Hoje,
uma vez mais, navegamos pelas águas, por vezes revoltas, do nosso Mondego, mas
sempre com o rumo firme e bem definido. Levamos até si as palavras e os
sentimentos dos nossos estimados colaboradores, que, por meio dos seus textos,
nos presenteiam com memórias, emoções e reflexões que muito nos orgulham e
comovem.
Seguimos
esta viagem com dedicação, orgulho e profunda estima, mantendo viva a ligação
às nossas gentes, às nossas raízes e à terra que tanto amamos.
TEXTO
DE MEMÓRIAS
Saudade
e amor à terra.
Montemor-o-Velho
é uma terra de história, tradições e memórias, onde o Mondego e o majestoso
castelo são testemunhas da vida de gerações. O trabalho árduo dos campos, os
carros de bois, as bateiras, os pescadores e os amores de antigamente fazem
parte de um passado cheio de sacrifícios, simplicidade e paixão.
Embora os tempos tenham mudado e muitos costumes desaparecido, permanece viva a alma de Montemor, feita da coragem das suas gentes, das recordações e do amor às suas raízes.
Porque Montemor-o-Velho não é apenas uma terra, é um sentimento que vive no coração de quem a ama. Um lugar onde a saudade nunca morre e o amor perdura para sempre.
Mário
Silva - 600 Anos da Feira Anual de Montemor-o-Velho (1426–2026) | Parte III
A
Feira Anual de Montemor-o-Velho foi, ao longo dos séculos, um importante centro
de comércio, riqueza e desenvolvimento económico, afirmando a vila como uma das
mais prestigiadas do reino.
Desde
o século XV, Montemor-o-Velho defendeu os seus direitos e privilégios junto dos
reis, garantindo condições favoráveis aos comerciantes e à população. D. João
II, D. Manuel I e D. João III contribuiu para a preservação e consolidação
desta importante tradição.
Na
feira, comercializava-se uma enorme diversidade de produtos, desde cereais,
vinhos, frutas, tecidos e animais até especiarias, metais e artigos de luxo,
demonstrando a prosperidade e a importância comercial da vila.
Seis
séculos depois, celebrar esta feira é homenagear a história, o trabalho e o
espírito empreendedor das gentes de Montemor-o-Velho, preservando uma herança
que continua a ser motivo de orgulho para toda a região.
Carla M. Henriques - A
Importância de Falar Sobre a Depressão e a Saúde Mental
Num
texto profundo e sensível, Carla M. Henriques convida-nos a refletir sobre a
importância de falar abertamente da depressão, da dor emocional e da saúde
mental, sem medos, preconceitos ou julgamentos.
Recorda-nos
que nem todas as feridas são visíveis e que, por detrás de um sorriso, podem
existir grandes sofrimentos. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas um passo
importante que merece respeito, compreensão e carinho.
Uma mensagem de humanidade e empatia, que nos lembra que ninguém deveria sentir vergonha de dizer «não estou bem». Porque, muitas vezes, mais importante do que encontrar respostas é saber escutar, compreender e estar presente.
Crônicas de Viagem | Carta para Amélie
Texto de António Girão.
Numa carta profundamente emotiva e dolorosa, António Girão recorda a partida trágica de Amélie, uma jovem de apenas 16 anos, convidando-nos a refletir sobre a importância da atenção, do amor e da compreensão na vida dos nossos jovens.
O autor alerta para uma sociedade demasiadamente preocupada com resultados, ambições e aparências, em que a família e a escola nem sempre conseguem reconhecer o sofrimento silencioso de quem mais precisa de apoio.
Uma mensagem comovente e um apelo à consciência de todos nós: é preciso saber parar, ouvir, compreender e cuidar dos nossos jovens, antes que o silêncio e a dor se transformem em perdas irreparáveis. Porque nenhuma vida deve passar despercebida e nenhum pedido de ajuda deve ficar sem resposta.
Com texto de Maria Forte,
Há quem esteja sempre. E nunca tenha estado.
Num texto profundo, reflexivo e marcado por uma subtil ironia, o autor convida-nos a pensar sobre a diferença entre estar presente e fazer verdadeiramente a diferença na vida dos outros.
Tendo Montemor-o-Velho como cenário, critica a procura excessiva de protagonismo, reconhecimento e visibilidade, lembrando que o verdadeiro valor das pessoas não está nos cargos que ocupam, nas fotografias em que aparecem ou nos discursos que fazem, mas na honestidade, na generosidade e nas ações que deixam marcas positivas na comunidade.
Uma reflexão sobre o caráter, a humildade e o verdadeiro sentido de servir. Porque o que realmente importa não é o tempo que permanecemos num lugar, mas aquilo que deixamos no coração das pessoas quando partimos.
Uma Estrada, Duas Solidões.
Num
texto sensível e comovente, Maria Rama retrata a caminhada de um sem-abrigo e
do seu fiel cão Rosais, companheiros inseparáveis numa vida marcada pela
solidão, pelas dificuldades e pela esperança.
