Número total de visualizações de páginas

sábado, outubro 31

BARCAÇA_73

 


Hoje, uma vez mais, navegamos pelas águas, por vezes revoltas, do nosso Mondego, mas sempre com o rumo firme e bem definido. Levamos até si as palavras e os sentimentos dos nossos estimados colaboradores, que, por meio dos seus textos, nos presenteiam com memórias, emoções e reflexões que muito nos orgulham e comovem.

Seguimos esta viagem com dedicação, orgulho e profunda estima, mantendo viva a ligação às nossas gentes, às nossas raízes e à terra que tanto amamos.

TEXTO DE MEMÓRIAS

Saudade e amor à terra.

Montemor-o-Velho é uma terra de história, tradições e memórias, onde o Mondego e o majestoso castelo são testemunhas da vida de gerações. O trabalho árduo dos campos, os carros de bois, as bateiras, os pescadores e os amores de antigamente fazem parte de um passado cheio de sacrifícios, simplicidade e paixão.

Embora os tempos tenham mudado e muitos costumes desaparecido, permanece viva a alma de Montemor, feita da coragem das suas gentes, das recordações e do amor às suas raízes.

Porque Montemor-o-Velho não é apenas uma terra, é um sentimento que vive no coração de quem a ama. Um lugar onde a saudade nunca morre e o amor perdura para sempre. 

Mário Silva - 600 Anos da Feira Anual de Montemor-o-Velho (1426–2026) | Parte III

A Feira Anual de Montemor-o-Velho foi, ao longo dos séculos, um importante centro de comércio, riqueza e desenvolvimento económico, afirmando a vila como uma das mais prestigiadas do reino.

Desde o século XV, Montemor-o-Velho defendeu os seus direitos e privilégios junto dos reis, garantindo condições favoráveis aos comerciantes e à população. D. João II, D. Manuel I e D. João III contribuiu para a preservação e consolidação desta importante tradição.

Na feira, comercializava-se uma enorme diversidade de produtos, desde cereais, vinhos, frutas, tecidos e animais até especiarias, metais e artigos de luxo, demonstrando a prosperidade e a importância comercial da vila.

Seis séculos depois, celebrar esta feira é homenagear a história, o trabalho e o espírito empreendedor das gentes de Montemor-o-Velho, preservando uma herança que continua a ser motivo de orgulho para toda a região. 

Carla M. Henriques - A Importância de Falar Sobre a Depressão e a Saúde Mental 

Num texto profundo e sensível, Carla M. Henriques convida-nos a refletir sobre a importância de falar abertamente da depressão, da dor emocional e da saúde mental, sem medos, preconceitos ou julgamentos.

Recorda-nos que nem todas as feridas são visíveis e que, por detrás de um sorriso, podem existir grandes sofrimentos. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas um passo importante que merece respeito, compreensão e carinho.

Uma mensagem de humanidade e empatia, que nos lembra que ninguém deveria sentir vergonha de dizer «não estou bem». Porque, muitas vezes, mais importante do que encontrar respostas é saber escutar, compreender e estar presente.

Crônicas de Viagem | Carta para Amélie
Texto de António Girão. 

Numa carta profundamente emotiva e dolorosa, António Girão recorda a partida trágica de Amélie, uma jovem de apenas 16 anos, convidando-nos a refletir sobre a importância da atenção, do amor e da compreensão na vida dos nossos jovens.

O autor alerta para uma sociedade demasiadamente preocupada com resultados, ambições e aparências, em que a família e a escola nem sempre conseguem reconhecer o sofrimento silencioso de quem mais precisa de apoio.

Uma mensagem comovente e um apelo à consciência de todos nós: é preciso saber parar, ouvir, compreender e cuidar dos nossos jovens, antes que o silêncio e a dor se transformem em perdas irreparáveis. Porque nenhuma vida deve passar despercebida e nenhum pedido de ajuda deve ficar sem resposta.

Com texto de Maria Forte,

Há quem esteja sempre. E nunca tenha estado.

Num texto profundo, reflexivo e marcado por uma subtil ironia, o autor convida-nos a pensar sobre a diferença entre estar presente e fazer verdadeiramente a diferença na vida dos outros.

Tendo Montemor-o-Velho como cenário, critica a procura excessiva de protagonismo, reconhecimento e visibilidade, lembrando que o verdadeiro valor das pessoas não está nos cargos que ocupam, nas fotografias em que aparecem ou nos discursos que fazem, mas na honestidade, na generosidade e nas ações que deixam marcas positivas na comunidade.

Uma reflexão sobre o caráter, a humildade e o verdadeiro sentido de servir. Porque o que realmente importa não é o tempo que permanecemos num lugar, mas aquilo que deixamos no coração das pessoas quando partimos.

Uma Estrada, Duas Solidões.

Num texto sensível e comovente, Maria Rama retrata a caminhada de um sem-abrigo e do seu fiel cão Rosais, companheiros inseparáveis numa vida marcada pela solidão, pelas dificuldades e pela esperança.

A autora reflete sobre as diferentes formas de solidão, lembrando que também podemos sentir-nos sós mesmo estando acompanhados. Num gesto de humanidade e solidariedade, oferece abrigo momentâneo, carinho e uma refeição quente a quem tanto precisa.

