Hora
de a Barcaça aparecer nesta manhã de neblina, mas sempre confiante na
informação, na poesia, na literatura e música para os nossos seguidores e
amigos. Como sempre nos Pontos Sem fim o olhar para nosso concelho e sinalizar
o que de bom se faz e o que deveria ser feito para melhorar os seus munícipes.
Já
Mário Silva apresenta-nos a (segunda) parte da importância da Feira do Ano.
O
texto descreve a evolução e importância económica da feira de Montemor-o-Velho
no século XV. Inicialmente, a feira tinha uma duração considerada excessiva,
pelo que, em 1427, o infante D. Pedro pediu ao rei D. João I que fosse reduzida
para oito dias por ano, entre 1 e 8 de setembro, mantendo-se durante esse
período os privilégios e isenções dos feirantes.
Em
síntese: a feira tornou-se um importante centro comercial regional,
beneficiando da sua localização junto ao Mondego, dos privilégios fiscais
concedidos aos comerciantes e da circulação de mercadores e produtos
provenientes de diferentes regiões.
Fernando
Curado em terras da Figueira Capela
de Nossa Senhora da Conceição — Buarcos
A
Capela de Nossa Senhora da Conceição, situada no Largo de Nossa Senhora da
Conceição, junto à antiga Praça de Buarcos, é um dos edifícios religiosos mais
antigos da vila. A sua construção terá ocorrido provavelmente na primeira
metade do século XVI, embora não exista uma data certa para a sua fundação.
A inscrição de 1536, existente numa das portas laterais, pode
corresponder à construção do portal ou à própria edificação.
Originalmente,
a capela era dedicada a Nossa Senhora das Ribas, devido à sua
localização junto à costa e sobre uma ribanceira. No século XVII, passou a ser
dedicada a Nossa Senhora da Conceição, na sequência da consagração de
Portugal à Imaculada Conceição, em 1646, por D. João IV.
Carla
M. Henriques, um toque pessoal (Mãe), hoje, esta mulher celebra 70 anos de vida
— 70 primaveras, 70 voltas ao sol. Uma vida nem sempre fácil, nem sempre feliz,
e tantas vezes sofrida.
Talvez
tenhamos isso em comum: sentimos tudo demasiado. Vivemos com uma intensidade
que nos torna, ao mesmo tempo, vulneráveis e fortes, frágeis e resistentes.
António
Girão fala da gente da sua terra: Claro
— podemos manter a firmeza e a indignação, mas substituir o tom mais agressivo
por um apelo ao respeito, à empatia e à responsabilidade editorial.
Isabel
Rama: após meses de seca e depois dos incêndios que destruíram a floresta, a
primeira chuva de outono trouxe esperança e renovação. Os animais, apesar das
perdas, começaram a recuperar e a acreditar num novo começo. A natureza
renascia, simbolizando a força da vida e da esperança.
Garça
Real, O poema “Outrora” fala principalmente da saudade da infância,
das memórias do passado e do regresso à terra natal/casa da infância.
O
sujeito poético recorda, com carinho, a paisagem que conhecia quando era
criança: as palmeiras, o sino, os muros cobertos de flores e heras, o largo
onde brincava e os campos verdes que depois ficavam dourados. Essas imagens
representam um passado feliz e ligado às raízes e à simplicidade da vida.
Isabel
Capinha, no seu poema, descreve os verdes campos como um lugar tranquilo, bonito
e cheio de vida. A natureza é apresentada por meio do vento, das flores, da
terra e do céu, criando uma paisagem serena e harmoniosa.
Isabel
Tavares, O poema «Quem és tu?» fala de uma presença misteriosa e especial que o
sujeito poético sente durante a noite. Essa figura surge associada à luz do
luar, às estrelas, à natureza e aos sonhos, transmitindo uma sensação de paz,
carinho e tranquilidade.
Na Literatura escolhi: LIVRO CONSTRUÍDO A PARTIR DO SEMINÁRIO SOBRE A REVOLUÇÃO PORTUGUESA DE 1974-1975 COORDENADO POR FERNANDO ROSAS.
Música, um tema de um cantor que nos deixou faz pouco tempo. Jorge Palma morreu a 21 de Setembro de 2026, aos 76 anos. Boas leituras e até um dia destes.
