de desenvolvimento estrutural. O concelho necessita de melhores equipamentos desportivos e culturais, espaços públicos, acessibilidades, estacionamento, condições para crianças, jovens e associações, e de uma estratégia de investimento equilibrada pelas freguesias.

Montemor-o-Velho tem capacidade para fazer festa; o desafio é demonstrar a mesma ambição na construção de infraestruturas e condições para o futuro.

Mário Silva fala-nos. No início do século XV, Montemor-o-Velho começou a recuperar da crise demográfica e económica provocada pela Peste Negra, fomes e guerras. Um momento decisivo ocorreu em 1416, quando D. João I e D. Duarte doou a vila e o castelo ao infante D. Pedro, duque de Coimbra.

A localização estratégica de Montemor-o-Velho, junto aos férteis campos do Mondego e a importantes vias terrestres e fluviais, tornou a vila um centro relevante do Baixo Mondego. O infante D. Pedro valorizou-a, construindo infraestruturas, mantendo aí a sua corte e reforçando a sua importância regional.

Em 1426, por iniciativa do infante D. Pedro, foi criada uma feira franca anual, realizada de 1 a 15 de setembro. A feira beneficiava-se de amplos privilégios, incluindo redução de impostos, isenção de portagens, proteção dos comerciantes e visitantes e limitações à intervenção das autoridades durante o evento.

A criação da feira em 1426 foi uma estratégia para reforçar Montemor-o-Velho como centro comercial e económico do Baixo Mondego, aproveitando a sua localização privilegiada e os investimentos promovidos pelo infante D. Pedro.

Fernando Curado: A Colónia Balnear da Gala nasceu em 1947, por iniciativa da Comissão Municipal de Assistência e da Junta de Província da Beira Litoral, com o objetivo de proporcionar às crianças mais carenciadas os benefícios do mar, do sol e de melhores condições de higiene e saúde. A construção começou em 1949, na Mata do Cabedelo, e a colónia foi inaugurada em 24 de setembro de 1950, tendo como principal impulsionador o professor Bissaya Barreto.

Durante décadas, a instituição recebeu milhares de crianças, muitas das quais tiveram ali o primeiro contacto com o mar. Funcionava entre junho e outubro, em turnos, oferecendo alojamento, alimentação, banhos de mar e atividades de lazer.

Carla M. Henriques, A Feira do Ano, em Montemor-o-Velho, desperta memórias de infância, de encontros, alegria e de um tempo em que tudo parecia maior e mais intenso. Hoje, apesar de a Feira continuar cheia de gente, música e vida, existe a sensação de que algo mudou — talvez a própria Feira, mas sobretudo quem a olha.

Com o passar dos anos, algumas pessoas partiram, outras se afastaram e muitas memórias ficaram para trás. Percebemos, então, que também podemos ter saudades de lugares, de pessoas e das versões de nós próprios que ali viveram.

Ainda assim, voltar a Montemor-o-Velho continua a despertar um profundo sentimento de pertença. Porque há lugares que, mesmo distantes no tempo e na vida, permanecem para sempre ligados a nós.

A Feira pode já não ser a mesma, mas as memórias continuam a lembrar-nos de onde viemos.

Isabel Rama: O texto conta a história de um rapaz que se senta debaixo de uma figueira para ouvir histórias e versos trazidos pelo vento. Ele regista essas vozes num caderno, sem assinar, até perceber que a sua própria identidade se mistura com as histórias dos outros. Assim, compreende que as palavras não pertencem verdadeiramente a ninguém e que cada pessoa é apenas um meio por meio do qual as vozes e experiências dos outros continuam a existir. Garça Real no seu poema - O poema fala sobre um amor intenso que se perdeu e sobre a esperança de encontrar novamente a felicidade. A pessoa começa por viver um sentimento maravilhoso, cheio de sonhos e promessas, mas essa “luz” acaba. Depois, reconstrói a sua vida e volta a sonhar, procurando um novo olhar que reacenda a esperança. As “asas” simbolizam a vontade de recomeçar, seguir novos caminhos e acreditar num futuro melhor, aguardando apenas um sinal da pessoa amada. Isabel Capinha: O poema “Sou Mãe – Sou Avó” expressa o amor profundo, intenso e protetor de uma mãe e avó pelos seus filhos e netos. A autora considera-os partes de si mesma, guardando cada sorriso e lágrima no coração. O poema destaca também o seu desejo de os proteger sempre, usando toda a sua força, coragem e amor, porque cada um deles representa uma parte essencial da sua própria vida. Isabel Tavares: O poema reflete sobre a essência humana e os caminhos que cada pessoa percorre ao longo da vida. Destaca que poucas pessoas se sentem verdadeiramente realizadas ou conseguem amar-se a si próprias. A vida é apresentada como complexa, marcada por escolhas e, por vezes, pelo sofrimento. Apesar das dificuldades, é importante compreendê-la, aceitá-la e valorizá-la, encontrando beleza na natureza, na fé e no amor.

Na literatura - Tema: crítica política ao processo desencadeado pelo 25 de Abril de 1974, incluindo a democracia instaurada e, no segundo volume, a descolonização. Na escolha musical, "Dio, come ti amo" (italiano para 'Deus, Como Eu Te Amo') é uma música gravada pelos cantores italianos Domenico Modugno e Gigliola Cinquetti, composta e escrita pelo próprio Modugno. A música venceu o Festival de Música de Sanremo em 1966 e representou a Itália – interpretada por Modugno – no Festival Eurovisão da Canção de 1966, realizado em Luxemburgo.

Boas leituras.

Se a ideia é fazer uma reflexão crítica sobre as festas de verão em Montemor-o-Velho e, ao mesmo tempo, questionar a falta de infraestruturas no concelho, há um argumento forte: o concelho demonstra capacidade para organizar grandes eventos e mobilizar população, associações e visitantes, mas essa capacidade nem sempre parece traduzir-se numa rede de equipamentos e condições permanentes à altura dessa dinâmica.

Em 2026, o calendário de verão voltou a ser bastante preenchido: houve festas e iniciativas em várias freguesias, como Pereira, Ereira, Verride e Resgatados, além da grande Feira do Ano – Festas Concelhias, que decorre de 29 de agosto a 8 de setembro. A própria Feira é apresentada pelo Município como um dos momentos mais importantes da agenda anual, reunindo milhares de visitantes e centenas de expositores.

Mas é precisamente aqui que pode surgir a pergunta política e cívica:

Se conseguimos ter festas, concertos, tasquinhas, feiras e milhares de pessoas durante o verão, por que é que continuamos a sentir falta de infraestruturas permanentes?

Há exemplos concretos que tornam esta discussão interessante. Durante a Feira do Ano, a Pista de Atletismo fica interditada entre 17 de agosto e 18 de setembro devido à montagem, realização e desmontagem das estruturas do certame. Ou seja, um equipamento destinado à prática desportiva fica indisponível durante cerca de um mês para acolher um evento temporário.