Uma bela mensagem de empatia, generosidade e esperança, que nos recorda que, por vezes, um simples gesto de bondade pode iluminar os caminhos mais difíceis da vida.

O Castelo, Entre a Madrugada e o Pôr do Sol

Poema de Garça Real

Num poema de grande beleza e sensibilidade, Garça Real conduz-nos numa viagem poética pela imponência de um castelo medieval, acompanhando-o desde a serenidade da madrugada até aos tons dourados e alaranjados do pôr do sol.

Entre o canto dos pássaros, a luz do dia e as sombras do entardecer, o castelo ergue-se majestoso, guardando nas suas muralhas histórias, lendas e memórias de outros tempos.

Uma homenagem poética à beleza, à história e à eternidade de um monumento que resiste à passagem dos séculos, mantendo viva a memória do passado e a esperança de um novo amanhã. 

Isabel Capinha – “Halloween: Muito mais do que uma fantasia…”

Para Isabel Capinha, o Halloween é muito mais do que vestir uma fantasia de bruxinha. É uma oportunidade de libertar a imaginação, sonhar e acreditar na magia.

Mas a verdadeira magia não está nos feitiços, e sim na capacidade de transformar o mundo através do amor, da paz, do respeito e da solidariedade.

Com a sensibilidade de quem mantém viva a criança sonhadora dentro de si, Isabel deixa uma bonita mensagem: o maior feitiço que podemos desejar é um mundo sem ódio, sem guerras e onde nunca faltem amor, paz e humanidade.

Porque a verdadeira magia está no coração de cada um de nós.

Tanto Céu e Tanto Mar...

Poema de Isabel Tavares

Num poema de grande beleza e sensibilidade, Isabel Tavares convida-nos a contemplar a imensidão do céu, da terra e do mar, despertando sentimentos de admiração, mistério e encantamento perante as maravilhas da natureza e do universo.

Entre o brilho do sol, as estrelas, os planetas e os mistérios ainda por descobrir, a poetisa reflete sobre a pequenez do ser humano perante tamanha grandiosidade e sobre a eterna curiosidade de conhecer o desconhecido.

Uma bela reflexão poética sobre a vida, os sonhos e os mistérios do universo, lembrando-nos que, por mais que descubramos, haverá sempre novos horizontes para contemplar e perguntas por responder... para lá de tanto céu e tanto mar. 

SAUDADE E AMOR. À TERRA

Montemor-o-Velho — Terra de Gentes, de Amor e de Paixão.

Onde o Mondego guarda memórias e o coração nunca esquece as suas raízes.

Há terras que se visitam, há terras que se admiram, mas há terras que se levam para sempre dentro do coração. Montemor-o-Velho é uma dessas terras. Terra de história, de tradições, de gente humilde e trabalhadora, de mãos calejadas, de rostos marcados pelo sol e pelo tempo, mas de corações grandes, cheios de amor, coragem e paixão.

Quem conheceu o Montemor de outros tempos ainda guarda na memória o chiar das rodas dos carros de bois, que percorriam lentamente os caminhos de terra batida, carregados com os frutos do trabalho dos campos. À frente, os bois caminhavam devagar, como se soubessem que a vida não precisava de tanta pressa. Atrás, homens de chapéu na cabeça, mãos firmes e olhar cansado, levavam consigo o sustento da família e a esperança de um amanhã melhor.

E havia o Mondego, esse rio tão nosso, companheiro de tantas gerações, testemunha silenciosa de alegrias, tristezas, encontros e despedidas.

Nas suas águas navegavam as barcaças, carregadas de mercadorias, de sonhos e de histórias. As bateiras deslizavam suavemente pelo rio, conduzidas por homens que conheciam cada corrente, cada curva, cada segredo daquelas águas. Eram homens de coragem, que enfrentavam o frio das madrugadas, a força das correntes e as incertezas de cada dia.

A pesca no rio era mais do que um trabalho. Era uma forma de viver. As redes lançadas à água, as mãos molhadas, o silêncio da espera e a alegria de uma boa pescaria faziam parte de uma vida simples, mas cheia de dignidade. O peixe que o Mondego oferecia ajudava a matar a fome e a alimentar a esperança de muitas famílias.

E as mulheres de Montemor? Ah, essas mulheres de outros tempos! Mulheres de fibra, de avental à cintura e lenço na cabeça, que trabalhavam de sol a sol, cuidavam dos filhos, da casa e da terra. Mulheres que sabiam transformar pouco em muito, que escondiam as lágrimas para não entristecer os seus e que tinham sempre uma palavra de carinho, um pedaço de pão e um abraço para oferecer.

Havia também os amores de antigamente...

Amores que nasciam num simples cruzar de olhares, numa festa da terra, à saída da igreja, junto aos campos ou nas margens do Mondego. Amores feitos de cartas guardadas em segredo, de mãos que se tocavam timidamente, de promessas feitas ao luar e de corações que batiam mais depressa à espera de um encontro.