Município
de Montemor-o-Velho relativas a setembro de 2026. Houve atividade em
várias áreas — obras, estradas, educação, economia, desporto e cultura.
O
que aconteceu em setembro
- Obras e
recuperação de infraestruturas: a Ponte de
Verride esteve encerrada de 7 a 18 de setembro para reparação dos danos
causados pela tempestade Kristin e pelas cheias. Foram substituídas as
seis juntas de dilatação e realizadas intervenções na pavimentação.
- Estrada da margem
direita do Mondego: o Município realizou
trabalhos de pavimentação e a estrada foi reaberta ao trânsito antes do
previsto. A intervenção surge no contexto da recuperação das
infraestruturas afetadas pelas intempéries.
- Investimento no
concelho: no Dia do Município, a 8 de
setembro, o presidente da Câmara referiu mais de 18 milhões de euros de
investimento no concelho, abrangendo áreas como saúde, educação,
mobilidade, desenvolvimento económico e associativismo.
- Educação:
foram atribuídas bolsas de mérito e excelência a 87 alunos do
concelho, numa cerimónia realizada a 5 de setembro.
- Empresas e
economia: no Dia do Município foram
distinguidas empresas do concelho por desempenhos como PME Excelência, PME
Líder e Empresas Gazela.
- Desporto:
realizou-se o 26.º Grande Prémio Alves Barbosa, com etapas entre
Montemor-o-Velho, Águeda e Coimbra, terminando junto ao Castelo de
Montemor-o-Velho. Também decorreram o Campeonato Nacional de Patinagem de
Velocidade e o Concurso Nacional de Saltos.
- Cultura e vida das
freguesias: houve festas populares, teatro,
exposições, caminhadas, iniciativas associativas e outras atividades em
várias localidades. Por exemplo, a agenda municipal registou o espetáculo O
Escolhido, o Musical, em 26 de setembro, no Fórum Cultural.
- Obras e vias
rodoviárias: a estrada da margem direita do
Mondego, entre Formoselha e Pereira, foi intervencionada numa extensão de
cerca de 900 metros e reaberta ao trânsito em 10 de setembro, antes
do prazo inicialmente previsto.
- Ponte de Verride:
entre 7 e 18 de setembro esteve prevista uma intervenção de reparação dos
danos provocados pela tempestade Kristin e pelas cheias, incluindo a
substituição das seis juntas de dilatação e pavimentação das zonas
adjacentes.
- Sinalização
rodoviária: foram realizados trabalhos de
sinalização horizontal em estradas e arruamentos de Arazede,
Carapinheira, Pereira, Seixo de Gatões, Tentúgal e Abrunheira/Verride/Vila
Nova da Barca.
- Escolas:
o Município anunciou um investimento superior a 218 mil euros na
reabilitação da Escola Básica de Tentúgal. Também foram realizadas as
cerimónias de início do novo ano letivo.
- Educação:
no Dia do Diploma foram reconhecidos alunos do Agrupamento de Escolas de
Montemor-o-Velho pelos resultados e mérito obtidos em 2025/26.
- Agricultura:
nos dias 10 e 11 realizou-se a Mondego Agrícola – Feira das Culturas,
dedicada à inovação, tecnologia, conhecimento e futuro da agricultura do
Baixo Mondego.
- Economia:
mais de 180 empresários, representantes institucionais e agentes
económicos participaram no colóquio sobre os desafios e oportunidades
para o futuro económico do concelho.
- Desporto:
realizou-se o 26.º Grande Prémio Alves Barbosa, com mais de 100
jovens ciclistas portugueses e espanhóis.
- Cultura e
património: em Tentúgal houve destaque para a
recuperação do retábulo da Igreja da Misericórdia, obra atribuída a
Tomé Velho, discípulo de João de Ruão.
- Dia do Município:
a 8 de setembro foram anunciados investimentos municipais superiores a 18
milhões de euros, além de distinções a cidadãos, empresas e
instituições do concelho.
- Final de setembro: a agenda municipal incluiu, entre outras iniciativas, o V Torneio da Associação de Basquetebol de Coimbra, nos dias 26 e 27, e o musical “O Escolhido”, no Fórum Cultural, a 26 de setembro.