Isso não significa que as festas sejam negativas — pelo contrário. As festas populares são importantes para a identidade das freguesias, para o movimento associativo, para o comércio local e para a própria economia do concelho. A questão é outra: não podemos confundir animação com desenvolvimento estrutural.

Um concelho precisa de festas, mas também precisa de:

·      melhores equipamentos desportivos;

·      espaços culturais e de convívio adequados;

·      melhores acessibilidades e estacionamento;

·      espaços públicos qualificados;

·      equipamentos para crianças e jovens;

·      melhores condições para as associações;

·      infraestruturas capazes de acolher eventos sem retirar, durante semanas, equipamentos à população;

·      uma estratégia que distribua investimento pelas freguesias e não apenas pelos grandes momentos do calendário.

E há uma questão ainda mais importante: as festas acontecem durante alguns dias; as infraestruturas ficam todo o ano.

Por isso, eu colocaria o debate nestes termos:

Montemor-o-Velho tem capacidade para fazer festa. Falta saber se tem a mesma ambição para construir o futuro.

Nos 600 anos da Feira Anual de Montemor-o-Velho (1426-2026)

 

PARTE I

 


Saída, à semelhança do resto do reino, de um longo período de recessão demográfica e económica, com origem na Peste Negra, nas fomes e nas guerras fernandinas e joaninas, a vila de Montemor-o-Velho conhece no dealbar da centúria de Quatrocentos um momento particularmente decisivo para a sua afirmação regional e nacional, quando, a 10 de setembro de 1416, D. João I e o infante D. Duarte doam ao infante D. Pedro, duque de Coimbra desde setembro de 1415, a vila e castelo de Montemor-o-Velho, com todos os seus direitos e jurisdições, os quais tiveram por renúncia da infanta D. Isabel, recebendo dele em troca a vila de Alvaiázere.

Beneficiando da riqueza proporcionada pelos férteis campos do Mondego e de um porto fluvial, muito próximo da foz do Mondego, onde convergiam diversas vias fluviais e terrestres, Montemor-o-Velho, a par de Coimbra, demarcava uma significativa centralidade em toda a área do Baixo Mondego, como bem o sentiu o infante D. Pedro, não só com a construção dos seus Paços no interior do castelo, de quatro pontes de pedra “que ha na valla junto a villa” e de dois chafarizes “com seos tanques, em que se vem as armas da villa, hum na Praça e outro no Mosteiro dos Anjos”, mas também com a permanência, “muitos tempos”, da sua corte nesta vila, pois “gostava de viver nella, que na verdade a vista que tinha das suas janellas era primeira sem segunda”.

Será justamente a pedido do infante D. Pedro, desejoso de atrair à vila não só muitos dos mercadores que, de há longo tempo, a cruzavam para chegar à foz do rio, mas também os próprios moradores do termo, que, por carta passada em Santarém, a 19 de fevereiro de 1426, D. João I e o infante D. Duarte outorgam que em Montemor-o-Velho se realizasse uma feira franca anual, de 1 a 15 de setembro.

Com esta carta, rigorosamente decalcada da atribuída, em 2 de outubro de 1420, à vila de Tomar, sede da Ordem de Cristo e, por isso mesmo, administrada, desde 25 de maio do mesmo ano, pelo infante D. Henrique, D. João I, “essembra com o Iffante Duarte”, pretende igualar, em prerrogativas comerciais, os senhorios de ambos os infantes. Ao conceder novos privilégios e vastas liberdades jurídicas e sociais, que derrogavam a lei geral, D. João I estava a criar um novo tipo de carta de feira, sempre ambicionado nos reinados seguintes.

Para além da isenção de portagens e costumagens, os privilégios concedidos nesta carta são extraordinariamente amplos. De facto, tudo quanto na feira de Montemor-o-Velho se vendesse “só pagaria metade da sisa, a não ser vinho que se vendesse atavernado e carne que se vendesse a talho, das quais cousas se teria de pagar a sisa em cheio. A todos que viessem à feira não seriam tomados seus animais de sela, ou de albarda, para nenhuma carga, nem eles seriam constrangidos a qualquer serviço na ida para a feira, enquanto nela andassem, nem quando para suas casas tornassem. Não seriam também presos, nem acusados, nem demandados por nenhum malefício em que fossem culpados, excepto se fosse feito na vila, no seu termo, ou na própria feira. Não seriam citados nem demandados por quaisquer dívidas, provenientes de heranças ou não, salvo se fossem de compras ou de vendas efectuadas na feira. Era também consentido aos feirantes andarem armados na feira e servirem-se de qualquer montada que lhes aprouvesse. Finalmente preceituava-se que os corregedores e meirinhos, assim da corte como do reino, não fizessem correição na feira, e se lá quisessem ir que fossem, mas só para comprar ou vender”.


A COLÔNIA BALNEÁRIA DA GALA, O PROF. Bissaya Barreto E A FUGA DE HENRIQUE GALVÃO.

Em 1947, a Comissão Municipal de Assistência lançou um desafio à Junta de Província da Beira Litoral: a criação de uma Colónia Balnear Infantil na Figueira da Foz, com capacidade para 500 crianças.

A Colónia Balnear foi aprovada pela Junta de Província e a sua construção foi iniciada em 1949, na Mata Florestal (Mata do Cabedelo), na Gala, em terreno cedido pelos Serviços Florestais.

Fernando Baeta Bissaya Barreto Rosa foi o grande impulsionador desta obra, quando idealizou construir uma Colónia Infantil destinada “sobretudo às crianças das massas trabalhadoras que, vivendo no campo ou na serra, necessitam da benfazeja acção climática da beira-mar.”

Foi inaugurada oficialmente em 24 de setembro de 1950, por Trigo de Negreiros, Ministro do Interior, pelo Prof. Bissaya Barreto, Presidente da Junta de Província da Beira Litoral, e por Álvaro Malafaia, Presidente da C.M. da Figueira da Foz.

Após a sua inauguração, a Colónia Balnear da Gala passou a receber anualmente cerca de 3000 crianças, divididas em turnos de 500, que integravam o estabelecimento durante 2 a 3 semanas ao longo dos meses de junho, julho, agosto, setembro e outubro, números que, em 1963, já tinham duplicado.


Bissaya Barreto estava certo de que as crianças podiam “trilhar o caminho da Saúde”, conhecendo outro ambiente “que não o ar impuro, a promiscuidade, a falta de asseio e de limpeza e de higiene em que viviam” e usufruindo das qualidades terapêuticas do Sol, “o maior dos médicos.”

O professor Bissaya Barreto tinha muita ligação à Figueira da Foz, onde operava no Hospital da Misericórdia e onde o Liceu Municipal tinha adotado o seu nome quando foi criado em 1932, designação que manteve até 1961 quando passou a Liceu Nacional.

Foi também o grande mentor do Hospital Hélio-Marítimo da Gala, idealizado por si no início da década de 30 e inaugurado em 1971.


Bissaya Barreto nasceu em Castanheira de Pera em 29-10-1886 e faleceu em 16-9-1974 em Lisboa.



Aluno brilhante, formou-se em Filosofia e Medicina na Universidade de Coimbra.