Quantas histórias de amor terão começado junto ao rio? Quantos beijos terão sido roubados à sombra das árvores? Quantas lágrimas terão caído nas águas do Mondego por um amor distante ou por uma paixão impossível?

Naqueles tempos, amar era muitas vezes esperar. Era guardar saudades, era sonhar em silêncio, era prometer uma vida inteira com um simples olhar.

E lá no alto, o majestoso Castelo de Montemor-o-Velho, senhor de tantos séculos, observava tudo. Via os carros de bois passar, os homens regressar dos campos, as barcaças seguir o seu caminho e os namorados fazer promessas de amor eterno. As suas muralhas guardavam, e continuam a guardar, as histórias de um povo que nunca deixou de amar a sua terra.

O tempo passou...

Os carros de bois deixaram de chiar pelos caminhos. Muitas barcaças desapareceram das águas do rio. As bateiras já não fazem parte da vida quotidiana como outrora. Os velhos pescadores partiram, levando consigo histórias que nem sempre ficaram escritas. Os caminhos mudaram, as casas transformaram-se e muitas vozes que enchiam as ruas calaram-se para sempre.

Mas há uma coisa que o tempo não conseguiu levar: a alma de Montemor-o-Velho.

Essa continua viva nas lembranças dos mais velhos, nas histórias contadas de pais para filhos, nas fotografias amarelecidas pelo tempo, nas tradições que resistem e no coração de todos aqueles que sentem orgulho das suas origens.

Porque Montemor-o-Velho não é apenas um castelo, um rio, campos férteis ou ruas antigas.

Montemor-o-Velho é gente. É suor. É sacrifício. É saudade. É amor. É paixão.

É a memória de um pai que regressava cansado do trabalho. É o carinho de uma mãe que esperava à porta. É o avô que contava histórias junto à lareira. É a avó que rezava baixinho pelos seus. É o rapaz que sonhava com a rapariga da sua vida. É a menina que esperava, de coração apertado, pelo regresso do seu amor.

É o som das rodas dos carros de bois, o bater dos remos nas águas do Mondego, o canto dos pássaros ao amanhecer e o cheiro da terra molhada depois da chuva.

E quando a saudade aperta, parece que ainda conseguimos ouvir as vozes daqueles que já partiram, sentir os passos de quem percorreu os nossos caminhos e ver, ao longe, uma bateira a deslizar lentamente pelo rio, levando consigo pedaços de um tempo que nunca mais voltará.

Montemor-o-Velho, minha terra de encanto, de memórias e de paixão...

Podem passar os anos, podem mudar os tempos, podem desaparecer os velhos costumes, mas, enquanto houver alguém que conte estas histórias, enquanto houver um coração que se emocione ao ouvir o teu nome, o teu passado nunca morrerá.

Porque as terras também têm alma. E a tua, Montemor, é feita da grandeza das tuas gentes, da beleza do teu Mondego e do amor de tantas gerações.

E se um dia me perguntarem onde mora a saudade, eu responderei sem hesitar: mora nas águas do Mondego, nos caminhos antigos, nas muralhas do castelo e no coração de quem ama Montemor-o-Velho.

Porque há amores que o tempo não apaga, há memórias que a vida não leva e há terras que nunca deixam de ser nossas.

Montemor-o-Velho, ontem, hoje e para sempre... um amor que não tem fim. ❤️

Nos 600 anos da Feira Anual de Montemor-o-Velho (1426-2026) 

PARTE III

Assumindo uma posição de destaque no Baixo Mondego e no todo nacional – no século XV já ocupava um prestigiante lugar no quinto banco das cortes, sentando-se ao lado de povoações como Faro e Ponte de Lima, e à frente de outras como Castelo Branco, Aveiro, Sintra ou mesmo Setúbal – a vila de Montemor-o-Velho nunca deixou de pugnar pelos seus direitos e privilégios, levando a sua voz, através de procuradores eleitos de entre a elite municipal, até às cortes. Assim aconteceu nas cortes de Évora-Viana de 1481-1482, quando os seus procuradores apresentam a D. João II um rol de queixas sobre o funcionamento da feira: “A primeira tocava à sisa, e a este respeito dizia que el-rei D. João I fizera mercê ao infante D. Pedro, seu filho, senhor da villa, que houvesse ahi para sempre uma feira real, e deu-lhe muitas liberdades e franquezas, entre ellas a de não se pagar mais de meia sisa das mercadorias trazidas à feira, salvo carnes de talho e vinho atavernado. Assim se manteve sempre a concessão até que modernamente os mercadores dos pannos de Castella, não sabia o concelho se por favor dos contadores, se por outra maneira, levavam a sisa inteira dos pannos que vendiam. Instava, pois o capítulo pela observancia d’aquelle privilegio, e proseguia dizendo que, em razão de vir a esta feira muita gente, o infante ordenara que todos os moradores do termo trouxessem mantimentos para se governarem os concorrentes (como os de Seiça, que a ela deveriam acorrer com tudo o que tivessem para vender ou por tudo quanto precisassem de comprar), mas, havia pouco tempo, o mosteiro de Santa Cruz e o bispo de Coimbra prohibiram aos do seu senhorio que os levassem, e só por si a villa não podia supprir. Em conclusão insistia em que todos os do termo, sem excepção dos do mosteiro e do bispo, cumprissem o que fôra determinado pelo infante (ainda que a carta de D. João I nada preceituasse a tal respeito). Attende o rei o pedido mandando que se guarde á villa o seu privilegio, e se contra elle lhe forem tome instrumento com resposta de quem lh’o não guardar”.