Arazede
🛣️ Sinalização horizontal em Faíscas, Variante de Arazede e Gordos; ligação com o PLIA. 🏭 Continuação da estratégia de ampliação do Parque Logístico e Industrial de Arazede, com investimento anunciado de cerca de 5,2 M€.
Carapinheira
🛣️ Sinalização na Rua das Hortas, Caminho da Boa Joia e C13/beira-rio. 🎒 Arranque do ano letivo e atividades do concelho.
Ereira
🌉 Foi diretamente afetada pelas obras na Ponte de Verride, com os desvios de trânsito entre Ereira e Verride. 🚴 O Grande Prémio Alves Barbosa passou pela freguesia.
Liceia
🚴 Passagem do Grande Prémio Alves Barbosa pela localidade. Não encontrei, na informação municipal publicada em setembro, uma nova obra municipal especificamente localizada na freguesia.
Meãs do Campo
🎒 Arranque do ano letivo com receção aos encarregados de educação no pré-escolar. 🚴 Passagem do Grande Prémio Alves Barbosa.
União de Montemor-o-Velho e Gatões
🏛️ Grande parte da programação municipal de setembro concentrou-se em Montemor. 🌾 Mondego Agrícola. 🎓 Bolsas de mérito. 🚴 Grande Prémio Alves Barbosa.
Pereira
🛣️ Pavimentação de cerca de 900 m da estrada da margem direita do Mondego, entre as pontes de Formoselha e Pereira, concluída/reaberta antes do prazo previsto. 🛣️ Sinalização junto à Escola Básica. 🚴 Passagem do Grande Prémio.
Santo Varão
🚴 Passagem do Grande Prémio Alves Barbosa por Formoselha/Santo Varão. 🎒 Arranque do ano letivo. A nova ligação rodoviária da margem direita do Mondego tem particular importância para a circulação na zona de Formoselha.
Seixo de Gatões
🛣️ Sinalização na Rua da Fonte, Cabeça Alta, e Rua Tenente Cavaleiro/Casal do Jagaz/Vergieira. 🎒 Receção do novo ano letivo.
Tentúgal
🛣️ Sinalização na Travessa de São João Batista, Póvoa de Santa Cristina. 🎒 Arranque do ano letivo. 🏛️ Atividade cultural e patrimonial.
União de Abrunheira, Verride e Vila Nova da Barca
🌉 Grande intervenção na Ponte de Verride, com substituição de seis juntas de dilatação, fresagem e pavimentação. 🏠 Consignação da construção de 9 moradias bifamiliares / 18 fogos T2 em Verride, investimento de 2.319.711,21 € + IVA. 🛣️ Sinalização no Outeiro da Moura e Verride. 🚴 Passagem do Grande Prémio.
Nos
600 anos da Feira Anual de Montemor-o-Velho (1426-2026)
PARTE
II
No
entanto, um ano depois, já o infante, apercebendo-se de que o período de
realização da feira era demasiado dilatado sem que daí resultasse qualquer
proveito, requeria a seu pai que “nom entendiam por seu serviço de a dita feyra
durar mais que oito dias em cada hum anno”. A resposta de D. João I não se fez
esperar e, logo a 3 de maio de 1427, concedeu autorização para que a mesma
“comece por ho dito primeiro dia de setembro, e que dure oito dias do dito mes e
mais não. E que todos aqueles que a ella vierem aajão os privilégios e
lyberdades em os ditos oito dias que ha dita feyra durar e mais nom”.
Em
carta de 17 de junho de 1427, o infante D. Fernando, procurador e regedor das
terras de D. Pedro, declara que este permitiu “que hos direitos da dizima,
portagem e passagem, que são seus na dita vila fosem quites de todallas cousas
que ha feyra fosem trazidas e vendidas aly no dito tempo”. Se as mercadorias
não fossem vendidas no referido prazo podiam ser retiradas pelos donos sem
pagarem direitos. Mas estes eram devidos se fossem transaccionados no lugar
depois de terminada a feira. Se os moradores da vila levassem à feira alguma
coisa, e não vendessem enquanto esta durasse, deviam pagar os “ditos dereitos
das que nom venderem como em quoallquer outro tempo que feyra não fose”.