Republicano convicto, participou no grupo de Livre Pensamento (1904), na criação do Centro Republicano Académico, assinou o Manifesto Académico ao País dos estudantes revolucionários de Coimbra, lançou o jornal “Pátria” e aderiu à greve académica de 1907, integrando o grupo dos “intransigentes” quando era dirigente da Associação Académica e do Centro Republicano.

Recusou receber das mãos do rei o prémio que lhe foi atribuído por ser um dos melhores alunos da Universidade, e, em 1909, quando o combate entre republicanos e monárquicos se intensificou com as sociedades secretas, aderiu à Maçonaria, através da loja de iniciação de estudantes “A Revolta”, da qual fez parte até 1913.


Em 1911 foi eleito deputado pelo círculo da Figueira da Foz para a Assembleia Constituinte, pelo Partido Republicano Português e, no ano seguinte, integrou o grupo parlamentar do Partido Republicano Evolucionista, então criado.


Foi deputado na Assembleia Nacional de 1912 a 1915, pelo Partido Evolucionista, dirigente do Partido Republicano Evolucionista e depois da União Liberal Republicana.

Em 1915 doutorou-se e iniciou a sua carreira como professor universitário na Faculdade de Medicina de Coimbra, a qual culminaria em 1956, ano em que se jubilou.

Em 1918 foi eleito procurador à Junta Geral do Distrito de Coimbra, pelo concelho de Penacova e, no ano seguinte, eleito vice-presidente da Mesa desta Junta, pelo Partido Evolucionista.

Em 1922 venceu as eleições à Câmara Municipal de Coimbra, liderando uma lista de liberais e católicos, exercendo o cargo de presidente até 1926.

Foi governador civil de Castelo Branco, ministro da Marinha, diretor geral da Assistência (1911), vogal do Conselho de Administração do Instituto de Seguros Sociais Obrigatórios e de Previdência Geral (1919-1929) e senador na legislatura de 1925.

De revolucionário republicano, passou para o partido republicano evolucionista e, acompanhando as tendências mais à direita do republicanismo, aderiu à União Liberal Republicana (1926), movimento que fez a transição dos partidos republicanos conservadores para a ditadura militar e para o Estado Novo.

Após o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 aderiu à União Nacional criada em 1930, integrando a sua Comissão Central presidida por Oliveira Salazar.

Assim, depois de toda a atividade republicana, ocupou, ininterruptamente, cargos políticos ao longo de 48 anos, da Ditadura Militar até à queda do Estado Novo em 25 de abril de 1974.

Presidiu à Junta Geral do Distrito de Coimbra, à Junta da Província da Beira Litoral e à Junta Distrital de Coimbra.

Foi Presidente do Conselho Geral do Grémio da Lavoura de Coimbra (1949), Procurador à Câmara Corporativa, na VIII legislatura (1961-1965) e na IX legislatura (1965-1969), em representação das instituições privadas de assistência.

Como médico e professor, Bissaya Barreto impulsionou sanatórios, leprosarias, casas da criança, refúgios para idosos, institutos maternais, bairros económicos, campos de férias, colónias balneares, estando à frente da campanha de luta contra a tuberculose, a lepra e as doenças mentais.

À sua iniciativa se devem os Sanatórios de Celas e dos Covões, atualmente Hospital Pediátrico de Coimbra e Hospital Geral, respetivamente, a Maternidade Bissaya Barreto, o Hospital Sobral Cid, o Hospital Psiquiátrico do Lorvão, o Hospital Rovisco Pais e o Hospital da Figueira da Foz.

Criou a Escola Normal Social e o Portugal dos Pequenitos, em Coimbra.

A 1 de Setembro de 1950 foi feito 59.º Sócio do Ginásio Clube Figueirense e a 29 de Outubro de 1956 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Benemerência.

Em 26 de Novembro de 1958 criou a Fundação Bissaya Barreto, em Coimbra, com sede na casa onde viveu.

Foi também Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra, de 1963 a 1974.

Bissaya Barreto foi membro de conselhos de administração de grandes indústrias que integraram, no início dos anos 70, os grupos financeiros portugueses.

Após a revolução de 25 de Abril de 1974 foi exonerado de todos os seus cargos, tendo ainda sido agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo no dia 9 de maio seguinte.

Faleceu em Lisboa a 16 de Setembro de 1974, deixando, por testamento, todos os seus bens à Fundação Bissaya Barreto.

Bissaya Barreto foi médico, professor universitário e benemérito, com fortes ligações a Salazar.

Ajudou, contudo, alguns destacados antifascistas, entre os quais o Capitão Henrique Galvão, que terá auxiliado a fugir do Hospital de Santa Maria, em 1959, quando cumpria uma pena de prisão e se deslocou a este hospital.

Henrique Galvão foge e refugia-se na embaixada da Argentina. Depois exila-se na Venezuela.

Foi durante este exílio que Henrique Galvão começou a preparar aquela que seria a sua ação mais espetacular: o desvio do paquete Santa Maria em 1961. Coordenou esta ação com Humberto Delgado, que estava exilado no Brasil.

Em 22 de Janeiro de 1961, algures no mar das Caraíbas, doze portugueses e onze espanhóis, comandados por Henrique Galvão, assaltaram o navio Santa Maria, em que viajavam cerca de 1.000 pessoas, entre passageiros e tripulantes, e protagonizaram aquela que foi, muito provavelmente, a mais mediática das ações contra a ditadura de Salazar.

O capitão Henrique Galvão foi tradutor para português da biografia de Bissaya Barreto, da autoria de Pierre Goemaere, e colaborou no roteiro do filme Rumo à Vida: A Obra de Assistência na Beira Litoral.

Voltando à Colónia Balnear da Gala, onde foram felizes milhares de crianças, pobres, que aqui viram o mar pela primeira vez, recordamos a satisfação de quem por lá passou:

“De manhã, as filas indianas organizavam-se para sair intercaladas a caminho da praia, a calcorrear dunas, a subir e a descer por meandros, como cobras a serpentear na areia a olhar o mar. O entretenimento passava por apanhar a caruma dos pinheiros, que nós chamamos munha, e fazer espinhas…. Adorava o jogo do prego na areia molhada, pior mesmo o ritual do mergulho com o banheiro, o medo que fiquei, ainda hoje não consigo mergulhar, boas lembranças do lanche à tardinha em que as mulheres demoravam em chegar, armadas de cestas de verga à cabeça, cobertas com panos brancos, traziam o lanche, nada mais do que quartos de pão de quilo com grossas fatias de marmelada da boa, vermelha. Muito gulosa, a minha irmã ficava com a minha e eu com o pão dela.”

“Os Banhistas, de calças compridas e arregaçadas, punham-nos todos em fila. Pegavam cada criança, uma a uma, pelo peito e pernas, e mergulhavam-nas por baixo de uma onda. Estava o banho de mar tomado... O pão com marmelada tinha um sabor especial na Praia da Gala. O que gostava menos era ter que ir para a cama (em beliche) ainda com o sol bastante alto. Saudades desses tempos.”