A
autora reflete sobre as diferentes formas de solidão, lembrando que também
podemos sentir-nos sós mesmo estando acompanhados. Num gesto de humanidade e
solidariedade, oferece abrigo momentâneo, carinho e uma refeição quente a quem
tanto precisa.
Uma
bela mensagem de empatia, generosidade e esperança, que nos recorda que, por
vezes, um simples gesto de bondade pode iluminar os caminhos mais difíceis da
vida.
O
Castelo, Entre a Madrugada e o Pôr do Sol
Poema
de Garça Real
Num
poema de grande beleza e sensibilidade, Garça Real conduz-nos numa viagem
poética pela imponência de um castelo medieval, acompanhando-o desde a
serenidade da madrugada até aos tons dourados e alaranjados do pôr do sol.
Entre
o canto dos pássaros, a luz do dia e as sombras do entardecer, o castelo
ergue-se majestoso, guardando nas suas muralhas histórias, lendas e memórias de
outros tempos.
Uma homenagem poética à beleza, à história e à eternidade de um monumento que resiste à passagem dos séculos, mantendo viva a memória do passado e a esperança de um novo amanhã.
Isabel Capinha – “Halloween: Muito mais do que uma fantasia…”
Para
Isabel Capinha, o Halloween é muito mais do que vestir uma fantasia de
bruxinha. É uma oportunidade de libertar a imaginação, sonhar e acreditar na
magia.
Mas
a verdadeira magia não está nos feitiços, e sim na capacidade de transformar o
mundo através do amor, da paz, do respeito e da solidariedade.
Com
a sensibilidade de quem mantém viva a criança sonhadora dentro de si, Isabel
deixa uma bonita mensagem: o maior feitiço que podemos desejar é um mundo sem
ódio, sem guerras e onde nunca faltem amor, paz e humanidade.
Porque
a verdadeira magia está no coração de cada um de nós.
Poema
de Isabel Tavares
Num
poema de grande beleza e sensibilidade, Isabel Tavares convida-nos a contemplar
a imensidão do céu, da terra e do mar, despertando sentimentos de admiração,
mistério e encantamento perante as maravilhas da natureza e do universo.
Entre
o brilho do sol, as estrelas, os planetas e os mistérios ainda por descobrir, a
poetisa reflete sobre a pequenez do ser humano perante tamanha grandiosidade e
sobre a eterna curiosidade de conhecer o desconhecido.
Uma
bela reflexão poética sobre a vida, os sonhos e os mistérios do universo,
lembrando-nos que, por mais que descubramos, haverá sempre novos horizontes
para contemplar e perguntas por responder... para lá de tanto céu e tanto mar.
SAUDADE
E AMOR. À TERRA
Montemor-o-Velho
— Terra de Gentes, de Amor e de Paixão.
Onde
o Mondego guarda memórias e o coração nunca esquece as suas raízes.
Há
terras que se visitam, há terras que se admiram, mas há terras que se levam
para sempre dentro do coração. Montemor-o-Velho é uma dessas terras. Terra de
história, de tradições, de gente humilde e trabalhadora, de mãos calejadas, de
rostos marcados pelo sol e pelo tempo, mas de corações grandes, cheios de amor,
coragem e paixão.
Quem
conheceu o Montemor de outros tempos ainda guarda na memória o chiar das rodas
dos carros de bois, que percorriam lentamente os caminhos de terra batida,
carregados com os frutos do trabalho dos campos. À frente, os bois caminhavam
devagar, como se soubessem que a vida não precisava de tanta pressa. Atrás,
homens de chapéu na cabeça, mãos firmes e olhar cansado, levavam consigo o
sustento da família e a esperança de um amanhã melhor.
E
havia o Mondego, esse rio tão nosso, companheiro de tantas gerações, testemunha
silenciosa de alegrias, tristezas, encontros e despedidas.
Nas
suas águas navegavam as barcaças, carregadas de mercadorias, de sonhos e de
histórias. As bateiras deslizavam suavemente pelo rio, conduzidas por homens
que conheciam cada corrente, cada curva, cada segredo daquelas águas. Eram
homens de coragem, que enfrentavam o frio das madrugadas, a força das correntes
e as incertezas de cada dia.
A
pesca no rio era mais do que um trabalho. Era uma forma de viver. As redes
lançadas à água, as mãos molhadas, o silêncio da espera e a alegria de uma boa
pescaria faziam parte de uma vida simples, mas cheia de dignidade. O peixe que
o Mondego oferecia ajudava a matar a fome e a alimentar a esperança de muitas
famílias.
E
as mulheres de Montemor? Ah, essas mulheres de outros tempos! Mulheres de
fibra, de avental à cintura e lenço na cabeça, que trabalhavam de sol a sol,
cuidavam dos filhos, da casa e da terra. Mulheres que sabiam transformar pouco
em muito, que escondiam as lágrimas para não entristecer os seus e que tinham
sempre uma palavra de carinho, um pedaço de pão e um abraço para oferecer.
Havia
também os amores de antigamente...
Amores
que nasciam num simples cruzar de olhares, numa festa da terra, à saída da
igreja, junto aos campos ou nas margens do Mondego. Amores feitos de cartas
guardadas em segredo, de mãos que se tocavam timidamente, de promessas feitas
ao luar e de corações que batiam mais depressa à espera de um encontro.