Correspondendo
o dia 8 de setembro à festa da Natividade da Virgem ou de Santa Maria, feriado
que permitia aos homens, de dentro e fora do concelho, afluir à vila para
mercadejar, a feira acabava por se restringir a este dia, ficando praticamente
deserta nos restantes. Por outro lado, muitos dos que apenas vinham no dia de
Santa Maria, quereriam vender as suas mercadorias mesmo depois da festa, mas
não o ousavam fazer porque entravam então os “syseyros e requeredores dos
outros direitos com os quoais se não podem aviir”. Disto mesmo se queixaram a
D. Afonso V “hos homens bons da vila de Montemoor-o-velho”, a quem, após a
morte do infante D. Pedro, a 20 de maio de 1449, fora concedido o privilégio de
fazer feira, solicitando-lhe que a mesma mudasse para desde quatro dias antes
até quatro dias depois de Santa Maria de setembro. A resposta do monarca não
tardou, garantindo, por carta de 5 de julho de 1453, não só a alteração da data
da sua realização para o período compreendido entre 4 e 12 de setembro, bem como
a manutenção de “todolos privilegios, franquezas e lyberdades contidas no
privylegio que ha dita feira temos outorguado”.
A
partir dos pedidos deste concelho às cortes no tempo deste monarca, descobrimos
“todo o quadro de uma vila comercial animada”, porque, como aí é dito, a vila
estava perto da foz do Mondego e na comarca achavam-se “muitos mercadores
proveitosos”. De facto, de fora da vila e do seu termo chegavam, vindos de
outras feiras, mercadores itinerantes, tantas vezes judeus ou mouros, que, com
os produtos mais raros e variados, traziam também as novidades do reino ou de
fora dele. “São mercadores de pescado que tocam no porto da vila, são os panos
de Castela que chegam à feira, é a madeira que o rio carreia até à vila, para
melhorar as casas dos seus habitantes. O concelho, defendendo os seus
interesses comerciais, agrava-se e pede remédio para as exorbitâncias dos
funcionários régios na cobrança dos impostos. Para além disso, e apercebendo-se
bem de quanto lhe é favorável a animação da fachada marítima, requer que a
entrada na foz do Mondego seja franqueada, para chamar aí os navios e gentes,
uma vez que a costa é brava e perigosa e só este incentivo os atrairia”.
Apesar
dos muitos privilégios de que fruíam todos os que aí vinham negociar, os
rendimentos proporcionados por esta feira deveriam ser já bastante elevados
nesta altura, pois, a 15 de março de 1455, encontramos D. Afonso V a outorgar a
D. Isabel de Urgel, viúva do infante D. Pedro, uma tença anual de 120.000 reais
brancos, para auxílio da sua manutenção e ainda do sustento de sua filha D.
Catarina que vivia consigo na sua casa, pagos com base nas receitas das sisas e
da feira de Montemor-o-Velho e ainda das sisas de Tentúgal.
BUARCOS - CAPELA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
Situa-se no largo de Nossa Senhora da Conceição, junto da antiga Praça de Buarcos, “e é tão antiga que não há memória da sua ereção”.
Construída, provavelmente, na primeira metade do século XVI, sofreu diversas alterações nos séculos XVIII e XIX.
A ombreira da porta lateral esquerda indica o ano de 1536, mas não sabemos se esta data corresponde à fundação da Igreja ou ao ano em que foi edificado o portal.
Originalmente dedicada a Nossa Senhora das Ribas, “por ser fundada sobre uma ribanceira junto da Costa do Mar”, foi devotada a Nossa Senhora da Conceição no século XVII, após a consagração do reino de Portugal à Imaculada Conceição em 1646, por iniciativa de D. João IV.
As fachadas da capela têm embasamento proeminente, provocado, possivelmente, pelo rebaixamento da cota da Avenida 5 de Outubro.
As três portas exteriores mantêm o traço quinhentista, com obreiras molduradas, friso e cornija.
A capela de Nossa Senhora da Conceição tem planta retangular, com uma única nave, duas capelas e uma capela mor.
Tem
tribuna na capela mor e dois altares colaterais.
O altar mor é dedicado a Nossa Senhora da Conceição, o altar colateral da parte do Evangelho é de Santo Cristo (Senhor Jesus dos Pescadores) e o altar colateral da parte da epístola é dedicado a S. João Batista.