“Se houver paraíso no céu, este era o da terra. Com o nome de Colónia Balnear Dr. Oliveira Salazar. Por baixo dizia: “FAÇAMOS FELIZES AS CRIANÇAS DA NOSSA TERRA”. Existia uma carrinha VW, tipo pão de forma, que fazia a manutenção daquela colónia. O diretor era o Sr. Marques e dava emprego a dezenas, se não centenas de pessoas, e tudo isto a custo zero. No que diz respeito a alimentação e alojamento, era do melhor: HOTEL 10 ESTRELAS. Não tenho palavras para descrever o quanto aquela colónia era maravilhosa. Hoje recordo com muitas saudades os tempos que lá passei e de vez em quando, vou lá fazer uma visita. Atualmente era impensável existir uma instituição desta categoria. Tenho dito. A.L.”

A Colónia Balnear recebia crianças de ambos os sexos, dos 5 aos 14 anos de idade, de 10 de junho a 30 de outubro. A admissão era autorizada superiormente e poderia ser solicitada por qualquer entidade oficial ou particular, pelos pais ou por qualquer pessoa que se responsabilizasse pelo pagamento das despesas. A administração estava a cargo de um secretário e de uma regente.

A Colónia Balnear da Gala já não existe e no seu local, foi construída uma obra excecional, o Centro Geriátrico Luís Viegas Nascimento, pertença da Fundação Bissaya Barreto, que foi inaugurado em 2005 e tem capacidade para 77 residentes.


Final de agosto, princípio de setembro.

Por norma, nesta altura do ano, temos a Feira do Ano na nossa terra. Sim, nossa terra. É assim que continuo a ver Montemor-o-Velho. Como a minha terra. A terra do meu coração. Das minhas origens. Daquelas que podemos deixar durante anos, mas que nunca verdadeiramente nos deixam.

E não poderia ser outro o tema desta crónica, nesta altura do ano.

Quando era miúda, adorava esta altura do ano. A Feira enchia-se de gente, de música, de carrosséis, de luzes e daquela alegria própria das coisas que esperamos durante meses. Havia qualquer coisa de especial naqueles dias. Talvez porque éramos mais novos e tudo parecia maior. Mais intenso. Mais importante.

Continuamos a ter gente. Muita. Continuamos a ter música, convívio, carrosséis, encontros e reencontros. À primeira vista, talvez nada tenha mudado assim tanto. E, no entanto, quando lá vou, sinto que falta qualquer coisa.

Talvez a Feira tenha mudado. Talvez se tenha perdido alguma coisa pelo caminho, como tantas vezes acontece aos lugares, às tradições e às pessoas. Ou talvez tenha sido eu.

Talvez sejam os meus olhos que já não conseguem olhar para aquelas ruas da mesma maneira. Talvez porque já não sou a miúda que esperava ansiosamente por estes dias. Talvez porque crescemos e começamos a perceber que os lugares permanecem, mas as pessoas que lhes davam determinado significado nem sempre permanecem connosco.

E isso muda tudo.

Há pessoas que já não encontro na Feira. Rostos que faziam parte daquela paisagem e que hoje existem apenas na memória. Outras seguiram os seus caminhos e deixaram de estar por perto. Algumas continuam cá, mas a vida afastou-nos. E depois há aqueles que ainda encontramos e que, por instantes, nos fazem regressar muitos anos atrás. Um “olá”, “estás bem?”. E depois seguimos caminho.

Talvez isso seja crescer. Descobrir que a saudade não pertence apenas às pessoas. Também podemos ter saudades de lugares, de tempos, de versões de nós próprios. Podemos caminhar exatamente pelas mesmas ruas e perceber que nunca mais conseguiremos verdadeiramente regressar ao lugar onde um dia estivemos.

Porque o lugar continua ali. Nós é que já não somos os mesmos.

Ainda assim, continuo a gostar de voltar. Continuo a sentir qualquer coisa quando entro em Montemor e vejo a vila cheia nesta altura do ano. Continuo a olhar para o castelo, para aquelas ruas, para aquela gente e a sentir uma espécie de pertença difícil de explicar.

É a minha terra. Será sempre.

Não porque viva lá. Não porque a minha vida continue a acontecer ali todos os dias.

Mas porque há lugares que ficam ligados a nós de uma forma que o tempo, a distância e todas as voltas da vida não conseguem desfazer.

Montemor-o-Velho será sempre um desses lugares.

E talvez a Feira do Ano já não seja exatamente aquela Feira de que me lembro. Mas talvez também não precise de ser. Porque, afinal, há memórias que não existem para serem repetidas. Existem apenas para nos lembrar de onde vimos.

(em actualização)

Versos de outras vozes.

Na pequena praça da aldeia, todos diziam que o vento sabia mais histórias do que qualquer um. Quem se sentava sob a figueira podia ouvir fragmentos de versos que não pertenciam a ninguém — ou, talvez, a todos.

Um rapaz costumava ir lá ao fim da tarde. Fechava os olhos e deixava-se atravessar pelas vozes que chegavam como um murmúrio. Ora era a lembrança de uma avó chamando os netos para a mesa, ora a canção antiga de um marinheiro que nunca voltou, ora ainda a prece tímida de uma criança que falava com as estrelas.

Ele escrevia tudo num caderno gasto e poeirento, sem assinar, como se fosse apenas copista de almas. Um dia percebeu que já não sabia distinguir a sua voz das outras: estava feito de ecos, e nisso encontrou sentido.

Afinal, talvez ninguém seja dono do que escreve — somos apenas passagem para os versos de outras vozes.

Encontrei na vida uma luz inebriante,

descobri castelos encantados…

Sonhei palácios rendilhados de ventura.

Fiz promessas e juras eternas,

vivi …

Findou essa luz.

Reconstruí o meu mundo,

sonhei sem limites

os amanhãs risonhos

há tanto esperados.

Em busca desse olhar,

derrubei barreiras …

vi outra luz brilhante,

promissora de infinitos…

Então, as asas nasceram

para rasgar o céu de novo.

Deslumbradas, traçaram rotas

fugidias,

rios límpidos de luz azul,

à espera de um sinal,

de um aceno apenas …

SOU MÃE – SOU AVÓ

 

Sou mãe,

Sou avó.

Sou guardiã dos sorrisos que nasceram de mim.

 

Cada riso,

Cada lágrima,

Uma joia guardada no meu coração.

 

Eles são meus.

Meus pedaços de tempo,

Meus passos repetidos,

Meus sonhos que caminham sozinhos.

 

Amo-os como a força da luz,

Como a firmeza do mar, que jamais se rende.

 

E se alguém ousar tocar-lhes,

Estenderei as minhas mãos,

Os meus braços,

 A minha alma inteira,

Porque são meus,

E cada pedaço deles

É um pouco de mim.

ESSÊNCIA

A essência que nos molda

Que rege os nossos sentidos

Faz de nós por vezes estranhos

Nos caminhos percorridos…

Poucos são… o que gostariam…

Poucos são… os que se encontraram…

Poucos se sentem… realizados…

Poucos, a si próprios, se amaram!