Quantas
histórias de amor terão começado junto ao rio? Quantos beijos terão sido
roubados à sombra das árvores? Quantas lágrimas terão caído nas águas do
Mondego por um amor distante ou por uma paixão impossível?
Naqueles
tempos, amar era muitas vezes esperar. Era guardar saudades, era sonhar em
silêncio, era prometer uma vida inteira com um simples olhar.
E
lá no alto, o majestoso Castelo de Montemor-o-Velho, senhor de tantos séculos,
observava tudo. Via os carros de bois passar, os homens regressar dos campos,
as barcaças seguir o seu caminho e os namorados fazer promessas de amor eterno.
As suas muralhas guardavam, e continuam a guardar, as histórias de um povo que
nunca deixou de amar a sua terra.
O
tempo passou...
Os
carros de bois deixaram de chiar pelos caminhos. Muitas barcaças desapareceram
das águas do rio. As bateiras já não fazem parte da vida quotidiana como
outrora. Os velhos pescadores partiram, levando consigo histórias que nem
sempre ficaram escritas. Os caminhos mudaram, as casas transformaram-se e
muitas vozes que enchiam as ruas calaram-se para sempre.
Mas
há uma coisa que o tempo não conseguiu levar: a alma de Montemor-o-Velho.
Essa
continua viva nas lembranças dos mais velhos, nas histórias contadas de pais
para filhos, nas fotografias amarelecidas pelo tempo, nas tradições que
resistem e no coração de todos aqueles que sentem orgulho das suas origens.
Porque
Montemor-o-Velho não é apenas um castelo, um rio, campos férteis ou ruas
antigas.
Montemor-o-Velho
é gente. É suor. É sacrifício. É saudade. É amor. É paixão.
É
a memória de um pai que regressava cansado do trabalho. É o carinho de uma mãe
que esperava à porta. É o avô que contava histórias junto à lareira. É a avó
que rezava baixinho pelos seus. É o rapaz que sonhava com a rapariga da sua
vida. É a menina que esperava, de coração apertado, pelo regresso do seu amor.
É
o som das rodas dos carros de bois, o bater dos remos nas águas do Mondego, o
canto dos pássaros ao amanhecer e o cheiro da terra molhada depois da chuva.
E
quando a saudade aperta, parece que ainda conseguimos ouvir as vozes daqueles
que já partiram, sentir os passos de quem percorreu os nossos caminhos e ver,
ao longe, uma bateira a deslizar lentamente pelo rio, levando consigo pedaços
de um tempo que nunca mais voltará.
Montemor-o-Velho,
minha terra de encanto, de memórias e de paixão...
Podem
passar os anos, podem mudar os tempos, podem desaparecer os velhos costumes,
mas, enquanto houver alguém que conte estas histórias, enquanto houver um
coração que se emocione ao ouvir o teu nome, o teu passado nunca morrerá.
Porque
as terras também têm alma. E a tua, Montemor, é feita da grandeza das tuas
gentes, da beleza do teu Mondego e do amor de tantas gerações.
E
se um dia me perguntarem onde mora a saudade, eu responderei sem hesitar: mora
nas águas do Mondego, nos caminhos antigos, nas muralhas do castelo e no
coração de quem ama Montemor-o-Velho.
Porque
há amores que o tempo não apaga, há memórias que a vida não leva e há terras
que nunca deixam de ser nossas.
Montemor-o-Velho,
ontem, hoje e para sempre... um amor que não tem fim. ❤️
Nos 600 anos da Feira Anual de Montemor-o-Velho (1426-2026)
PARTE
III
Assumindo
uma posição de destaque no Baixo Mondego e no todo nacional – no século XV já
ocupava um prestigiante lugar no quinto banco das cortes, sentando-se ao lado
de povoações como Faro e Ponte de Lima, e à frente de outras como Castelo
Branco, Aveiro, Sintra ou mesmo Setúbal – a vila de Montemor-o-Velho nunca
deixou de pugnar pelos seus direitos e privilégios, levando a sua voz, através
de procuradores eleitos de entre a elite municipal, até às cortes. Assim
aconteceu nas cortes de Évora-Viana de 1481-1482, quando os seus procuradores
apresentam a D. João II um rol de queixas sobre o funcionamento da feira: “A
primeira tocava à sisa, e a este respeito dizia que el-rei D. João I fizera
mercê ao infante D. Pedro, seu filho, senhor da villa, que houvesse ahi para
sempre uma feira real, e deu-lhe muitas liberdades e franquezas, entre ellas a
de não se pagar mais de meia sisa das mercadorias trazidas à feira, salvo
carnes de talho e vinho atavernado. Assim se manteve sempre a concessão até que
modernamente os mercadores dos pannos de Castella, não sabia o concelho se por
favor dos contadores, se por outra maneira, levavam a sisa inteira dos pannos
que vendiam. Instava, pois o capítulo pela observancia d’aquelle privilegio, e
proseguia dizendo que, em razão de vir a esta feira muita gente, o infante
ordenara que todos os moradores do termo trouxessem mantimentos para se
governarem os concorrentes (como os de Seiça, que a ela deveriam acorrer com
tudo o que tivessem para vender ou por tudo quanto precisassem de comprar),
mas, havia pouco tempo, o mosteiro de Santa Cruz e o bispo de Coimbra
prohibiram aos do seu senhorio que os levassem, e só por si a villa não podia
supprir. Em conclusão insistia em que todos os do termo, sem excepção dos do
mosteiro e do bispo, cumprissem o que fôra determinado pelo infante (ainda que
a carta de D. João I nada preceituasse a tal respeito). Attende o rei o pedido
mandando que se guarde á villa o seu privilegio, e se contra elle lhe forem
tome instrumento com resposta de quem lh’o não guardar”.