O altar mor tem a imagem de Nossa Senhora da Conceição e os altares colaterais as imagens de Nossa Senhora de Guadalupe, S. João Batista e S. Sebastião.
Os
retábulos de talha dourada dos três altares são do final do século XVII ou do
início do século XVIII.
O retábulo principal, de colunas torcidas e com pâmpanos (ramos jovens de uma parreira), representa um bom trabalho de talha dourada setecentista.
No corpo da nave, do lado do Evangelho, existe um púlpito quinhentista que proveio da capela de Santa Cruz dos Redondos quando esta foi demolida em 1911.
(A capela de Santa Cruz dos Redondos situava-se no local da atual Escola do 1.º Ciclo do Castelo; foi demolida pelo fervor republicano e anticlerical da época).
O referido púlpito, de planta circular, belíssimo, está ornamentado com querubins (anjos mensageiros de Deus, símbolos da justiça divina).
Em 1602, quando do incêndio e saque de Buarcos pelos ingleses, foi a capela de Nossa Senhora da Conceição despojada das suas melhores relíquias.
As paredes interiores estão revestidas com azulejos azuis e brancos, representando albarradas e balaústres. Os azulejos que ladeiam o arco triunfal representam balaústres a enquadrar figuras com cornucópias de flores.
Sobre
o arco triunfal, ao centro, existe um painel com a imagem de Nossa Senhora da
Conceição, datado de 1714, correspondendo provavelmente à data da realização de
todo o revestimento de azulejos da capela, apresentando a seguinte inscrição:
"
ESTA OBRA MANDOU FAZER O DOUTOR DUARTE DE BRITO, ERA DE 1714".
Foi Duarte de Brito um famoso médico de Buarcos, casado nesta Capela do Nossa Senhora da Conceição, com Antónia de Freitas Cavaleira, em 17 de março de 1687, e aqui sepultado em 9 de agosto de 1717.
Em
1721, o capitão Damião dos Reis Coelho, juiz ordinário de Buarcos, em notícia
sobre esta vila, fala da capela de Nossa Senhora da Conceição considerando-a
como o maior templo da vila, antes da construção da Igreja de São Pedro, e
referindo que nela estava colocada uma confraria de S. Sebastião:
“Há
na mesma villa a hermida de n. S.ª da Conceição, a qual antes da dita Igreja de
S. Pedro, foi a Igreja maior da dita villa, e naquele tempo se chamava N. S.ª
das Ribas, na qual hoje he hua Irmandade secular erecta auctoritate ordinarii
no ano de 1716. Nesta hermida há também hua confraria de S. Sebastião ahi
colocada”.
(São
Sebastião foi um mártir e soldado romano, com enorme popularidade a partir da
Idade Média, o protetor tradicional contra a peste, a fome e a guerra).
Por
sua vez, nas memórias paroquiais de Buarcos de 1721, refere-se na página 297 do
tomo II do Dicionário Geográfico do Padre Luiz Cardoso:
“Acham-se
dentro da vila duas Ermidas, uma de N. S. da Conceição, com Tribuna na Capela
mor e dois Altares, um da parte do Evangelho com as Imagens de N. S. Guadalupe,
S. João Baptista e S. Sebastião. Outra de N. S.ª do Rosário com um só Altar,
onde estão colocadas as imagens de N. Senhora e S. Pedro Gonçalves, com sua
Irmandade dos homens do mar.”
Nas
mesmas memórias de 1721 informou o Vigário Manoel de Carvalho:
“Acha-se
nesta dita vila uma ermida de Nossa Senhora da Conceição fundada pelo mesmo
povo e frequentada do mesmo com devoção particular, e consta do Livro dos
Registos da Confraria de S. Fr. Pedro Gonçalves Corpo Santo ter a invocação no
seu princípio a d.ª Ermida de Santa Maria das Ribas por ser fundada sobre uma
ribanceira junto da Costa do Mar aonde hoje há Muralhas, e forte para
conservação, da d.ª V.ª e é tão antiga que não há memória da sua ereção”.