Em 20 de agosto de 1516, D. Manuel I, depois de em 1502 ter confirmado os privilégios da feira, determinando que os panos de Castela que a ela viessem não pagassem mais de meia sisa, concede um novo foral a Montemor-o-Velho, atualizando, deste modo, os proventos que lhe eram devidos, em terra, rio e mar, por um concelho em franco desenvolvimento. Uma análise cuidada dos tributos da dízima e da portagem ou mesmo das suas isenções, permitem-nos percecionar um quadro quotidiano de vivo comércio por toda a vila. Por ela circulavam todos os produtos que satisfaziam não só as necessidades básicas dos homens, mas largamente as excediam, remetendo-nos para uma “sociedade de um certo bom gosto e luxo a ombrear com as mais notáveis do reino”.

Entre os principais géneros e bens trocados na vila, feira incluída, tínhamos: cereais, inventariando-se o trigo, cevada, centeio, milho, painço, aveia e a farinha deles derivada; linho; vinho; vinagre; sal; cal; frutas e legumes secos, arrolando-se as castanhas, nozes, amêndoas, pinhões por britar, avelãs, boletas, ameixas, figos e uvas passadas, mostarda e lentilhas; fruta verde, como laranjas, cidras, peras, cerejas, melões, uvas e figos; hortaliça; coisas miúdas de mercearia e botica, numa comum mistura entre condimentos e mezinhas, discriminando-se a pimenta, canela e outras especiarias, as plantas medicinais como o ruibardo, a canafístola e o estoraque, o açúcar e o mel e produtos deles derivados, os perfumes e cheiros, como a água de rosas e águas destiladas, as plantas tintureiras, como a grã Brasil, os véus e coisas de algodão e seda, os vidros, a cera, o azeite, os queijos secos, a manteiga salgada, o sebo, o unto, o pez, a resina, o breu, o sabão, o alcatrão e o sumagre; panos, de linho, lã, algodão, palma, estopa, seda e brocado, referindo-se concretamente a bragal, feltro, burel, enxerga, almáfega, mantas e todas as roupas deles feitas; palma e seus artefactos, como esteiras, alcofas, açafates e cordas, de esparto, de junca, de junco e de obras de tábua ou funcho; prata lavrada e ourivesaria; gado, identificando-se o boi, a vaca, o carneiro, o porco, o bode, a cabra e a ovelha, com as respetivas crias; toucinhos e marrãs (presuntos) inteiros; peles de coelhos, cordeiros e martas; couros, enumerando-se coiros vacaris curtidos ou por curtir, coirama em cabelo e peles inteiras ilhargadas ou de lombeiro; bestas, apontando-se cavalos, rocins, éguas, mus ou mulas, asnos e asnas; escravos e escravas; metais e seus derivados, destacando-se o aço, estanho, chumbo, latão, arame e cobre, o ferro em barra e as coisas de ferro moídas, limadas, estanhadas ou envernizadas; pedra, aludindo-se a pedra para alvenaria, a diversos tipos de mós – de barbeiro, de moinhos e atafonas, mós de mão para moer cereal e mostarda, ou as de moer casca ou azeitonas – e a mármores do levante; barro e louça de barro que podia ser vidrada, como os azulejos, ou não vidrada; alimentos, como pão cozido, biscoito e farelos, ovos, queijadas, leite e produtos dele derivados, mas sem sal; caça e aves, enumerando-se coelhos, lebres, perdizes, patos, adéis, pombos e galinhas; erva, lenha, canas, vides, carqueja, tojo, palha, e vassouras”.

Alguns anos depois, por carta de confirmação passada em 11 de dezembro de 1525, D. João III ratifica os privilégios outorgados por D. Afonso V, garantindo, deste modo, a manutenção e consolidação da Feira Anual de Montemor-o-Velho. 

FAUSTO CANICEIRO DA COSTA – O FIGUEIRENSE DOS MIL OFÍCIOS

Fausto Caniceiro da Costa nasceu em 5 de março de 1914, na Rua das Mercês, na Figueira da Foz, e faleceu a 26 de setembro de 2006, com 92 anos de idade.

Foi marceneiro, tipógrafo, serralheiro, escriturário, topógrafo, tipógrafo, chefe de lanço, teatrólogo, palhaço, imitador, mimo, músico, autarca, caricaturista, desenhador, folclorista, radialista, associativista, ilusionista, pintor, escritor, jornalista, diretor de jornal, dirigente associativo, homem de teatro, humorista, poeta popular, ilusionista, declamador e organizador dos Festivais Mágicos da Figueira da Foz.

Com 11 anos, tornou-se aprendiz de marceneiro. “Éramos cinco filhos, eu era o mais velho da ninhada e havia necessidade de ajudar. O meu pai era marceneiro e ganhava pouco… Sabe, o trabalho infantil, antigamente, era um mal necessário”, explicou Fausto Caniceiro da Costa.