Em
20 de agosto de 1516, D. Manuel I, depois de em 1502 ter confirmado os
privilégios da feira, determinando que os panos de Castela que a ela viessem
não pagassem mais de meia sisa, concede um novo foral a Montemor-o-Velho,
atualizando, deste modo, os proventos que lhe eram devidos, em terra, rio e
mar, por um concelho em franco desenvolvimento. Uma análise cuidada dos
tributos da dízima e da portagem ou mesmo das suas isenções, permitem-nos
percecionar um quadro quotidiano de vivo comércio por toda a vila. Por ela
circulavam todos os produtos que satisfaziam não só as necessidades básicas dos
homens, mas largamente as excediam, remetendo-nos para uma “sociedade de um
certo bom gosto e luxo a ombrear com as mais notáveis do reino”.
Entre
os principais géneros e bens trocados na vila, feira incluída, tínhamos:
cereais, inventariando-se o trigo, cevada, centeio, milho, painço, aveia e a
farinha deles derivada; linho; vinho; vinagre; sal; cal; frutas e legumes
secos, arrolando-se as castanhas, nozes, amêndoas, pinhões por britar, avelãs,
boletas, ameixas, figos e uvas passadas, mostarda e lentilhas; fruta verde,
como laranjas, cidras, peras, cerejas, melões, uvas e figos; hortaliça; coisas
miúdas de mercearia e botica, numa comum mistura entre condimentos e mezinhas,
discriminando-se a pimenta, canela e outras especiarias, as plantas medicinais
como o ruibardo, a canafístola e o estoraque, o açúcar e o mel e produtos deles
derivados, os perfumes e cheiros, como a água de rosas e águas destiladas, as
plantas tintureiras, como a grã Brasil, os véus e coisas de algodão e seda, os
vidros, a cera, o azeite, os queijos secos, a manteiga salgada, o sebo, o unto,
o pez, a resina, o breu, o sabão, o alcatrão e o sumagre; panos, de linho, lã,
algodão, palma, estopa, seda e brocado, referindo-se concretamente a bragal,
feltro, burel, enxerga, almáfega, mantas e todas as roupas deles feitas; palma
e seus artefactos, como esteiras, alcofas, açafates e cordas, de esparto, de
junca, de junco e de obras de tábua ou funcho; prata lavrada e ourivesaria;
gado, identificando-se o boi, a vaca, o carneiro, o porco, o bode, a cabra e a
ovelha, com as respetivas crias; toucinhos e marrãs (presuntos) inteiros; peles
de coelhos, cordeiros e martas; couros, enumerando-se coiros vacaris curtidos
ou por curtir, coirama em cabelo e peles inteiras ilhargadas ou de lombeiro;
bestas, apontando-se cavalos, rocins, éguas, mus ou mulas, asnos e asnas;
escravos e escravas; metais e seus derivados, destacando-se o aço, estanho,
chumbo, latão, arame e cobre, o ferro em barra e as coisas de ferro moídas,
limadas, estanhadas ou envernizadas; pedra, aludindo-se a pedra para alvenaria,
a diversos tipos de mós – de barbeiro, de moinhos e atafonas, mós de mão para
moer cereal e mostarda, ou as de moer casca ou azeitonas – e a mármores do
levante; barro e louça de barro que podia ser vidrada, como os azulejos, ou não
vidrada; alimentos, como pão cozido, biscoito e farelos, ovos, queijadas, leite
e produtos dele derivados, mas sem sal; caça e aves, enumerando-se coelhos,
lebres, perdizes, patos, adéis, pombos e galinhas; erva, lenha, canas, vides,
carqueja, tojo, palha, e vassouras”.
Alguns
anos depois, por carta de confirmação passada em 11 de dezembro de 1525, D.
João III ratifica os privilégios outorgados por D. Afonso V, garantindo, deste
modo, a manutenção e consolidação da Feira Anual de Montemor-o-Velho.
FAUSTO
CANICEIRO DA COSTA – O FIGUEIRENSE DOS MIL OFÍCIOS
Fausto
Caniceiro da Costa nasceu em 5 de março de 1914, na Rua das Mercês, na Figueira
da Foz, e faleceu a 26 de setembro de 2006, com 92 anos de idade.