Trinta
e sete anos depois, nas Memórias Paroquiais de 1758, o vigário José Ceya Curado
referiu-se também a esta capela (Dicionário Geográfico do Padre Luiz Cardoso,
volume 7, nº 85, pág. 1293 a 1298):
“Tem
esta dita freguesia duas Capelas, ou Ermidas pertencentes ao Povo dela, e estão
situadas dentro da mesma Vila e freguesia, uma de Nossa Senhora da Conceição
com o Altar Mor e dois colaterais, o Altar Mor é, e tem Nossa Senhora da
Conceição, o colateral da parte do Evangelho do Santo Cristo, o Colateral da
parte da epístola São Sebastião, e nele se acham colocados Nossa Senhora do
Guadalupe e São João Batista, a outra de Nossa Senhora do Rosário com um só
Altar, em que está a dita Senhora e nos lados São Francisco Xavier e Sâo Frei
Pedro Gonçalves chamado Corpo Santo.”
Em
1961 a Capela de Nossa Senhora da Conceição foi classificada como IIP - Imóvel
de Interesse Público (Decreto n.º 44 075, DG, I Série, n.º 281, de 5-12-1961).
Em
1966 foi pedida a sua desclassificação, porque se pretendia a beneficiação da
"curva da Fortaleza de Buarcos".
Contudo,
em 15 de dezembro do mesmo ano, o Ministério da Educação Nacional manteve a
classificação da capela.
Em
1979, quando a capela ameaçava ruína, foi reconstruída a sua cobertura, em 1980
foi reparada a instalação elétrica, em 1981/82 houve obras gerais de
conservação e em 2005 procedeu-se à sua iluminação.
No
dia 29 de setembro de 2016 foi assinado um contrato de financiamento e execução
das “Obras de Reabilitação da Capela de Nossa Senhora da Conceição de Buarcos”,
na sequência da aprovação, ao abrigo do Regulamento do Programa de Equipamentos
Urbanos de Utilização Coletiva, da candidatura apresentada pela Fábrica da
Igreja Paroquial de Buarcos.
O
contrato, homologado por Sua Excelência o Secretário de Estado das Autarquias
Locais, Carlos Miguel, que presidiu à cerimónia, foi assinado pela
Diretora-Geral da Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL), Dra. Lucília
Ferra; pela Dra. Maria José Castanheira Neves, em representação da presidente
da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, pela Doutora
Ana Abrunhosa, e pelo presidente da Fábrica da Igreja Paroquial de Buarcos,
Padre Carlos Noronha Lopes.
As
obras atingiram o custo de €53.890,00, comparticipado em 70% pela DGAL, e o
remanescente foi assegurado pela Fábrica da Igreja Paroquial de Buarcos ou, de
forma subsidiária, pela Câmara Municipal da Figueira da Foz.
Hoje (24 set.) é o seu dia. O dia da minha mãe.
Talvez
tenhamos isso em comum. Sentimos demais. Não sabemos sentir de outra forma.
Vivemos tudo com uma intensidade que nem sempre os outros compreendem. Talvez
seja isso que nos torna, ao mesmo tempo, vulneráveis e fortes, frágeis e
resistentes, um pouco loucas e profundamente inteiras.
Temos
tanto de semelhante quanto de diferente. E isso também faz parte da nossa
história.
Esta
é a minha mãe. Aquela de quem estive afastada durante tantos anos e que a vida,
ou talvez o universo, me devolveu há três. Desde então, temos vivido os nossos
altos e baixos. Nem sempre estamos de acordo, mas que graça teria se
estivéssemos? O amor também se constrói nas diferenças, nos desencontros e na
vontade de continuar.
Hoje
sei que posso contar com ela. E, nestes últimos anos, a sua presença e o seu
apoio tornaram-se ainda mais visíveis e importantes para mim.
Esta
mulher, a quem devo a vida, completa hoje 70 anos.
Desejo-te
um novo ciclo mais sereno e feliz. Um ciclo cheio de saúde, luz e amor. E
desejo, acima de tudo, continuar cá, ao teu lado, para a ver viver muitas
outras voltas ao sol.
Parabéns, mãe. Que a vida seja, finalmente, mais doce contigo.
Texto de resposta a uma publicação da
TVI sobre Renato Seabra. Enviei, também, via e-mail, para a redação. A constante
repetição da publicação mete-me nojo!
(Peço desculpa por falar em nome de
quase todos os Cantanhedenses, mas senti essa obrigação.)