Começou a ganhar 60 escudos por mês e, “como o negócio não dava para o petróleo e o patrão [o pai] não pagava”, teve ainda de se empregar numa loja de ferragens, ao mesmo tempo que estudava em regime noturno.

Foi depois tipógrafo, “onde sempre se ganhava um bocadinho melhor”, antes da tropa o chamar, aos 17 anos.

Seguidamente foi serralheiro, escriturário e topógrafo, antes de se tornar funcionário público na Direção Hidráulica do Mondego, onde foi chefe de lanço durante 46 anos, na Figueira da Foz e em Soure.

Como o vencimento era baixo, acumulou a chefia de lanço com a profissão de desenhador da construção civil.

Desenvolveu muitas atividades, sem parar, demonstrando um talento pouco comum, muitas vezes em favor de outros, com palestras, exposições de pintura, récitas de poesia, manifestações teatrais, organização de eventos culturais, palhaçadas, ilusionismos, coleta de fundos para instituições, publicação de livros, jornalista do jornal A Voz da Figueira, desde 1 de janeiro de 1956, e seu diretor interino, por simpatia e amabilidade com a sua proprietária.

O seu legado mais mediático a nível nacional foi a criação e organização dos Festivais de Magia da Figueira da Foz, o primeiro realizado em 1966 e o último a 5 outubro de 1993.

O evento ganhou rapidamente uma dimensão internacional e o Casino da Figueira da Foz tornou-se o seu palco por excelência.

Durante as décadas de 1970 e 1980, o festival funcionou como uma autêntica janela para o mundo, trazendo à cidade os maiores nomes do ilusionismo mundial, num intercâmbio cultural sem precedentes na região.

O Festival de Magia da Figueira da Foz foi um evento anual pioneiro que projetou a cidade no mundo do ilusionismo e que valeu a Fausto Caniceiro da Costa o reconhecimento informal como o "Pai dos Festivais de Magia em Portugal".

Entre 1988 e 1993, enquanto o festival da Figueira vivia os seus últimos anos, Fausto Caniceiro da Costa também canalizou a sua experiência para ajudar a organizar os Festivais de Magia da Amadora, expandindo o legado além da sua terra natal.

Colaborador de títulos da imprensa regional e nacional, autor de programas de rádio, Fausto Caniceiro da Costa ficou ainda conhecido como poeta popular humorístico e escritor.

Editou cerca de 14 livros, uns de humor, como o “Dicionário do Cão”, outros históricos, como “Monografia de Buarcos”, “Figueirenses de Ontem e de Hoje” e “Toponímia da Figueira nos Séculos XVII, XVIII, XIX e XX”.

Escreveu também obras de poesia, como “Areias Movediças”, e obras de pendor popular como “Amor com Amor se Paga”.

Escreveu ainda “Buarcos por Dentro (1880-1996) – 2ª Parte: O que ouvi. O que vivi. Contos com ficção”, um livro que retrata a vida, as memórias e as histórias de Buarcos, misturando vivências reais com contos de ficção.

Grande parte dos seus escritos foca-se no amor à sua região natal (o bairrismo figueirense), na sátira social, em memórias históricas locais e na poesia popular.

Foi diretor de várias coletividades, entre as quais três associações de bombeiros. Dedicou-se também à pintura, desenho e retrato, tendo promovido diversas exposições, oferecendo ou vendendo para fins beneficentes o produto dos seus trabalhos.

“Um homem que era uma dádiva à sociedade e um exemplo de vida”, com mais de duas dezenas de profissões no currículo, Fausto Caniceiro da Costa não parou até aos 92 anos, idade com que faleceu em 2006.

Faleceu aos 92 anos, mas não sem antes escrever uma curiosa lápide, que viria a ser a sua: "Levei a vida a brincar, e quis fazer o mesmo com a morte, mas, por azar, ela foi mais forte, e venceu, e eu perdi, mas não me convenceu, por isso estou aqui".

Alvo de várias homenagens, o Lions Clube de Santa Catarina elegeu-o “Cidadão Figueirense-2000”.

“Uma pessoa não pode controlar estas coisas… Já viu bem? “Até já sou imortal!”, comentou, emocionado, quando a Câmara Municipal da Figueira da Foz atribuiu o seu nome a uma rua de Buarcos.

Falecido em 2006, está agora “imortal” na toponímia buarquense e nas memórias figueirenses. 

Talvez fosse importante normalizar falar de depressão, sem vergonhas e sem medos. Poder dizer “não estou bem” sem recear que, a partir desse momento, tudo o que somos passe a ser visto através dessa fragilidade. Sem termos de justificar a nossa dor ou de provar que temos razões suficientes para a sentir.

Precisávamos deixar de chamar “malucos” a quem sofre, a quem carrega traumas ou a quem precisa de ajuda. Nunca sabemos inteiramente o que alguém viveu, o que precisou calar ou quanto lhe custa continuar a cumprir os seus dias. Há dores que não se veem, mesmo quando estamos perto. E há pessoas que continuam a trabalhar, a cuidar dos outros e a sorrir, enquanto procuram perceber como cuidar de si.