Não há na vida um só caminho

Nem uma só direção…

Às vezes o que escolhemos

Não é com o coração!…

Já estava decidido…

Mesmo antes de nascermos

Mesmo um caminho sofrido

Nas escolhas que fazemos…

A vida tem tanto de bela

Como tem de complicada

É preciso compreendê-la

Abraçá-la… e aceitá-la!

Não é fácil… mas é tão bela

Se ligada à natureza, à fé e ao amor

Toda a grandeza é singela

Seja a vida como for!...

  Tema: crítica política ao processo desencadeado pelo 25 de Abril de 1974, incluindo a democracia instaurada e, no segundo volume, a descolonização.

  Existem dois volumes. O primeiro aparece como Quando os Cravos Murcham I – A Democracia que nos Impuseram, com 77 páginas; o segundo é associado ao subtítulo Meio Milhão de Mortos / A Vergonhosa Descolonização.

  A bibliografia de Barradas de Oliveira regista uma edição de Quando os cravos murcham. Meio milhão de mortos em Lisboa, com depósito legal de 1982; outras referências catalogam a edição sobre a descolonização em 1984.


"Dio, come ti amo" (italiano para 'Deus, Como Eu Te Amo') é uma música gravada pelos cantores italianos Domenico Modugno e Gigliola Cinquetti, composta e escrita pelo próprio Modugno. A música venceu o Festival de Música de Sanremo em 1966 e representou a Itália – interpretada por Modugno – no Festival Eurovisão da Canção de 1966, realizado em Luxemburgo. A música foi composta por Domenico Modugno. É uma balada, na qual o cantor conta ao seu/sua amante como ele se sente em relação a ela/ele. O cantor expressa seu espanto com a profundidade de seus próprios sentimentos, usando a frase do título com frequência. De 27 a 29 de janeiro de 1966, "Dio, come ti amo" competiu na 16ª edição do Festival de Música de Sanremo, sendo interpretada tanto por Modugno quanto por Gigliola Cinquetti, e venceu a competição. Como o festival era usado pela Radiotelevisione Italiana (RAI) para selecionar sua música e intérprete para a 11ª edição do Festival Eurovisão da Canção, a música se tornou a entrada da Itália no concurso.


sexta-feira, julho 31

BARCAÇA_70

 


Barcaça

Barcaça segue na bolina dos dias confusos, entre os ventos da política e os incêndios que assolam a Europa. Navega por águas incertas, onde o rumo se perde entre discursos, cinzas e inquietações. Ainda assim, avança — não por conhecer o destino, mas por saber que permanecer à deriva nunca foi uma escolha.

Iniciamos com “Parte V Convento de Nossa Senhora dos Anjos”, do nosso colaborador Mário Silva.

Já Fernando Curado evoca tempos idos de banhistas ilustres que passavam pela praia de Buarcos (Júlio Isidro).

Carla M. Henriques, O texto reflete sobre a expressão «estás como o tempo», associando as mudanças do clima às emoções e ao estado físico de uma pessoa. A autora descreve um dia marcado pelo pouco descanso, pelas dores e pelo cansaço, sentindo-se tão instável e “cinzenta” quanto o céu. Apesar disso, reconhece que há dias mais leves e luminosos, em que tudo parece correr melhor e a esperança regressa.

Mesmo num momento de tristeza e exaustão, decide sorrir e partilhar uma fotografia, não para esconder o que sente, mas como uma forma de procurar energia positiva e impedir que as dificuldades dominem todo o dia. No final, questiona se somos nós que nos parecemos com o tempo ou se é o tempo que reflete aquilo que sentimos, concluindo que, apesar de tudo, vale a pena tentar encontrar um pouco de luz.

Maria Forte leva-nos aos Bancos da Praça onde tudo acontecia e ninguém dava um passo em frente.

António Girão, com o seu ar atento, verificou uma situação que o deixou intrigado e a todos nós.

Maria Rama Matias é um menino de 10 anos, curioso, irreverente e muito imaginativo. Um dia, enquanto os pais estão ausentes, decide explorar o sótão, um lugar proibido e cheio de objetos antigos. Lá, encontra um velho relógio coberto de pó e, ao limpá-lo, vê um raio de luz dourada refletir-se num espelho antigo.

Na secção da Poesia, Garça Real, O poema descreve o desejo intenso de partir e alcançar novos horizontes. A chuva e o céu cinzento simbolizam a sensação de estar preso e a vontade de liberdade reprimida. Depois, o aparecimento do céu azul e do sol representa a esperança e a aproximação da viagem. No final, o futuro é visto com otimismo, como um caminho cheio de promessas, liberdade e possibilidades infinitas.

Isabel Capinha: O texto fala sobre a valorização de pessoas sensíveis, bondosas e verdadeiras, que sabem amar, demonstrar carinho, cultivar amizades e apreciar as pequenas coisas da vida. Também destaca a importância de ter um coração livre de ódio e preconceito, reconhecer os próprios erros, aprender com eles e recomeçar. A mensagem celebra pessoas que carregam amor, empatia, perdão e emoções sinceras dentro de si.

Isabel Tavares: O poema “Ame-se” transmite uma mensagem de amor-próprio, esperança e valorização pessoal. Mesmo diante das dificuldades, da tristeza, da solidão ou das desilusões da vida, a pessoa deve continuar a amar-se e a reconhecer o seu próprio valor. O texto reforça que cada ser humano é único, especial e criado por Deus para ser feliz, não devendo duvidar da sua importância. Assim, a principal mensagem é que, independentemente das circunstâncias, devemos cuidar de nós, aceitar-nos e manter o amor-próprio.

Na seção de literatura, clássicos da literatura universal.

Na discografia, alguém que nos deixou recentemente: Luís Represas.

 

Agradecimento

A Barcaça segue o seu rumo pelas terras de Montemor-o-Velho e da Figueira da Foz, levando consigo o empenho, a dedicação e o espírito de colaboração de todos os que fazem parte desta caminhada.

Agradecemos sinceramente a todos os colaboradores pelo excelente trabalho desenvolvido, pelo compromisso demonstrado e pelo contributo essencial para o sucesso deste percurso.

Que continuemos a navegar juntos, com entusiasmo e confiança, rumo a novos desafios e conquistas.

Muito obrigado a todos!



Convento de Nossa Senhora dos Anjos.

 

PARTE V

 

No século XVIII, operaram-se novas reformas. Na parede do altar-mor foi pintado um grande retábulo fingido, do qual hoje apenas restam fragmentos, e, já para os finais do século, foram introduzidos nas outras paredes da capela-mor renascentista azulejos historiados com cenas da Vida da Virgem, cujo rasto se perdeu. Deslocou-se o túmulo de Diogo de Azambuja do seu local primitivo para um canto, substituiu-se a porta de acesso à sacristia por uma de cantaria emoldurada de azulejos e edificaram-se anexos adossados à igreja. Também o primitivo altar quinhentista da capela-mor foi substituído por outro, de talha em madeira, no seguimento do estilo utilizado em Santa Cruz desde cerca de 1750. No andar superior do claustro foi incluída uma capela abobadada com comunicação para o coro.