Foi marceneiro, tipógrafo, serralheiro, escriturário, topógrafo, tipógrafo, chefe de lanço, teatrólogo, palhaço, imitador, mimo, músico, autarca, caricaturista, desenhador, folclorista, radialista, associativista, ilusionista, pintor, escritor, jornalista, diretor de jornal, dirigente associativo, homem de teatro, humorista, poeta popular, ilusionista, declamador e organizador dos Festivais Mágicos da Figueira da Foz.
Com 11 anos, tornou-se aprendiz de marceneiro. “Éramos cinco filhos, eu era o mais velho da ninhada e havia necessidade de ajudar. O meu pai era marceneiro e ganhava pouco… Sabe, o trabalho infantil, antigamente, era um mal necessário”, explicou Fausto Caniceiro da Costa.
Começou
a ganhar 60 escudos por mês e, “como o negócio não dava para o petróleo e o
patrão [o pai] não pagava”, teve ainda de se empregar numa loja de ferragens,
ao mesmo tempo que estudava em regime noturno.
Foi depois tipógrafo, “onde sempre se ganhava um bocadinho melhor”, antes da tropa o chamar, aos 17 anos.
Seguidamente
foi serralheiro, escriturário e topógrafo, antes de se tornar funcionário
público na Direção Hidráulica do Mondego, onde foi chefe de lanço durante 46
anos, na Figueira da Foz e em Soure.
Como o vencimento era baixo, acumulou a chefia de lanço com a profissão de desenhador da construção civil.
Desenvolveu
muitas atividades, sem parar, demonstrando um talento pouco comum, muitas vezes
em favor de outros, com palestras, exposições de pintura, récitas de poesia,
manifestações teatrais, organização de eventos culturais, palhaçadas,
ilusionismos, coleta de fundos para instituições, publicação de livros,
jornalista do jornal A Voz da Figueira, desde 1 de janeiro de 1956, e seu
diretor interino, por simpatia e amabilidade com a sua proprietária.
O
seu legado mais mediático a nível nacional foi a criação e organização dos
Festivais de Magia da Figueira da Foz, o primeiro realizado em 1966 e o último
a 5 outubro de 1993.
O evento ganhou rapidamente uma dimensão internacional e o Casino da Figueira da Foz tornou-se o seu palco por excelência.
Durante as décadas de 1970 e 1980, o festival funcionou como uma autêntica janela para o mundo, trazendo à cidade os maiores nomes do ilusionismo mundial, num intercâmbio cultural sem precedentes na região.
O Festival de Magia da Figueira da Foz foi um evento anual pioneiro que projetou a cidade no mundo do ilusionismo e que valeu a Fausto Caniceiro da Costa o reconhecimento informal como o "Pai dos Festivais de Magia em Portugal".
Entre
1988 e 1993, enquanto o festival da Figueira vivia os seus últimos anos, Fausto
Caniceiro da Costa também canalizou a sua experiência para ajudar a organizar
os Festivais de Magia da Amadora, expandindo o legado além da sua terra natal.
Colaborador de títulos da imprensa regional e nacional, autor de programas de rádio, Fausto Caniceiro da Costa ficou ainda conhecido como poeta popular humorístico e escritor.
Editou
cerca de 14 livros, uns de humor, como o “Dicionário do Cão”, outros
históricos, como “Monografia de Buarcos”, “Figueirenses de Ontem e de Hoje” e
“Toponímia da Figueira nos Séculos XVII, XVIII, XIX e XX”.
Escreveu também obras de poesia, como “Areias Movediças”, e obras de pendor popular como “Amor com Amor se Paga”.
Escreveu ainda “Buarcos por Dentro (1880-1996) – 2ª Parte: O que ouvi. O que vivi. Contos com ficção”, um livro que retrata a vida, as memórias e as histórias de Buarcos, misturando vivências reais com contos de ficção.
Grande parte dos seus escritos foca-se no amor à sua região natal (o bairrismo figueirense), na sátira social, em memórias históricas locais e na poesia popular.
Foi
diretor de várias coletividades, entre as quais três associações de bombeiros. Dedicou-se também à pintura, desenho e retrato, tendo promovido diversas
exposições, oferecendo ou vendendo para fins beneficentes o produto dos seus
trabalhos.
“Um
homem que era uma dádiva à sociedade e um exemplo de vida”, com mais de duas
dezenas de profissões no currículo, Fausto Caniceiro da Costa não parou até aos
92 anos, idade com que faleceu em 2006.
Faleceu
aos 92 anos, mas não sem antes escrever uma curiosa lápide, que viria a ser a
sua: "Levei a vida a brincar, e quis fazer o mesmo com a morte, mas, por
azar, ela foi mais forte, e venceu, e eu perdi, mas não me convenceu, por isso
estou aqui".
Alvo
de várias homenagens, o Lions Clube de Santa Catarina elegeu-o “Cidadão
Figueirense-2000”.
“Uma
pessoa não pode controlar estas coisas… Já viu bem? “Até já sou imortal!”,
comentou, emocionado, quando a Câmara Municipal da Figueira da Foz atribuiu o
seu nome a uma rua de Buarcos.
Falecido
em 2006, está agora “imortal” na toponímia buarquense e nas memórias
figueirenses.