Tenho cada vez mais respeito por quem consegue reconhecer que precisa de ajuda. Por quem aceita olhar para dentro, mesmo com medo do que possa encontrar. Talvez nem sempre consiga explicar o que sente. Talvez lhe faltem palavras, talvez tudo pareça confuso. Ainda assim, tenta compreender as suas feridas e encontrar uma forma de viver que não doa tanto.

E também penso em quem ainda não consegue dar esse passo. Em quem tem vergonha, receio de ser julgado ou simplesmente não encontra forças para começar. Essas pessoas merecem o mesmo cuidado. Pedir ajuda pode ser difícil, e ninguém devia sentir que tem de demonstrar coragem para merecer ser ouvido.

Gostava que aprendêssemos a falar da nossa bagagem sem a transformar numa culpa. A reconhecer o que nos aconteceu, o que nos marcou e aquilo que continua a interferir na forma como nos vemos e nos relacionamos. Há coisas que não conseguimos simplesmente deixar para trás por decisão ou vontade. Precisamos de tempo, de apoio e de espaço para lhes dar outro lugar na nossa vida.

Normalizemos falar da dor, dos sentimentos e da vulnerabilidade. Mas normalizemos também escutar, sem apressar respostas, sem comparar sofrimentos, sem dizer a alguém que tem tudo para estar bem. O que se vê de fora nunca conta a história toda.

Gostava que dizer “preciso de ajuda” pudesse ser tão natural como estender a mão quando nos falta o equilíbrio. E que, do outro lado, houvesse menos julgamento e mais disponibilidade para ficar. Porque já é suficientemente difícil não estar bem. Não devíamos ter de carregar também a vergonha de o admitir.

Crónicas de Viagem

(Faz hoje 5 anos que partiu uma jovem que quis partir. Escrevi nesse dia esta carta, trocando o nome, na tentativa de que a família e a escola refletissem. Não queremos mais casos como o de Amélie.

Carta para Amélie

Amélie tinha 16 anos. Uns curtos 16 anos os que viveu, uns longos 16 anos os que sofreu. Era uma menina como todas as meninas e conhecia equações, orações, canções, transcrições, discussões, composições, ambições e contradições aos milhões. A vida, a escola, os envolventes e todas as gentes se distraíram, pois deveriam ter ensinado corações. Mas a vida é mais, a escola e mais, as gentes envolventes, em ambições doentes, não pararam para ver o que eu infelizmente vi: a tragédia que se abateu sobre Amélie!

Amélie precisaria muito menos de saber se as orações eram subordinadas ou coordenadas, se as equações tinham resolução, se as canções eram satânicas ou com versos ausentes, se as discussões se faziam “por dá cá aquela palha” sem que “parassem para pensar” e se as contradições eram o processo de educar.

Amélie deveria ter conhecido uma vida que parasse, uma escola que parasse, uma envolvência que parasse, para que Amélie não tombasse.

Mas, tombou!

Tombou a Amélie, tombou um outro que fizeram tombar, tombaram não sei quantos, porque não pararam para pensar.

Onde anda a razão da vida?! Em discussões, por que se deve amar de portas para dentro, deve-se olhar de portas para dentro e não nos devemos apaixonar como se fosse “troca de camisa”. A razão da vida anda em águas superficiais, sem ouvidos, sem olhos, na cegueira das certezas dos incertos, nas palermices dos chico-espertos, e nunca na visão antecipada da estrada daqueles que “mandámos vir ao mundo” e se perdem para o mundo até cair no poço sem fundo e sem retorno.

Onde anda a razão da escola, que deve olhar para o coração dos que ainda estão em formação e não para a avaliação que se quer para dados de embandeirar?! A razão da escola anda nas resmas que as vidas fazem avançar como se fossem lesmas. A escola não está virada para os corações dos jovens que partem, coitados; a escola quer é resultados!

E a vida?! Esta anda perdida, anda em sonhos de infâncias retardadas, sem conhecer a razão de ser de termos que olhar para dois, mais tarde três ou quatro, mas onde se intrometem outros, na javardice das infidelidades, como se isso fosse normal, até que os que vieram por ordem nossa partam desta forma cruel, novos, muito novos e fartos de sofrer!

Não, destes finais não queremos para as Amélie, para os José, para os Marco ou para quaisquer outros que sofrem sem que se veja que sofrem, que partem sem que se veja que irão partir e sem que se possa evitar a partida!

É assim!

Pois que se continue com a arrogância, a ganância e a falta de parar para pensar!

Ontem foi a Amélie, no passado foram outros e, infelizmente, outros irão!

Há quem esteja sempre. E nunca tenha estado.

Em Montemor há coisas que parecem ter um compromisso com a eternidade.

O castelo continua lá. O Mondego continua a correr. Os campos obedecem a um calendário que dispensa a nossa autorização.

E nós?

Nós continuamos extraordinariamente preocupados em estar.

Estar presentes. Estar informados. Estar nas fotografias. Nas decisões. Nos lugares certos. Ao lado das pessoas certas. De preferência, quando há alguém a fotografar.

Mas estar, para quê?