Deixem o Renato em paz! Fui professor na
escola onde o Renato estudou, fui paciente da irmã do Renato, tenho familiares
que foram colegas de curso da mãe e do pai do Renato, conheço-os, vivo na
cidade do Renato e há algo que estas situações panfletárias, que nada se
relacionam com informação, não conseguem transformar: a união que é unânime em
relação ao amor que temos pelo Renato.
Cantanhede sofre com a situação do
Renato. Aqui nasceu, aqui cresceu, perto daqui fez o seu curso superior, aqui
tem os seus muitos amigos e aqui esperamos o Renato para o abraçar.
Não são estas tentativas de audiências
que nos farão demover do amor que temos por este homem, que é um de nós e está a
pagar pelo que teve o infortúnio de cometer. Saberá Deus porquê!
Nós temos a nossa opinião e falamos dela
só entre nós, pois sabemos que o Renato era um bom menino, um bom adolescente e
será um bom homem.
Talvez haja malandrices que um jovem não
consiga ver, porque é jovem!
A família e os amigos do Renato não
merecem a tortura que estes constantes vómitos jornalísticos lhes/nos provocam.
É uma família com toda a dignidade,
gente honrada e trabalhadora que merece respeito. O que vos pedimos é o mínimo
que se exige a quem começa a ter entendimento: tenham empatia por quem sofre
com golpes fatais! Não é pedir muito, é pedir algo que deveria ser exigido por
vós, ao colocar nas redes sociais algo que não interessa a ninguém, que
abominamos pelo propósito com que são colocados, pela ausência total de
humanismo.
Em meu nome e, creio, no nome da quase
totalidade dos meus conterrâneos, calai-vos com estas aleivosias.
Quanto à família do Renato, não tenho
palavras para descrever a dignidade que têm, e sou professor de Português.
Tenham vergonha!
Sob a Chuva de Outono, a Vida Renasce
Era
um dia de outono como muitos outros que acontecem todos os anos. Após meses de secura,
a primeira chuva começava a cair prateada sobre as folhas amarelecidas da
floresta. As aves de corpo franzino chilreavam felizes na natureza que, após os
incêndios, começava a renovar-se. O fogo havia destruído os seus ninhos e
sonhos, mas não a sua capacidade de sobrevivência. Imerso num sono profundo, um
papagaio desfrutava da tranquilidade do bosque que se renovava a cada minuto. A
vontade de fugir, antes tão presente, desaparecia, e nos corações dos animais
da floresta ardiam chamas de esperança, alimentadas pela promessa de um novo
amanhecer.
Outrora,
o olhar atento
descobria, ainda ao longe,
aqui uma palmeira, um
sino mais além,
um muro que tão bem
conhecíamos,
pelas flores aí
dependuradas,
um largo eternamente
feliz
onde demoradamente
brincávamos,
as heras viçosas que
cobriam muros e muralhas,
trepadeiras cheirosas
que tombavam
das fachadas e
oscilavam com a brisa…
E depois, ficava o
verde, só o verde a perder de vista,
o verde dos campos
férteis,
esse verde que viria a
ser dourado…
exibindo a cor da
fartura,
da riqueza das gentes
humildes,
mas trabalhadoras e
orgulhosas do seu labor…
Hoje a idade é outra…
Mas o olhar mantém-se
inalterável,
atento a tudo…
É igual o fascínio
desde sempre sentido,
desde o tempo da
criança feliz
que sempre reencontra o
paraíso…
nesse regresso à casa
nunca esquecida,
à casa cuja magia nunca
se perdeu …
E todo o passado
regressa intacto e inalterado.
Verdes campos, vastos e
serenos,
onde o vento dança
entre as folhas,
e a terra respira em
silêncio,
como se guardasse
segredos do mundo.
Nos verdes campos,
as flores brotam como
estrelas tímidas,
colorindo o chão com
suas cores,
é o abraço da terra
que acolhe tudo o que
lá nasce.
O céu, de um azul sem
fim,.
olha de longe, atento e
sereno,
como um guardião do que
é puro.
Os verdes campos são
mais que paisagem,
são um refúgio da alma,
um lugar onde o coração
encontra paz,
onde se aprende, no seu
silêncio,
que a beleza não está
nas coisas,
mas na quietude de um
instante.