Talvez
fosse importante normalizar falar de depressão, sem vergonhas e sem medos.
Poder dizer “não estou bem” sem recear que, a partir desse momento, tudo o que
somos passe a ser visto através dessa fragilidade. Sem termos de justificar a
nossa dor ou de provar que temos razões suficientes para a sentir.
Precisávamos deixar de chamar “malucos” a quem sofre, a quem carrega traumas ou a quem
precisa de ajuda. Nunca sabemos inteiramente o que alguém viveu, o que precisou calar ou quanto lhe custa continuar a cumprir os seus dias. Há dores que não
se veem, mesmo quando estamos perto. E há pessoas que continuam a trabalhar, a
cuidar dos outros e a sorrir, enquanto procuram perceber como cuidar de si.
Tenho
cada vez mais respeito por quem consegue reconhecer que precisa de ajuda. Por
quem aceita olhar para dentro, mesmo com medo do que possa encontrar. Talvez
nem sempre consiga explicar o que sente. Talvez lhe faltem palavras, talvez
tudo pareça confuso. Ainda assim, tenta compreender as suas feridas e encontrar
uma forma de viver que não doa tanto.
E
também penso em quem ainda não consegue dar esse passo. Em quem tem vergonha,
receio de ser julgado ou simplesmente não encontra forças para começar. Essas
pessoas merecem o mesmo cuidado. Pedir ajuda pode ser difícil, e ninguém devia
sentir que tem de demonstrar coragem para merecer ser ouvido.
Gostava
que aprendêssemos a falar da nossa bagagem sem a transformar numa culpa. A
reconhecer o que nos aconteceu, o que nos marcou e aquilo que continua a
interferir na forma como nos vemos e nos relacionamos. Há coisas que não
conseguimos simplesmente deixar para trás por decisão ou vontade. Precisamos de
tempo, de apoio e de espaço para lhes dar outro lugar na nossa vida.
Normalizemos
falar da dor, dos sentimentos e da vulnerabilidade. Mas normalizemos também
escutar, sem apressar respostas, sem comparar sofrimentos, sem dizer a alguém
que tem tudo para estar bem. O que se vê de fora nunca conta a história toda.
Gostava
que dizer “preciso de ajuda” pudesse ser tão natural como estender a mão quando
nos falta o equilíbrio. E que, do outro lado, houvesse menos julgamento e mais
disponibilidade para ficar. Porque já é suficientemente difícil não estar bem.
Não devíamos ter de carregar também a vergonha de o admitir.
Crónicas
de Viagem
(Faz
hoje 5 anos que partiu uma jovem que quis partir. Escrevi nesse dia esta carta,
trocando o nome, na tentativa de que a família e a escola refletissem. Não
queremos mais casos como o de Amélie.
Carta
para Amélie
Amélie
tinha 16 anos. Uns curtos 16 anos os que viveu, uns longos 16 anos os que
sofreu. Era uma menina como todas as meninas e conhecia equações, orações,
canções, transcrições, discussões, composições, ambições e contradições aos
milhões. A vida, a escola, os envolventes e todas as gentes se distraíram, pois
deveriam ter ensinado corações. Mas a vida é mais, a escola e mais, as gentes
envolventes, em ambições doentes, não pararam para ver o que eu infelizmente vi:
a tragédia que se abateu sobre Amélie!
Amélie
precisaria muito menos de saber se as orações eram subordinadas ou coordenadas,
se as equações tinham resolução, se as canções eram satânicas ou com versos
ausentes, se as discussões se faziam “por dá cá aquela palha” sem que “parassem
para pensar” e se as contradições eram o processo de educar.
Amélie
deveria ter conhecido uma vida que parasse, uma escola que parasse, uma
envolvência que parasse, para que Amélie não tombasse.
Mas,
tombou!
Tombou
a Amélie, tombou um outro que fizeram tombar, tombaram não sei quantos, porque
não pararam para pensar.
Onde
anda a razão da vida?! Em discussões, por que se deve amar de portas para dentro,
deve-se olhar de portas para dentro e não nos devemos apaixonar como se fosse “troca
de camisa”. A razão da vida anda em águas superficiais, sem ouvidos, sem olhos,
na cegueira das certezas dos incertos, nas palermices dos chico-espertos, e
nunca na visão antecipada da estrada daqueles que “mandámos vir ao mundo” e se
perdem para o mundo até cair no poço sem fundo e sem retorno.
Onde
anda a razão da escola, que deve olhar para o coração dos que ainda estão em
formação e não para a avaliação que se quer para dados de embandeirar?! A razão
da escola anda nas resmas que as vidas fazem avançar como se fossem lesmas. A
escola não está virada para os corações dos jovens que partem, coitados; a
escola quer é resultados!
E
a vida?! Esta anda perdida, anda em sonhos de infâncias retardadas, sem
conhecer a razão de ser de termos que olhar para dois, mais tarde três ou
quatro, mas onde se intrometem outros, na javardice das infidelidades, como se
isso fosse normal, até que os que vieram por ordem nossa partam desta forma
cruel, novos, muito novos e fartos de sofrer!