Há quem ocupe um lugar durante décadas sem verdadeiramente o habitar. Quem se sente à mesma mesa uma vida inteira sem conhecer quem tem à frente. Quem apareça em todas as fotografias da comunidade, mas desapareça quando a comunidade realmente precisa.

E há quem, sem cargos, fotografias ou discursos, deixe uma ausência que nem o tempo consegue preencher.

Vivemos obcecados com a visibilidade. Confundimos exposição com contribuição, popularidade com importância e, não raras vezes, um bom discurso com um bom caráter.

Hoje, tudo parece precisar de plateia.

A solidariedade precisa de fotografia. A generosidade, de publicação. O trabalho, de aplauso. E a humildade? Essa já tem quem a anuncie em letras maiúsculas.

Convenhamos, há quem tenha transformado a arte de aparecer numa carreira. E há quem ainda não tenha percebido que ocupar um lugar não é o mesmo que merecê-lo.

Nas terras pequenas, esta ironia ganha outro encanto.

Sabemos quem manda. Quem presidiu. Quem inaugurou. Quem discursou. Quem esteve na primeira fila e quem conseguiu aparecer na fotografia.

Mas quantos nomes sabemos daqueles que realmente fizeram a diferença?

Daqueles que ajudaram sem perguntar a quem. Que abriram portas sem esperar contrapartidas. Que trabalharam sem precisar de um microfone para anunciar a própria generosidade.

Talvez tenhamos andado a homenagear as pessoas erradas.

Ou, pelo menos, a confundir notoriedade com mérito.

Porque uma coisa é deixar o nome gravado numa pedra. Outra, bem diferente, é deixá-lo gravado na vida de alguém.

E a pedra, convenhamos, é muito mais fácil de encomendar.

O outono tem-me feito pensar nisto. Não nas folhas que caem, porque já gastámos essa metáfora até à exaustão, mas naquilo que permanece quando o cenário muda.

Quando acabam as festas. Quando se desmontam os palcos. Quando desaparecem os cartazes. Quando se fecham as portas.

Quem continua lá?

Quem aparece quando não há nada a ganhar?

Porque também há amizades com prazo de validade, lealdades que mudam de direção conforme o vento e convicções que se adaptam admiravelmente à cadeira disponível.

Há até quem defenda princípios inegociáveis… até aparecer uma proposta suficientemente interessante para os negociar.

A isto chamam, por vezes, saber estar.

Eu chamaria outra coisa. Mas não quero estragar a imaginação de quem lê.

Há muitos anos que observo pessoas. Gosto de lhes escutar as histórias, perceber as contradições e descobrir aquilo que não cabe nas apresentações formais.

E quanto mais vivo, mais me convenço de que o caráter não se revela quando estamos sob os holofotes, mas quando já não há ninguém para aplaudir.

Olho para Montemor e penso nas gerações que por ali passaram.

Nos que tiveram poder. Nos que tiveram voz. E nos que tiveram pouco mais do que as mãos para trabalhar e a palavra para honrar.

O castelo continua lá, indiferente às nossas pequenas vaidades e à passagem de tantos que um dia se julgaram indispensáveis.

Talvez seja essa a ironia mais cruel do tempo: não pede autorização para nos substituir. Nem sequer se dá ao trabalho de nos avisar.

E nenhuma terra se constrói apenas com os nomes que aparecem nas placas ou nas fotografias oficiais.

Constrói-se também com os anónimos. Com os incómodos. Com aqueles que fizeram perguntas quando era mais conveniente ficar calado. E com os que perceberam que servir uma comunidade é muito diferente de se servir dela.

No fim, talvez a permanência não se meça pelo tempo que ocupamos um lugar, mas pelo vazio que deixamos quando já não estamos nele.

Porque há pessoas que passam. Há pessoas que ficam.

E há outras que, mesmo estando sempre presentes, nunca chegaram verdadeiramente a estar.

Afinal, quando já não houver ninguém para anunciar a tua presença, o que ficará dela?

Uma Estrada, Duas Solidões. 

Numa noite de luar um sem abrigo caminha na estrada ingreme da vida com o seu cão Rosais.

Com ele partilha as amarguras da vida e o pouco que tem para dar.

Olho para ti e sinto o que sofres, na solidão da vida. Queria mostrar-te o sonho de uma terra prometida que também não tenho. E nesta ansiedade, veio-me à memória tempos em que também me senti só. Não porque tenha tido a mesma condição que tu, mas porque se pode estar só, mesmo acompanhada.

O teu caminho é sinuoso e intenso, mas tu não desistes e a cantar uma canção de esperança continuas a tua jornada lenta e vagarosamente.

Num turbilhão de ideias, convido-vos a entrar comigo na minha humilde casa para vos dar uma refeição quente. Tenho pena que te vás, com o teu fiel companheiro, mas espero que encontrem um lar perpétuo e uma encantada estrada da vida.

Na frescura orvalhada

da madrugada que rompia,

avistava-se ao longe,

envolto na penumbra,

o vulto recortado de um castelo,

feito de pedras medievais,

adornadas com as ervas

que por ali proliferam

generosamente.