Após a extinção das ordens religiosas, em maio de 1834, e a subsequente venda em hasta pública das estruturas conventuais (exceto a igreja) a José Ferreira Pinto Bastos, fecharam-se as portas de ligação do claustro à sacristia, torre sineira, capela e coro alto, entaiparam-se portas, romperam-se as paredes e caixas murárias, e repartiram-se as instalações visando à sua adaptação a habitações, tabernas, palheiros, armazéns e estábulos. Foi o fim de uma estrutura que, durante séculos, foi composta por igreja e claustro, livraria e celas, hospedaria e refeitório, celeiros e cozinhas, adega e lagar de vinho, pátio com poço de água, armazéns de azeite e lojas de acomodação.

À semelhança do que aconteceu com muitos outros conventos e mosteiros, a igreja, as alfaias e os paramentos do culto divino terão sido entregues à diocese de Coimbra. Os restantes bens móveis, por certo, foram arrolados, alienados (“roubados” ou vendidos ao desbarato), dispersos ou abandonados. As propriedades, rendas, foros e juros terão seguido os mesmos caminhos. O “saque” e a venda foram uma constante.

Apesar de, em junho de 1910, a igreja, incluindo o túmulo de Diogo de Azambuja, ter sido classificada como Monumento Nacional, só em 1933 é que a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais dá início ao seu louvável empreendimento de recuperação daquele que, à época, era considerado, nas palavras de Augusto dos Santos Conceição, como “um reservatório de águas lodosas, que minavam, sem descanso, os velhos alicerces (refere-se, obviamente, às cheias dos campos do Mondego, que, inverno após inverno, inundavam e debilitavam o templo), enquanto a chuva fendia as abóbadas e esboroava as cimalhas, paredes e contrafortes.”

Em 1935, o Estado adquire o claustro, classificando-o como monumento nacional por decreto de 26 de março de 1936. Entre 1936 e 1939, assiste-se à reconstrução da armação do telhado, das janelas e respetivas molduras, dos pavimentos e rebocos. Em 1967, reparam-se rebocos e caixilhos; em 1994 e 1997, beneficiam-se as coberturas da igreja, sacristia e claustro, bem como o interior de todas as áreas, incluindo a igreja; em 1998, levam-se a cabo as obras de reconstrução das coberturas que dão para o claustro; e, a partir de 2020, recebe uma intervenção profunda, assim como o seu entorno, para acolher o tão ambicionado museu.

Inaugurado no dia 12 de maio de 2025 [a chamada “fase experimental” durou até 16 de junho], o Museu Municipal - Peregrinações foca-se na história local e na vida do célebre escritor manlianense Fernão Mendes Pinto.

O Convento dos Anjos ganhou assim uma nova vida, acolhendo um equipamento cultural de excelência que pretende ser um lugar de encontro e partilha, de reflexão e diálogo sobre Montemor-o-Velho, o seu passado, presente e futuro. 

J
JÚLIO ISIDRO – UM BANHISTA ILUSTRE EM BUARCOS

Júlio José de Pinho Isidro do Carmo, locutor de rádio e apresentador de televisão, nasceu em Lisboa em 5 de janeiro de 1945, filho de José Sesinando Mantero da Silva Isidro do Carmo e de Brígida da Silva de Pinho.

Nasceu em Lisboa, mas foi em Buarcos que deu os primeiros passos e no seu mar aprendeu a nadar.

Aqui passaram as suas férias de verão, desde que nasceu até cerca de duas décadas depois.

Após a falência financeira da sua família, na sua infância, Júlio Isidro recebeu roupas usadas de um primo que vivia na Figueira da Foz, roupas que depois eram adaptadas pela sua mãe para que ele as pudesse usar.

Aqui se apaixonou, em todos os verões, um verdadeiro “pinga-amor tão interiorizado que só ele sentia os batimentos do coração, que nem elas suspeitavam”.

Júlio Isidro partilhou publicamente que, durante um verão em Buarcos, se apaixonou por uma francesa chamada Annick Storez, paixão que tanto o marcaria, levando-o a viajar sozinho de comboio, em terceira classe, rumo a França, apenas para tentar ver a jovem de quem guardava memórias da praia de Buarcos.

Júlio Isidro teve uma vida profissional de sucesso, principalmente no Rádio Clube Português, na Rádio Comercial, na RTP e na TVI.

Com pouco mais de 15 anos, no dia 16 de janeiro de 1960, estreou-se na RTP, coapresentando até 1966 o Programa Juvenil e o Programa Infantil.

E com apenas 16 anos, apresentou vários espetáculos no então Casino Peninsular da Figueira da Foz.

Trabalhou no Rádio Clube Português de 1968 a 1975, à noite, apresentando noticiários, enquanto durante o dia exercia a sua atividade profissional como delegado de informação médica.

Na Rádio Comercial, foi autor e apresentador de programas de sucesso como "CDC - Clube das Donas de Casa", "Grafonola Ideal" e "Febre de Sábado de Manhã".

Teve inúmeros sucessos na RTP, com O Fungagá da Bicharada (1974 a 1976), Arte & Manhas (1977-1978), Jardim Jaleco (1978), O Passeio dos Alegres (1980 a 1982), Festa é Festa (1982 a 1983), A Festa Continua (1983 a 1984), Arroz Doce (1985), o Clube dos Amigos Disney (1986 a 1989), "Oito e Oitenta" (1990), "Regresso ao Passado" (1990 a 1991) e E.T. - Entretenimento Total (1991 a 1992), Antenas no Ar (1997), Jardim das Estrelas (1997-2000), Amigo Público (1998-1999), A Outra Face da Lua (2000), Agora é que são Elas (2000), Entrada Livre (2001), Estúdio 5 (2002), O Passeio dos Alegres - 20 Anos (2002), Tributo a... (2003), Portugal no Coração (2006-2007), Quarto Crescente (2008-2009), Inesquecível (2010-), Verão Total (2014), Traz P'ra Frente (2015-presente), Presidente do Júri do Festival RTP da Canção (2017, 2018 e 2019), Retratos de Abril (2019) e muitos outros.

Ao longo da sua extensa carreira na televisão pública, Júlio Isidro dedicou múltiplos programas e emissões especiais a esta região, sendo um dos exemplos mais marcantes a gravação do seu programa recreativo “Jardim das Estrelas” na Figueira da Foz em 1997.

O programa incluiu entrevistas a personalidades da região, atuações musicais e a promoção do patrimônio e das gentes de Buarcos para os emigrantes portugueses por meio da RTP Internacional.

Também trabalhou na TVI, onde apresentou: Sons do Sol (1993-1994), Marchas Populares de Lisboa (1994), Clips & Spots (1994), Domingo Gordo (1994), Mil e Uma Tardes (1994), Luzes da Ribalta (1994-1995), Dar que Falar (1995-1996) e Olhó Popular (1996-1997).