Não,
destes finais não queremos para as Amélie, para os José, para os Marco ou para
quaisquer outros que sofrem sem que se veja que sofrem, que partem sem que se
veja que irão partir e sem que se possa evitar a partida!
É
assim!
Pois
que se continue com a arrogância, a ganância e a falta de parar para pensar!
Ontem
foi a Amélie, no passado foram outros e, infelizmente, outros irão!
Há
quem esteja sempre. E nunca tenha estado.
Em
Montemor há coisas que parecem ter um compromisso com a eternidade.
O
castelo continua lá. O Mondego continua a correr. Os campos obedecem a um
calendário que dispensa a nossa autorização.
E
nós?
Nós
continuamos extraordinariamente preocupados em estar.
Estar
presentes. Estar informados. Estar nas fotografias. Nas decisões. Nos lugares
certos. Ao lado das pessoas certas. De preferência, quando há alguém a
fotografar.
Mas
estar, para quê?
Há
quem ocupe um lugar durante décadas sem verdadeiramente o habitar. Quem se
sente à mesma mesa uma vida inteira sem conhecer quem tem à frente. Quem
apareça em todas as fotografias da comunidade, mas desapareça quando a
comunidade realmente precisa.
E
há quem, sem cargos, fotografias ou discursos, deixe uma ausência que nem o
tempo consegue preencher.
Vivemos
obcecados com a visibilidade. Confundimos exposição com contribuição,
popularidade com importância e, não raras vezes, um bom discurso com um bom
caráter.
Hoje,
tudo parece precisar de plateia.
A
solidariedade precisa de fotografia. A generosidade, de publicação. O trabalho,
de aplauso. E a humildade? Essa já tem quem a anuncie em letras maiúsculas.
Convenhamos,
há quem tenha transformado a arte de aparecer numa carreira. E há quem ainda
não tenha percebido que ocupar um lugar não é o mesmo que merecê-lo.
Nas
terras pequenas, esta ironia ganha outro encanto.
Sabemos
quem manda. Quem presidiu. Quem inaugurou. Quem discursou. Quem esteve na
primeira fila e quem conseguiu aparecer na fotografia.
Mas
quantos nomes sabemos daqueles que realmente fizeram a diferença?
Daqueles
que ajudaram sem perguntar a quem. Que abriram portas sem esperar
contrapartidas. Que trabalharam sem precisar de um microfone para anunciar a
própria generosidade.
Talvez
tenhamos andado a homenagear as pessoas erradas.
Ou,
pelo menos, a confundir notoriedade com mérito.
Porque
uma coisa é deixar o nome gravado numa pedra. Outra, bem diferente, é deixá-lo
gravado na vida de alguém.
E
a pedra, convenhamos, é muito mais fácil de encomendar.
O
outono tem-me feito pensar nisto. Não nas folhas que caem, porque já gastámos
essa metáfora até à exaustão, mas naquilo que permanece quando o cenário muda.
Quando
acabam as festas. Quando se desmontam os palcos. Quando desaparecem os
cartazes. Quando se fecham as portas.
Quem
continua lá?
Quem
aparece quando não há nada a ganhar?
Porque
também há amizades com prazo de validade, lealdades que mudam de direção
conforme o vento e convicções que se adaptam admiravelmente à cadeira
disponível.
Há
até quem defenda princípios inegociáveis… até aparecer uma proposta
suficientemente interessante para os negociar.
A
isto chamam, por vezes, saber estar.
Eu
chamaria outra coisa. Mas não quero estragar a imaginação de quem lê.
Há
muitos anos que observo pessoas. Gosto de lhes escutar as histórias, perceber
as contradições e descobrir aquilo que não cabe nas apresentações formais.
E
quanto mais vivo, mais me convenço de que o caráter não se revela quando
estamos sob os holofotes, mas quando já não há ninguém para aplaudir.
Olho
para Montemor e penso nas gerações que por ali passaram.
Nos
que tiveram poder. Nos que tiveram voz. E nos que tiveram pouco mais do que as
mãos para trabalhar e a palavra para honrar.
O
castelo continua lá, indiferente às nossas pequenas vaidades e à passagem de
tantos que um dia se julgaram indispensáveis.
Talvez
seja essa a ironia mais cruel do tempo: não pede autorização para nos
substituir. Nem sequer se dá ao trabalho de nos avisar.
E
nenhuma terra se constrói apenas com os nomes que aparecem nas placas ou nas
fotografias oficiais.
Constrói-se
também com os anónimos. Com os incómodos. Com aqueles que fizeram perguntas
quando era mais conveniente ficar calado. E com os que perceberam que servir
uma comunidade é muito diferente de se servir dela.
No
fim, talvez a permanência não se meça pelo tempo que ocupamos um lugar, mas
pelo vazio que deixamos quando já não estamos nele.
Porque
há pessoas que passam. Há pessoas que ficam.
E
há outras que, mesmo estando sempre presentes, nunca chegaram verdadeiramente a
estar.
Afinal,
quando já não houver ninguém para anunciar a tua presença, o que ficará dela?