Ouve-se o som discreto

de um pássaro madrugador

rasgando os ares,

timidamente,

na serenidade da manhã.

Depois, mais tarde, já o sol ia alto,

surgiu, em todo o seu esplendor,

a clara imagem do castelo,

grandioso, imponente,

orgulhoso das suas pesadas portas,

das ameias,

das torres, das vigias,

desenhando no azul do céu,

histórias e lendas

de um outro tempo,

mas ainda hoje presente,

impondo a sua marca indelével.

Ao sol poente,

recortava-se, no alaranjado do céu,

o seu perfil grandioso,

com contornos exatos, rigorosos,

bem definidos,

projetados no céu

agora aceso em fogo

e promissor,

antevendo o sol do

amanhã.

Halloween – Muito mais do que uma fantasia…

O Halloween é aquele momento mágico em que podemos dar asas à imaginação e deixar despertar a(s) bruxinha(s) que vivem na nossa alma.

Vestir de bruxinha, não é apenas pela magia da roupa, pelo chapéu ou pela fantasia, mas pela liberdade de ser, de sonhar, de brincar com a magia e de sentir que, por um dia, o mundo pode ser um lugar encantado.

Mas, se tivesse uma magia verdadeira, não seria para lançar feitiços, nem para transformar pessoas em sapos. Seria para tocar os corações, afastar o ódio, apagar as guerras, transformar a inveja em amor e a indiferença em solidariedade.

A varinha mágica seria para mudar mentalidades, ensinar as pessoas a respeitarem-se, a compreenderem-se e a viverem em harmonia.

Porque a maior magia seria transformar este mundo num verdadeiro centro de paz, onde ninguém tivesse medo, onde o amor fosse mais forte do que o ódio e onde a bondade não fosse uma exceção, mas uma forma de viver.

Por isso, sim, eu, adoro vestir-me de bruxinha!

Porque há uma menina sonhadora dentro de mim que acredita na magia, mas há também um coração que acredita que podemos fazer deste mundo um lugar melhor.

E se pudesse escolher um único feitiço, seria este: que nunca faltasse amor, paz e

humanidade no coração de ninguém.

Feliz Halloween!

TANTO CÉU E TANTO MAR...

Nas alturas

O sol despede-se

Na linha do horizonte

Brilhante e misterioso

Parece uma bola de fogo…

São dois mundos paralelos

Duas imensidões

Duas interrogações

De beleza arrebatadora…

O céu e a terra…

E nós, pequenos grãos de areia,

No meio de tanta vastidão…

Gerações e gerações…

Entre estas duas imensidões

Já contemplaram céu e terra

E se extasiaram com tanta beleza…

Sem a menor certeza …de nada

Nas entranhas da terra

Há toda uma vida por desvendar…

Há tanta terra e tanto mar

E o cabo do mundo

Onde tudo começa e acaba

As terras geladas

E os vulcões cheios de lava…

O céu tamanho…cometas,

Estrelas e planetas…constelações

E os nossos corações

Sonham…

Entre o sol e a lua

Que iluminam a nossa rua…O que há para lá

…De tanto céu e tanto mar?...

O livro da imagem é «Livro de Leitura da Primeira Classe», de Maria Luísa Torres Pires, Francisca Laura Batista e Glória N. Gusmão Morais.

Pela capa e pelas ilustrações, parece ser uma edição antiga, da década de 1960.1.ª edição é de 1967.

O livro tem, portanto, 59 anos em 2026.

Foi utilizado nas escolas primárias portuguesas durante o final dos anos 60 e os anos 70.

Ensino Primário Elementar  Livro de Leitura Da Segunda Classe 1968
Autores: Judite Vieira, Manuel Ferreira Patrício, Silva Graça, ilustradores Maria Keil e Luís Filipe De Abreu.

Edição/Editor: 1ª/ Bertrand  



Ma libertéLongtemps je t'ai gardéeComme une perle rareMa libertéC'est toi qui m'a aidéÀ larguer les amarresPour aller n'importe où, pour aller jusqu'au bout des chemins de fortunePour cueillir, en rêvant, une rose des vents sur un rayon de lune
Ma libertéDevant tes volontésMon âme était soumiseMa libertéJe t'avais tout donnéMa dernière chemiseEt combien j'ai souffertPour pouvoir satisfaire tes moindres exigencesJ'ai changé de pays, j'ai perdu mes amis pour gagner ta confiance
Ma libertéTu as su désarmerToutes mes habitudesMa libertéToi qui m'a fait aimerMême la solitudeToi qui m'as fait sourireQuand je voyais finir une belle aventureToi qui m'as protégé quand j'allais me cacher pour soigner mes blessures
Ma libertéPourtant je t'ai quittéeUne nuit de DécembreJ'ai déserté les chemins écartésQue nous suivions ensembleLorsque sans me méfierLes pieds et poings liés, je me suis laissé faireEt je t'ai trahi pour une prison d'amour et sa belle geôlièreEt je t'ai trahi pour une prison d'amour et sa belle geôlière

BARCAÇA_73

  Hoje, uma vez mais, navegamos pelas águas, por vezes revoltas, do nosso Mondego, mas sempre com o rumo firme e bem definido. Levamos até s...