Ali, não há pressa,
não há agitação,
apenas o ritmo do vento
e o sussurro das folhas
que contam histórias.
E é ali, entre as cores
e os aromas,
que compreendo que o
mundo é simples,
feito de vida, terra e
amor.
QUEM ÉS TU?
Quem és tu que
pressinto no luar branco da noite?
Que andas levemente
sobre todas as estrelas,
que as acordas uma a
uma… todas elas!…
Para que rasguem o
manto pesado da escuridão.
Vens mansamente estender-me
a tua mão,
numa plenitude cálida e
doce que me adormece…
Num sono profundo e
calmo… povoado de sonhos,
onde tu apareces como
uma fonte ou um rio,
uma floresta ou uma
montanha… onde voo a par contigo!
E passamos o rumor de
poentes e todos os horizontes
do silêncio… dos
jardins mais outonais!
Onde rosas e tulipas…
me cantam madrigais…
Quem és tu que vens até
mim de mansinho?
aquele que pressinto no
luar branco da noite.
Que andas levemente
sobre todas as estrelas…
E fazes jorrar a água
cristalina de todas as fontes?
Quem és tu que me
adormeces e me fazes sonhar?
que trazes as tuas mãos
cheias da luz do luar?
E voas comigo por sobre
todos os mares?
E fazes jorrar a água
mais pura e mais cristalina
de todas as fontes?...
SINOPSE
Em Março de 2022, o tempo e a duração da
Democracia ultrapassou o da Ditadura Militar e do regime do Estado Novo.
Implantada por um golpe militar em 28 de Maio de 1926, seria um outro movimento
militar que, ao fim de 48 anos, a 25 de Abril de 1974, haveria de derrubar a
ditadura estado-novista e abrir as portas à Revolução Portuguesa de 1974-1975 e
à Democracia institucionalizada pela Constituição de 1976. Por isso mesmo,
iniciam-se agora as comemorações do cinquentenário do «25 de Abril», que se
prolongam até 2026.
este contexto oportuno, publica-se esta
obra que reúne as mais recentes contribuições académicas sobre as várias
vertentes do processo revolucionário, desde as origens do golpe militar até ao
desenrolar dos principais confrontos políticos, o poder popular, a Reforma
Agrária, os impactos económicos, a descolonização, a política externa e até a
canção de protesto, cruzando a reflexão de intervenientes directos nos
acontecimentos com a pesquisa mais recente dos vários investigadores.
LIVRO CONSTRUÍDO A PARTIR DO SEMINÁRIO
SOBRE A REVOLUÇÃO PORTUGUESA DE 1974-1975 COORDENADO POR FERNANDO ROSAS
(SET-DEZ 2021, INSTITUTO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA NOVA/FCSH).
COM TEXTOS DE:
Fernando Rosas
Maria Inácia Rezola
Manuel Loff
Albérico Afonso Costa
Fernando Oliveira Baptista
Ricardo Noronha
Hugo Castro
Pezarat Correia
Pedro Aires Oliveira
Jorge
Palma morreu a 21 de Setembro de 2026, aos 76 anos. Com uma carreira de mais de
cinco décadas, deixou uma obra extensa e diversificada, marcada por canções que
atravessaram gerações e passaram a fazer parte da memória da música portuguesa.
De “Frágil” a “Bairro do Amor”, de “Deixa-me Rir” a “Estrela do Mar”, passando
por “Encosta-te a Mim”, “Dá-me Lume” e muitas outras, Jorge Palma escreveu uma
parte importante da banda sonora de várias gerações. A sua carreira começou
ainda jovem, ligada inicialmente ao piano e a diferentes grupos, e prolongou-se
por mais de meio século de composição, interpretação e colaboração com outros
músicos. Em 2026, poucos meses antes da sua morte, recebeu o Prémio Carreira
dos PLAY — Prémios da Música Portuguesa. Hoje, o Música com História presta-lhe
homenagem reunindo várias das suas canções num único vídeo. Não pretendemos
resumir uma carreira tão longa nem escolher “a” melhor canção de Jorge Palma.
Queremos simplesmente recordar algumas das músicas que ficaram e continuar a
ouvi-las.
Obrigado,
Jorge Palma.