Publicou vários livros infantis, como Histórias do Tio Julião (D. Quixote, 1989), Juliana das Farturas (D. Quixote, 1990), É Tudo Primos e Primas (Edições Asa, 2004), Ideias Giras (Edições Asa, 2005), O Planeta de Cristal (Edições Asa, 2006), 100 Histórias para Contar e Sonhar (Edições Asa, 2006), A Nossa Televisão (Desde os Avós até Nós!) (Asa, 2007), O Palácio da Animação (Asa, 2008), A Nova Arca de Noé (Asa, 2009), 50 Anos! 50 velas! (Asa, 2010).

Para além dos livros infantis, escreveu "Conto Final Parágrafo", uma espécie de biografia do seu tempo.

Recebeu as seguintes condecorações: Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, concedida em 2006 pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, Grã-Cruz da Ordem do Mérito, atribuída em 2020 pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, a Medalha de Mérito Cultural do Governo de Portugal, no ano de 2020, a Medalha Municipal de Mérito Cultural pela Câmara Municipal de Lisboa, em 2024, e o Globo de Ouro de Mérito e Excelência atribuído pela SIC (em conjunto com a revista Caras), no ano de 2025, homenageando os seus 65 anos de carreira dedicados à comunicação e à televisão portuguesa.

Ao receber a Medalha de Mérito Cultural do Governo de Portugal, o texto oficial sublinhou que a distinção celebrava não só a sua carreira, mas especificamente a sua dedicação contínua como "amante incondicional" da Figueira da Foz e de Buarcos em particular.


Sempre ouvi a expressão «estás como o tempo» e, durante muito tempo, não percebia verdadeiramente o que queria dizer.

Hoje percebi.

Acordei às seis da manhã, depois de ter adormecido apenas às duas. Quatro horas de descanso. Cada dia que passa, durmo menos. A cabeça parece prestes a rebentar, as dores na coluna voltaram com força e as pernas insistem em lembrar-me de que ainda não estão bem. O dia está estranho. O sol ora aparece. Ora desaparece. Está indeciso.

E eu estou como o tempo.

Talvez esta expressão nunca tenha feito tanto sentido como hoje. Ou talvez já o tivesse feito noutras alturas e eu nunca tivesse parado verdadeiramente para perceber. Porque também há dias em que estamos como o tempo: quando o céu acorda limpo, o sol entra pela janela e sorrimos sem uma razão concreta. Há dias em que tudo parece mais leve, em que a vida nos corre melhor por dentro e o mundo, por instantes, parece devolver-nos alguma esperança.

Mas hoje não.

Hoje o céu pesa tanto quanto o corpo. Hoje as nuvens parecem ter encontrado morada dentro de mim. Mesmo que, por vezes, o sol até leve a melhor e nos contemple com os seus raios. Hoje nem a comidinha da mãe reconfortou a minha alma.

Ainda assim, posso sempre partilhar uma fotografia a sorrir. Não para fingir que está tudo bem, mas para tentar chamar a energia boa para junto de mim. Como quem abre uma pequena janela no meio de um dia “cinzento” por dentro e espera que, de alguma forma, entre um pouco de luz.

Porque uma fotografia a sorrir não invalida o cansaço, as dores que teimaram em voltar ou um pouco de tristeza que por vezes sinto. Às vezes, é apenas uma tentativa de não deixar que tudo isso ocupe o dia inteiro. Nós ocupamos a mente. E permaneça na alma.

Dias. Há dias assim.

Há dias em que não somos nós que descrevemos o tempo. É o tempo que nos descreve a nós.

E, afinal, o tempo está como nós ou somos nós que estamos como o tempo? Talvez dependa do dia. Hoje, confesso, não sei. Mas vou forçar-me a sorrir. Nem que seja só para ver se o sol ou este tempo estranho percebem a indireta e se resolvem. 

Os bancos da praça.

 Há uma coisa curiosa em Montemor. Os bancos da praça têm a melhor vista da vila. Não porque estejam virados para o castelo. Nem para o Mondego. Nem sequer porque estejam no centro de tudo. Mas porque, há décadas, permanecem exatamente em frente ao edifício onde tantas decisões se tomam. E isso faz deles as únicas testemunhas que nunca precisaram de votar... para ver tudo.

Dali passaram presidentes. Vereadores. Campanhas. Promessas. Discursos. Fotografias. Inaugurações.

Mudaram as cores dos cartazes.

Mudaram os rostos.

Mudaram os carros estacionados.

Mudaram as montras.

Mudaram as gerações.

Mas há uma coisa que raramente muda. Os mesmos bancos. E, muitas vezes... As mesmas conversas. Há qualquer coisa de profundamente portuguesa, e talvez profundamente montemorense, nesta capacidade de transformar um banco de jardim numa tribuna.

Ali discute-se política. Futebol. A vida dos vizinhos.

Quem casou.

Quem se separou.

Quem voltou.

Quem foi embora.

Quem ganhou.

Quem perdeu.

Quem devia fazer.

Quem nunca fez.

Todos têm opinião. Poucos têm disponibilidade. O curioso é que, quase sempre, a culpa mora dentro do edifício da frente. Mas quase ninguém se pergunta há quanto tempo ocupa exatamente o mesmo banco. É mais confortável comentar quem decide... do que decidir alguma coisa sobre a própria vida.

Talvez por isso aqueles bancos saibam mais sobre nós do que qualquer arquivo municipal.

Conhecem as nossas rotinas. Os nossos medos. As nossas desculpas. As nossas indignações de estimação. E, sobretudo, conhecem uma estranha habilidade que temos para esperar que a mudança venha sempre do outro lado da praça.

Às vezes imagino que um daqueles bancos resolve finalmente falar.

Não acredito que denunciasse políticos.

Nem empresários.

Nem famílias conhecidas.

Acho que faria uma revelação muito mais incómoda. Diria apenas: "Passei uma vida inteira a ver pessoas à espera que alguém mudasse a vila. Quase nunca vi alguém levantar-se para começar por si." E talvez seja precisamente por isso que aqueles bancos continuam ali. Não para descansar quem passa. Mas para lembrar que também é possível passar uma vida inteira sentado... convencido de que o mundo é que nunca saiu do lugar.

Da próxima vez que passares pelos bancos da praça, não olhes para quem lá está. Os bancos da praça continuarão lá... quando nós já cá não estivermos. A única pergunta que realmente importa é esta: Quando esse dia chegar, foste apenas espectador do teu tempo... ou tiveste a coragem de lhe deixar uma marca?


MUITO GRAVE.

Onde anda a CPCJ de Cantanhede?!

No passado sábado fomos (eu estava acompanhado) à festa à minha terra (Pereira, Montemor-o-Velho). Cerca da meia-noite, vínhamos para o automóvel e passamos junto a duas jovens. Uma delas dirigiu-se a nós e disse para a outra: — Este senhor foi, meu professor! É o stôr Girão!"

De facto, foi minha aluna em aulas de apoio pedagógico.

Perante a estranheza de encontrar ali uma jovem de 14 anos, perguntei como tinha ido para lá. Respondeu que foi com a colega que a acompanhava. Esta vinha de uma cidade a cerca de 50 quilômetros dali, primeiro de metro até Coimbra e, depois, de comboio. A jovem de 14 anos, de uma aldeia a 10 quilómetros de Cantanhede, foi de autocarro até Coimbra e, tal como a outra, de comboio até Pereira.