Uma Estrada, Duas Solidões.
Numa
noite de luar um sem abrigo caminha na estrada ingreme da vida com o seu cão
Rosais.
Com
ele partilha as amarguras da vida e o pouco que tem para dar.
Olho
para ti e sinto o que sofres, na solidão da vida. Queria mostrar-te o sonho de
uma terra prometida que também não tenho. E nesta ansiedade, veio-me à memória
tempos em que também me senti só. Não porque tenha tido a mesma condição que
tu, mas porque se pode estar só, mesmo acompanhada.
O
teu caminho é sinuoso e intenso, mas tu não desistes e a cantar uma canção de
esperança continuas a tua jornada lenta e vagarosamente.
Num
turbilhão de ideias, convido-vos a entrar comigo na minha humilde casa para vos
dar uma refeição quente. Tenho pena que te vás, com o teu fiel companheiro, mas
espero que encontrem um lar perpétuo e uma encantada estrada da vida.
Na frescura orvalhada
da madrugada que
rompia,
avistava-se ao longe,
envolto na penumbra,
o vulto recortado de um
castelo,
feito de pedras
medievais,
adornadas com as ervas
que por ali proliferam
generosamente.
Ouve-se o som discreto
de um pássaro
madrugador
rasgando os ares,
timidamente,
na serenidade da manhã.
Depois, mais tarde, já
o sol ia alto,
surgiu, em todo o seu
esplendor,
a clara imagem do
castelo,
grandioso, imponente,
orgulhoso das suas
pesadas portas,
das ameias,
das torres, das vigias,
desenhando no azul do
céu,
histórias e lendas
de um outro tempo,
mas ainda hoje
presente,
impondo a sua marca
indelével.
Ao sol poente,
recortava-se, no
alaranjado do céu,
o seu perfil grandioso,
com contornos exatos,
rigorosos,
bem definidos,
projetados no céu
agora aceso em fogo
e promissor,
antevendo o sol do
amanhã.
Halloween
– Muito mais do que uma fantasia…
O
Halloween é aquele momento mágico em que podemos dar asas à imaginação e deixar
despertar a(s) bruxinha(s) que vivem na nossa alma.
Vestir
de bruxinha, não é apenas pela magia da roupa, pelo chapéu ou pela fantasia,
mas pela liberdade de ser, de sonhar, de brincar com a magia e de sentir que,
por um dia, o mundo pode ser um lugar encantado.
Mas,
se tivesse uma magia verdadeira, não seria para lançar feitiços, nem para
transformar pessoas em sapos. Seria para tocar os corações, afastar o ódio,
apagar as guerras, transformar a inveja em amor e a indiferença em
solidariedade.
A
varinha mágica seria para mudar mentalidades, ensinar as pessoas a
respeitarem-se, a compreenderem-se e a viverem em harmonia.
Porque
a maior magia seria transformar este mundo num verdadeiro centro de paz, onde ninguém
tivesse medo, onde o amor fosse mais forte do que o ódio e onde a bondade não fosse
uma exceção, mas uma forma de viver.
Por
isso, sim, eu, adoro vestir-me de bruxinha!
Porque
há uma menina sonhadora dentro de mim que acredita na magia, mas há também um coração
que acredita que podemos fazer deste mundo um lugar melhor.
E
se pudesse escolher um único feitiço, seria este: que nunca faltasse amor, paz
e
humanidade
no coração de ninguém.
Feliz
Halloween!
TANTO CÉU E TANTO
MAR...
Nas alturas
O sol despede-se
Na linha do horizonte
Brilhante e misterioso
Parece uma bola de
fogo…
São dois mundos
paralelos
Duas imensidões
Duas interrogações
De beleza arrebatadora…
O céu e a terra…
E nós, pequenos grãos
de areia,
No meio de tanta
vastidão…
Gerações e gerações…
Entre estas duas
imensidões
Já contemplaram céu e
terra
E se extasiaram com
tanta beleza…
Sem a menor certeza …de
nada
Nas entranhas da terra
Há toda uma vida por
desvendar…
Há tanta terra e tanto
mar
E o cabo do mundo
Onde tudo começa e
acaba
As terras geladas
E os vulcões cheios de
lava…
O céu tamanho…cometas,
Estrelas e
planetas…constelações
E os nossos corações
Sonham…
Entre o sol e a lua
Que iluminam a nossa
rua…O que há para lá
…De tanto céu e tanto
mar?...
O livro da imagem é «Livro de Leitura da Primeira Classe», de Maria Luísa Torres Pires, Francisca Laura Batista e Glória N. Gusmão Morais.
Pela capa e pelas ilustrações, parece ser uma edição antiga, da década de 1960.1.ª edição é de 1967.
O livro tem, portanto, 59 anos em 2026.
Foi utilizado nas escolas primárias portuguesas durante o final dos anos 60 e os anos 70.
Autores: Judite Vieira, Manuel Ferreira Patrício, Silva Graça, ilustradores Maria Keil e Luís Filipe De Abreu.
Edição/Editor: 1ª/ Bertrand




























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