Tentamos saber em casa de quem iam pernoitar e disseram que seria com uma amiga. Como sou dali, quis saber quem era a família, o que acabei por não conseguir identificar, porque nem a amiga estava por ali, nem encontraram no Facebook ?!?!?!?! a página da tal família.

Por lá ficaram, no meio de milhares de pessoas, aquelas duas jovens com a tenra idade de 14 anos.

Depois, as coisas acontecem e quem as denuncia passa as "passas do Algarve" por fazê-lo e pelo assédio que sofre por agir de acordo com a sua consciência e com a lei.

Por lutar contra estas situações, fui cilindrado, assediado, torturado mentalmente, sofrendo agora os efeitos irreversíveis, sempre pronto a contar às autoridades tudo, mas mesmo tudo. Tentaram destruir-me profissional, social e individualmente. Mas, mesmo aposentado, não deixo de ser professor que alcançou nas Provas de Aferição resultados de média de 36% acima da Média Nacional. O sofrimento obriga-me a escrever este parágrafo!

Deparei-me com este caso, como me deparei com outro, em sentido inverso: um jovem, da mesma idade, da mesma aldeia, foi retirado à família por problemas gravíssimos de saúde dele. Lutei ao lado da família até o tribunal!

TRISTE, GRAVE, PERIGOSO e LAMENTÁVEL.


O Espelho do tempo 

Matias é um menino irreverente e traquinas. Aos 10 anos, é uma criança sedenta de sabedoria, sempre pronta a questionar o mundo que o rodeia. Quando os pais se ausentam, Matias sobe ao lugar proibido – o sótão. É ali, entre caixas empoeiradas e objetos esquecidos, que dá asas à sua imaginação e vive aventuras inimagináveis.

Numa dessas visitas ao sótão, descobre um velho relógio coberto de pó.

Cuidadosamente, limpa-o... De repente, algo extraordinário acontece: um raio de luz dourada é projetado num espelho antigo, esquecido entre as muitas relíquias acumuladas no sótão. No reflexo, Matias vê uma pequena aldeia de barro e palha, onde uma criança nua corre livremente entre as cabanas. Ao longe, uma fogueira crepita e um ancião conta histórias a um grupo de pequenos ouvintes atentos. Matias percebe, maravilhado, que está na Pré-História — e que, de alguma forma, o relógio o transportou no tempo.

A cada toque no relógio, Matias é lançado para uma nova época. Vê crianças egípcias a aprenderem a escrever em tábuas de argila, meninos gregos a treinar com mestres filósofos, pequenos romanos a brincarem com bonecos de madeira. Em cada viagem, descobre como a infância foi moldada pelos tempos — ora livre, ora reprimida, ora tratada como um bem precioso, ora como uma mera extensão dos adultos.

Na última badalada, ouve gritos, gemidos e suspiros de crianças que morrem de fome e de guerra. Crianças que não pediram para nascer num mundo cruel, governado por homens sem piedade. O coração de Matias aperta-se. Ele chora, desiludido com a humanidade. As suas lágrimas caem sobre o velho relógio e o espelho — e então algo mágico acontece.

Em todos os cantos do mundo, crianças de todas as raças e crenças marcham juntas numa revolução de Paz. Os mísseis transformam-se em pombas brancas, que enchem os céus com esperança. O mundo renasce das cinzas da guerra, do ódio e da violência.

Um admirável Mundo Novo desponta, dando origem a uma Nova Ordem Mundial, fundada sob o signo da Paz.

— Matias, onde estás? — ouve-se a voz da mãe ao longe.

Matias acorda. Olha em volta e percebe que adormecera no sótão. Afinal, tudo fora um sonho... Mas não se entristece. Corre para a rua e conta o seu sonho a outras crianças. Porque, afinal, não basta sonhar — é preciso também acreditar.


Do céu cinzento

caem cordas de água

que amarram ao cais

vontades de distância…

Nos céus, súbito um clarão,

revolta surda,

grito mudo há tanto sufocado…

desejo de partir para longe…

Agora é o sol poente

num céu imensamente azul,

apelo de uma partida adiada.

Amanhã, será o sol,

a luz intensa,

a viagem com hora marcada

rumo à lonjura.

Amanhã, o sol

e o azul das promessas…

Tempo de infinito sem limites.

GOSTO DE GENTE ASSIM…

Gosto de gente

com a cabeça no lugar,

que ri,

que chora,

que se emociona com

uma simples carta,

um telefonema,

uma canção suave,

um bom filme,

um bom livro,

um gesto de carinho,

um abraço,

um afago.

Gosto de gente

que ama e sente saudades,

que gosta de amigos,

que cultiva flores,

que ama animais.

que admira paisagens,

que escuta o som do vento e da chuva.

Gosto de gente

que tem tempo para sorrir bondade,

que tem tempo para semear perdão e repartir ternuras,

que tem tempo para partilhar vivências

que tem tempo e espaço para as emoções dentro de si!

Gosto de gente

que gosta de fazer as coisas que gosta,

que procura a verdade e está sempre pronta a aprender

que colhe, orienta, se entende, aconselha.

Gosto de gente

de coração desarmado,

sem ódio e preconceitos.

Gosto de gente

que erra e reconhece,

que cai e se levanta,

que tira lições dos erros.

Goste de gente

com AMOR dentro de si…

Gosto muito de gente assim.....

AME-SE

Ainda que a vida… traia

Ainda que o sol se esconda

Ainda que as lágrimas caiam

Que o rio seque

Que as folhas amareleçam

Ame-se!

Ainda que a chuva… fustigue

Ainda que do céu caiam raios

Ainda que o mar esteja revolto

Ainda que à sua volta não haja flores

Ainda que as cores tenham empalidecido

Ame-se!

Você é uma pessoa única

Inigualável,

Ninguém é igual a você!

Você é exatamente

Como DEUS planeou

Quando a si criou

Para ser feliz!...

Não duvide… portanto…

Ame-se!

Ainda que os seus abraços ternos

Fiquem parados no ar…

Que os seus beijos quentes

Não tenha a quem os dar…

Ainda que todo o amor

Que alberga no peito

Se perca no seu olhar…

Ame-se!


Os clássicos da literatura universal são livros que continuam a falar connosco, geração após geração, porque exploram aquilo que há de mais humano: o amor, a ambição, a liberdade, o medo, a justiça, a esperança e a procura de sentido.
Cada clássico é uma porta aberta para outros tempos, outras vozes e outras formas de ver o mundo. Ler estas obras é descobrir personagens inesquecíveis, refletir sobre grandes temas universais e perceber que há histórias que nunca envelhecem.
Porque os clássicos não pertencem apenas ao passado. Continuam vivos em cada leitor que os redescobre.
Até sempre, Luís Represas [1956 - 2026]






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  Boa noite, Barcaça larga das terras de Montemor, onde os foguetes e a música, com a bela gastronomia, acompanham o mergulho na Feira que m...